Publicado hoje às 14:40
Microexplosão provocou ventos de até 130 km/h em Frederico Westphalen, aponta professor da UFSM
Os fortes ventos que causaram destelhamentos, queda de árvores e diversos prejuízos em Frederico Westphalen na tarde de terça-feira, 21 de julho, foram provocados por uma microexplosão atmosférica, também conhecida como downburst. A avaliação é do professor e doutor em Hidrologia Edner Baumhardt, do curso de Engenharia Florestal da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), campus Frederico Westphalen.
De acordo com dados registrados pelo equipamento meteorológico do Aeroclube de Frederico Westphalen, as rajadas de vento atingiram 109 quilômetros por hora, enquanto o volume de chuva chegou a 75 milímetros. Conforme Baumhardt, nos pontos onde houve os maiores danos, a velocidade pode ter sido ainda maior. "Eu acredito, no entanto, que provavelmente tenha chegado a mais de 130 km/h, pois onde está a estação não foi o ápice dos estragos. Essa velocidade de vento é compatível com tornados EF0 e EF1, em nível de estragos", afirmou.
Segundo o professor, a microexplosão ocorre a partir de uma nuvem de tempestade do tipo cumulonimbus, que pode atingir entre 12 e 14 quilômetros de altura. "São ventos descendentes de uma nuvem bem alta que podem chegar a mais de 100 quilômetros por hora. Ao descer verticalmente, chegam à superfície e se espalham lateralmente", explicou.
Baumhardt destaca que esse comportamento diferencia o fenômeno dos tornados. "Ao contrário do tornado, que são ventos ascendentes, a microexplosão é uma corrente de ar frio que desce com muita força e forma uma cortina muito intensa de vento e chuva", salientou.
A análise também levou em consideração os danos observados na cidade. "Pelas características, pelas imagens, pela forma como destruiu os telhados da cidade e pelo direcionamento dos detritos e das árvores que caíram, a gente consegue enxergar um direcionamento do vento. Então, isso provavelmente tenha sido, sim, uma microexplosão", disse.
No que se refere às vidraças quebradas pelo vento, o professor explica que isso ocorre por causa da variação das rajadas. "Isso faz com que as peças, na maioria delas bastante grandes, e essa variação acabam vibrando essas fachadas, o que pode causar fissuras, principalmente onde elas são fixadas, levando o vidro a estourar", explicou.
Sobre a previsão e prevenção
O professor ressalta que esse tipo de fenômeno é difícil de prever com precisão, embora as condições para tempestades severas já estivessem sendo indicadas pelos meteorologistas para a região. Segundo ele, situações semelhantes também foram registradas em municípios vizinhos, como Três Passos, Tenente Portela, Vista Alegre e Palmitinho.
Baumhardt ainda faz um alerta de que eventos extremos como esse tendem a ocorrer com mais frequência. "Isso é uma coisa bastante comum. Já aconteceu outras vezes em Frederico, em 2019, eu lembro. Há uns três anos também ocorreu uma, com grandes estragos em algumas lojas aqui do centro. Então, é, de fato, uma cortina de vento que desce de uma nuvem que a gente chama cumulonimbus, que é uma nuvem bastante alta, uma nuvem de tempestade severa. Às vezes, pode vir granizo acompanhado, não foi o caso. Foi só o vento e, logo depois, a chuva forte. Às vezes, isso acontece ao mesmo tempo. Então, essas coisas vão se tornar mais frequentes em função, aparentemente, do El Niño que está se mostrando aí", salientou o pesquisador.
Ele também orienta que as pessoas evitem circular nas ruas em dias com previsão de tempestades severas e busquem informações em fontes confiáveis, entre elas as do meteorologista Piter Scheuer, que, segundo o professor, tem feito previsões bastante assertivas.