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Atualizado hoje às 11:21
Brasil mantém a segunda pior nota da história em índice global sobre corrupção
O país recebeu 35 pontos, ficando na 107ª posição entre 182 países e territórios avaliados
O Brasil manteve sua pior colocação no Índice de Percepção da Corrupção (IPC) em 2025 e repetiu a segunda pior nota da série histórica. O país recebeu 35 pontos, ficando na 107ª posição entre 182 países e territórios avaliados. O índice avalia os países em uma escala que vai de 0 a 100, quanto menor a nota, pior é a percepção.
O IPC é divulgado anualmente pela ONG Transparência Internacional e mede como especialistas e executivos enxergam o nível de corrupção no setor público. Em 2024, o Brasil registrou 34 pontos. No entanto, o aumento de 1 ponto é estatisticamente insignificante e indica estagnação
Índice de Percepção da Corrupção
O IPC é o principal ranking internacional de corrupção, publicado desde 1995. O índice reúne dados de até 13 fontes independentes com a percepção de especialistas, pesquisadores, executivos e instituições que acompanham governança e integridade pública. Entretanto, não são avaliados casos concretos, nem soma investigações ou denúncias.
Conforme o levantamento, divulgado nesta terça-feira, 10 de fevereiro, os resultados mantêm o Brasil distante de níveis observados em países com o melhor desempenho, como Dinamarca (89), Finlândia (88) e Cingapura (84), que lideram o ranking. Os países com piores notas foram Somália (9), Sudão do Sul (9) e Venezuela (10).
Para o diretor executivo da Transparência Internacional - Brasil, Bruno Brandão, o país viveu um cenário contraditório no ano passado. De acordo com a sua avaliação, o Brasil chamou atenção no exterior pela atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) na responsabilização do ex-presidente Jair Bolsonaro e de aliados acusados de conspirar contra a democracia.
Retrospectiva 2025
Em paralelo ao índice, aparece o “Retrospectiva 2025”, pesquisa que faz uma análise qualitativa sobre avanços e retrocessos do país no combate à corrupção no último ano. O relatório não tem relação direta com o resultado do índice, uma vez que é feito por uma equipe brasileira com base em pesquisa e consultas com órgãos de controle.
A retrospectiva observou um agravamento da infiltração do crime organizado no Estado, principalmente em dois setores da economia formal: sistema financeiro e advocacia. No entanto, o relatório também aponta avanço no uso de inteligência financeira para atacar redes sofisticadas de lavagem de dinheiro.
Entre os casos observados pelo relatório estão operações e escândalos que aconteceram em 2025, tais como:
- Operação Overclean: que apurou desvios de emendas parlamentares, fraudes em processos licitatórios e crimes de lavagem de dinheiro (PF);
- Operação Sem Desconto: que desvendou um esquema de descontos irregulares em benefícios pagos pelo INSS (PF);
- Operação Carbono Oculto: que apontou práticas de sonegação fiscal, evasão de divisas e lavagem de dinheiro, envolvendo fintechs, fundos de investimento e o setor de combustíveis (PF);
- Operação Compliance Zero: que fundamentou as investigações do caso Master, considerado a maior fraude bancária já registrada no país.
Estratégias para agenda anticorrupção
A Transparência Internacional – Brasil avalia que existem duas janelas de oportunidade para a retomada de políticas anticorrupção. A primeira diz respeito à mobilização da sociedade civil, que impediu o avanço da chamada “PEC da Blindagem”. A segunda está relacionada à presença de perfis considerados reformistas na liderança dos cinco tribunais superiores
*Com informações do G1