Segurança
Atualizado em 20/01/2026 às 15:52
Banco se manifesta sobre investigação de fraude milionária em Palmeira das Missões
Operação Digital Fantasma apura esquema de R$ 2,4 milhões que também teve desdobramentos em Caçapava do Sul
O banco Bradesco envolvido na investigação da Operação Digital Fantasma, que apura uma fraude bancária estimada em R$ 2,4 milhões em Palmeira das Missões, divulgou posicionamento oficial sobre o caso. Em nota encaminhada à imprensa, a instituição informou que está contribuindo com a autoridade competente para a apuração dos fatos e ressaltou que segue um rígido código de conduta ética corporativo.
A manifestação ocorre após a deflagração da operação pela Polícia Civil, na manhã desta terça-feira, 20 de janeiro, que resultou no cumprimento de três mandados de prisão preventiva — contra o gerente-geral da agência bancária em Palmeira das Missões, um funcionário e a esposa do gerente, apontada como participante do esquema. Além das prisões em Palmeira das Missões, a ação também teve buscas por documentos em Caçapava do Sul, na Região Central do Estado, informação que não constava nas primeiras divulgações.
A investigação é conduzida pelo Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos (Dercc) e aponta que o grupo utilizava dados cadastrais de clientes idosos, alguns com mais de 80 anos, e até de pessoas já falecidas, para realizar empréstimos sem o conhecimento das vítimas. Para viabilizar as fraudes, os suspeitos teriam alterado informações cadastrais, atribuindo rendas elevadas às vítimas para ampliar o limite de crédito.
Segundo a Polícia Civil, o esquema também envolvia o uso indevido de leitores biométricos, nos quais um dos investigados inseria a própria digital para simular a presença dos clientes, além da alteração de cadastros para constar que as vítimas eram analfabetas, o que dispensaria a exigência de assinatura física nos contratos.
Os valores obtidos com os empréstimos eram sacados, em grande parte, em dinheiro vivo. Conforme a apuração, cerca de R$ 1,4 milhão foi retirado dessa forma, com participação direta da esposa do gerente, que chegava a utilizar disfarces, como moletom e capuz, para evitar identificação. Familiares também teriam auxiliado na logística de saque e ocultação dos valores.
Além das prisões e buscas, a Justiça determinou o bloqueio de contas bancárias e ativos financeiros dos investigados. A apuração segue em andamento, e a Polícia Civil não descarta o surgimento de novos desdobramentos a partir da análise do material apreendido.
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Os clientes
O delegado João Vitor Herédia esclareceu que os clientes não foram financeiramente prejudicados, uma vez que o banco considerou nulos os contratos fraudulentos. O esquema teria operado por pelo menos seis meses, no segundo semestre do ano passado, e foi descoberto após o próprio banco identificar movimentações financeiras atípicas e comunicar a Polícia Civil.
*Com informações GZH