Ijuí – Liquidação de dívidas preocupa associados da Cotrijui

A situação da Cooperativa Agropecuária e Industrial (Cotrijui) que já foi considerada uma das maiores da América Latina, com 6 mil sócios, pode piorar ainda mais, por conta das dívidas e do processo de liquidação voluntária, que não estaria respeitando as regras estabelecidas pela lei.

Mais de seis fraudes são investigadas pelo Ministério Público. Os promotores analisam documentos recolhidos nas sedes da cooperativa e na casa dos investigados.

“Existem provas testemunhais dando conta de que isso estaria ocorrendo ou pelo menos apontando a possibilidade de isso estar ocorrendo. E acredito que devem, pelo que nós temos de informações, estamos apurando cerca de seis a sete tipos de diferentes condutas. Além disso existem outros órgãos que estão apurando a questão de crimes tributários”, afirma o promotor de Justiça José Garibaldi Machado.

Um dos crimes investigados é a apropriação indevida de grãos deixados na cooperativa pelos agricultores.

“Hoje a cooperativa atua no regime de armazém geral, isso significa que ela não pode vender nenhum grão do produtor sem que tenha a sua autorização. Portanto todo o grão que deveria estar lá depositado, que foi depositado pelo produtor, até que ele seja vendido ele teria que estar em depósito, e a notícia é de que não haveria grãos em depósito o suficiente pra de forma compor o montante igual a aquele que foi depositado pelos produtores”, detalha o promotor.

Outra irregularidade é a ordem de pagamento dos credores, que não estaria sendo respeitada. Como a cooperativa está, desdes 2014 em processo de liquidação, quando os associados decidem negociar as dívidas em um prazo determinado, o pagamento deve respeitar uma ordem prevista em lei. Mas a suspeita é de que os credores que estão no final da fila estariam recebendo antes. “Se eventualmente mediante expedientes fraudulentos de maneira a beneficiar credores em detrimento de outros. Então isso também, tudo, depende desta verificação”, afirma Machado.

Por conta dessa situação, um dos credores, grupo chinês, entrou na Justiça pedindo o afastamento dos diretores. O afastamento aconteceu, e o judiciário nomeou um administrador judicial, para que os pagamentos obedeçam os critérios determinados pela legislação.

“Sempre a finalidade de qualquer processo de insolvência é maximizar os ativos, enfim, de forma a contemplar o interesse dos credores, então isso com certeza vai ser feito da melhor forma possível, de forma a evitar qualquer dilapidação do patrimônio da cooperativa”, afirmou José Paulo Japur, advogado da empresa nomeada.

Enquanto isso, agricultores buscam informações sobre o futuro da cooperativa.

O presidente afastado, que estava no cargo desde outubro do ano passado, nega as irregularidades. “Essas acusações que foram feitas lá, temos que deixar para ver dentro do processo. Isso tem que ser provado que isso aconteceu pela operação, nós vamos ter a oportunidade de contrapor isso dentro do processo”, afirmou Eugênio Frizzo.

A estimativa é de que a dívida da cooperativa some cerca de R$1,8 bilhão. Quando a quitação for feita, a administração deve voltar às mãos dos associados.

G1/RS – RBSTV

Jornalismo Grupo Chiru Comunicações

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *