Saúde
Publicado em 22/01/2026 às 08:56
Anvisa proíbe venda de canetas emagrecedoras sem registro no país
Não há garantia sobre conteúdo ou qualidade dos produtos, diz agência
Os medicamentos à base de tirzepatida das marcas Synedica e TG, e de retatrutida, de todas as marcas e lotes, tiveram sua comercialização, distribuição, fabricação, importação, divulgação e uso proibidos pela Agência Nacional de Saúde (Anvisa) nesta quarta-feira, 21 de janeiro. Esses produtos são popularmente conhecidos como “canetas emagrecedoras do Paraguai”.
Segundo a agência, esses medicamentos são produzidos por empresas desconhecidas e são vendidos – em perfis no Instagram – “sem registro, notificação ou cadastro na Anvisa”.
A Anvisa diz também em seu comunicado que, por serem irregulares e de origem desconhecida, “não há garantia sobre o seu conteúdo ou qualidade”, e que por isso essas canetas emagrecedoras não podem ser usadas “em nenhuma hipótese”.
A resolução sobre a proibição foi publicada no Diário Oficial da União nesta quarta.
Ainda em dezembro de 2025 a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já havia emitido um alerta sobre a compra e consumo desses medicamentos. Segundo a agencia, a venda e o uso de canetas emagrecedoras falsas representam um sério risco à saúde e é considerado um crime hediondo no país.
Casos graves
Uma mulher de 42 anos, de Belo Horizonte, está internada desde dezembro em estado grave devido a complicações desenvolvidas após o uso de uma caneta emagrecedora vendida de forma ilegal. Segundo a família da auxiliar administrativa Kellen Oliveira Bretas Antunes, ela usou o medicamento, proveniente do Paraguai, sem prescrição médica.
Inicialmente, Kellen foi internada com dor abdominal, mas o quadro evoluiu para problemas neurológicos. A suspeita é que ela tenha desenvolvido uma síndrome que compromete a musculatura e os movimentos do corpo, a fala e o funcionamento de órgãos.
Ela teria usado a Lipoless. O produto é conhecido informalmente como o “Mounjaro do Paraguai” — um apelido usado por vendedores para associá-lo a um medicamento regularizado — e é trazido do Paraguai para o Brasil de forma ilegal. Desde o ano passado o medicamento é proibido pela Anvisa, mas ela segue sendo anunciada nas redes sociais.