Segurança
Atualizado em 05/12/2025 às 09:54
Campanha “Não maquie, denuncie” visa a prevenção da violência contra as mulheres no Rio Grande do Sul
De janeiro a outubro, 69 mulheres foram mortas e 220 foram vítimas de tentativas de feminicídio no Estado
O governador Eduardo Leite e a secretária da Mulher, Fábia Almeida Richter, lançaram nesta quarta-feira, 3 de dezembro, a campanha de prevenção à violência contra as mulheres “Não maquie, denuncie”. O ato, realizado no Palácio Piratini, reuniu entidades de atendimento à mulher, movimentos sociais e organizações da sociedade civil.
A campanha utiliza a maquiagem como metáfora para revelar que muitas violências permanecem invisíveis no cotidiano. “A maquiagem pode esconder, mas também pode revelar. Queremos que as pessoas enxerguem o que está por trás das marcas invisíveis da violência. Não é brincadeira, não é piada, não é instinto masculino, não é liberdade de expressão. Se uma mulher não está segura em casa, na rua ou no trabalho, algo no ecossistema social está falhando”, afirmou a diretora de Publicidade e Marketing da Secretaria de Comunicação, Natacha Gastal.
A secretária Fábia Richter reforçou que o objetivo é convocar toda a sociedade para o enfrentamento. “A segurança das mulheres é um termômetro da saúde de uma sociedade. Esta campanha sela o compromisso de chamar todos, os homens, as famílias, as empresas e as lideranças”, destacou.
O governador Eduardo Leite enfatizou que a iniciativa busca romper o silêncio e incentivar a denúncia. “Estamos dizendo às mulheres: vocês não estão sozinhas. E estamos dizendo aos homens: essa é uma pauta que também lhes diz respeito. Só com diálogo, denúncia e acolhimento conseguiremos impedir que vidas sejam interrompidas”, declarou. Ele ressaltou ainda a importância do respeito às diferenças e da construção coletiva de um ambiente social seguro.
Indicadores da violência no Estado
De acordo com o Observatório Estadual da Segurança Pública, entre janeiro e outubro deste ano, 69 mulheres foram vítimas de feminicídio e outras 220 sofreram tentativas de feminicídio no Rio Grande do Sul. No mesmo período, cerca de quarenta e duas mil mulheres denunciaram algum tipo de violência, incluindo ameaças, estupro e lesões corporais. A maior parte dos casos ocorre dentro da casa da vítima ou do suspeito, tendo o companheiro como principal agressor.
Os feminicídios consumados foram registrados nos seguintes municípios: Alegrete; Barão do Triunfo; Bento Gonçalves (dois casos); Camaquã; Candelária; Canela; Canoas; Capão da Canoa; Carazinho; Caxias do Sul (dois casos); Cerro Grande; Cruz Alta; Esteio (dois casos); Estrela; Fagundes Varela; Feliz; Frederico Westphalen; Garibaldi; Gravataí; Ijuí; Imbé (dois casos); Itaqui; Lajeado; Machadinho; Marau; Nova Araçá; Novo Hamburgo; Parobé (dois casos); Passo do Sobrado; Pelotas; Piratini; Porto Alegre (cinco casos); Quaraí; Rio Grande (dois casos); Riozinho; Ronda Alta (dois casos); Salto do Jacuí; Santa Cruz do Sul; Santa Maria; Santa Rosa; São Borja; São Francisco de Assis; São Francisco de Paula (dois casos); São Gabriel; São Leopoldo; São Luiz Gonzaga (dois casos); Sinimbu; Sobradinho; Teutônia; Três Coroas (dois casos); Uruguaiana; Vacaria; Viamão; Vila Maria; Xangri-lá.
Diante desse cenário, a campanha reforça a necessidade de denúncias e do acolhimento às vítimas, envolvendo familiares, amigos e instituições. Para mudança efetiva, o governo destaca que é fundamental promover o diálogo também com os homens, ampliando a responsabilidade coletiva sobre o enfrentamento à violência de gênero.