Atualizado em 04/12/2025 às 14:18
HDP negocia com fornecedores e prioriza pagamento dos servidores
O Hospital Divina Providência (HDP) apresentou, nesta quarta-feira, 3 de dezembro, um panorama atualizado da sua situação financeira durante coletiva convocada pela nova diretoria. A prioridade imediata é renegociar contratos com fornecedores e garantir o pagamento da folha e do décimo terceiro salário dos funcionários, conforme destacou o presidente Paulo Donin de Lima.
– Fazem 16 dias que estamos à frente do HDP e foram dias de incansável trabalho. Aqui está todo o histórico do hospital e isso, infelizmente, não é uma realidade somente nossa, mas do Rio Grande do Sul. O que vai tirar o hospital dessa situação é a unidade da nossa comunidade, é a força de todos em prol do HDP. É um caso crítico, sim, mas já vislumbramos algumas saídas. Precisamos dessa unidade, pois nosso compromisso é com o futuro do HDP, fazendo um trabalho sério e coerente –, afirmou Donin ao pontuar que o pagamento dos funcionários e dos fornecedores é prioridade e aproveitar a oportunidade para apresentar a nova adminitradora da casa de saúde, Lisete Bison.
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A instituição acumula um endividamento estimado em R$ 26.416.000,00, considerando dados consolidados até outubro. O valor inclui dívidas históricas, ações judiciais em andamento e custos relacionados à obra da oncologia, cuja contrapartida é de R$ 4.882.080,75, além de um aditivo aproximado de R$ 800 mil necessário para a conclusão do espaço.
A contadora Sheila Dentti apresentou a evolução dos números sendo que até junho, a dívida auditada era de R$ 17.514,394,70, subindo para R$ 18.583.023,16 em agosto. A maior parte do passivo decorre de serviços médicos, contratos com fornecedores, encargos financeiros, juros e parcelamentos antigos.
O déficit mensal também pressiona as contas da casa de saúde. As despesas alcançam, em média, R$ 3.445.891,73, enquanto as receitas somam R$ 2.351.202,09, gerando uma diferença aproximada de R$ 1.485.087,12, por mês. (Todos os números apresentados estão nas fotos da galeria)
Quanto às receitas, o presidente salientou que parte dos valores provenientes do SUS e dos convênios é automaticamente destinada ao pagamento de dívidas bancárias, reduzindo os recursos disponíveis para custeio. Diante do cenário, a gestão anunciou ações paralelas, como revisão de contratos, renegociação de dívidas, revisão de pacotes de serviços e ampliação de especialidades para elevar a arrecadação.
O segundo tesoureiro, Ayres Rizzi, confirmou que alguns fornecedores chegaram a interromper as entregas, obrigando o hospital a renegociar para evitar desabastecimento. “Nós chegamos a ficar sem fornecedores. Alguns não quiseram mais fornecer mantimentos e ficamos sem alimentação, sendo necessário buscar alternativas. Mas reforçamos que, apesar das dificuldades, vamos honrar as contas e estaremos pagando todos os nossos parceiros”, afirmou. Ele destacou ainda que a comunidade tem auxiliado o HDP, e que as doações ajudaram a suprir momentaneamente a demanda por alimentos.
A nova gestão informou que, nos próximos meses, serão apresentadas campanhas com alternativas de contribuição da comunidade ao HDP.
Durante a coletiva, Donin reforçou a necessidade de cautela diante da circulação de informações distorcidas, alertando que rumores prejudicam o hospital, seus fornecedores e colaboradores.