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  • Apostas online provocam aumento na busca por atendimento de saúde mental pelo SUS

    Levantamento aponta crescimento dos casos relacionados ao jogo patológico, enquanto governo amplia teleatendimento e oferece plataforma para bloqueio voluntário em sites de apostas

    O impacto das apostas online sobre a saúde pública tem aumentado no Brasil. Segundo dados apresentados pelo Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (Ieps), os danos à saúde associados às apostas representam um impacto financeiro estimado em R$ 30,6 bilhões por ano para o Sistema Único de Saúde (SUS), incluindo despesas relacionadas ao tratamento de depressão, ansiedade e aos impactos das mortes por suicídio.

    A procura por atendimento também cresceu. Dados do Ministério da Saúde apontam que os atendimentos realizados pelo SUS relacionados ao jogo patológico — condição caracterizada pela dificuldade ou incapacidade de controlar o impulso de apostar — mais que dobraram desde 2018, com aumento de 104% até maio deste ano. Nos últimos cinco anos, a busca por atendimento relacionada à dependência de apostas online e jogos de azar cresceu 140%, segundo os dados apresentados pelo governo.

    Os casos estão concentrados principalmente entre pessoas de 20 a 49 anos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece o transtorno do jogo como uma condição de saúde mental.

    Teleatendimento é ampliado

    Diante do aumento da demanda, o Ministério da Saúde criou uma porta de entrada digital para pessoas que enfrentam problemas relacionados a jogos e apostas. O serviço pode ser acessado pelo aplicativo Meu SUS Digital e também está disponível para familiares.

    Segundo o diretor de Saúde Mental do Ministério da Saúde, Marcelo Kimati, desde fevereiro, mais de 20 mil pessoas se cadastraram após realizar um autoteste que indicou a necessidade de buscar ajuda.

    A capacidade de atendimento foi ampliada recentemente de 600 para até 100 mil teleatendimentos mensais, em parceria com a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do Sistema Único de Saúde (AgSUS).

    De acordo com Kimati, a oferta de atendimento por meio digital busca facilitar o acesso de pessoas que permanecem imersas no ambiente virtual das apostas e podem ter dificuldade para procurar presencialmente os serviços da Rede de Atenção Psicossocial.

    O atendimento é sigiloso e oferece assistência especializada a distância.

    Mais de 1 milhão de pessoas pediram autoexclusão

    Outra ferramenta criada para reduzir os riscos relacionados às apostas é a plataforma de autoexclusão do Ministério da Fazenda. O sistema permite que o próprio usuário solicite o bloqueio do acesso a sites de apostas autorizados no país.

    Segundo os dados apresentados pelo Ministério da Saúde, mais de 1 milhão de usuários já solicitaram voluntariamente a autoexclusão. Entre essas pessoas, de 35% a 40% informaram problemas de saúde mental relacionados a jogos e apostas como motivo para o bloqueio.

    A plataforma é integrada ao Sistema de Gestão de Apostas (Sigap), desenvolvido pelo Serpro para o mercado regulado de apostas. Para solicitar a exclusão, o usuário precisa acessar o serviço com uma conta Gov.br de nível prata ou ouro, indicar o motivo do pedido e escolher o período de afastamento.

    O bloqueio pode ser estabelecido por um período determinado ou por prazo indeterminado. A partir da confirmação, o CPF fica impedido de realizar apostas nas plataformas licenciadas e o usuário deixa de receber publicidade dessas empresas.

    Nos casos de autoexclusão permanente, a liberação pode ser solicitada somente depois de um ano e depende da apresentação de laudo médico que ateste a ausência de transtorno do jogo.

    Além da autoexclusão voluntária, o sistema possui mecanismos de bloqueio determinados por regras governamentais. Beneficiários de programas sociais, por exemplo, podem ter o CPF impedido de acessar plataformas de apostas, conforme determinações estabelecidas para o setor.

    Relato de quem enfrentou a dependência

    Entre as pessoas que recorreram à autoexclusão está Gustavo Pereira, de Lages (SC), diagnosticado com ludopatia. Aos 24 anos, ele acumulou uma dívida de R$ 500 mil ao longo de seis anos de envolvimento com apostas.

    Após enfrentar recaídas, Gustavo decidiu utilizar a ferramenta de autoexclusão para evitar o acesso às plataformas.

    O Ministério da Saúde também vem investindo na qualificação dos profissionais que atuam na Rede de Atenção Psicossocial. Documentos e um guia foram elaborados para orientar o atendimento clínico e o cuidado integral das pessoas afetadas pelo transtorno relacionado aos jogos.

    Mais de 12 mil pessoas já se inscreveram em um curso autoinstrucional desenvolvido em parceria com a Fiocruz de Brasília. A capacitação busca ampliar o conhecimento dos profissionais sobre a identificação e o atendimento dos casos relacionados às apostas.

    Atualmente, o acesso ao teleatendimento pode ser feito pelo aplicativo Meu SUS Digital, inclusive por familiares de pessoas que enfrentam problemas com jogos e apostas. A orientação é procurar ajuda quando o comportamento de apostar passa a causar prejuízos financeiros, familiares, profissionais ou à saúde mental.

    *Informações Agência Brasil

    Heloise Santi - Jornalista Grupo Chiru
    No Ar: Canal Livre com Vilmar Luza 13:00 - 15:00

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