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  • Confira entrevista realizada pelo Correio do Povo com novo Secretário Estadual de Agricultura

    Covatti Filho (PP), natural de Frederico Westphalen, se reelegeu para segundo mandato na Câmara Federal

    Qual foi a recomendação que o novo governador fez ao senhor para a pasta da Agricultura?
    Eu e o governador temos uma vida política, como jovens militantes partidários, muito próxima. Nesta eleição o governador teve o apoio do nosso partido e se construiu uma relação. Nos últimos quatro anos, como deputado federal, também sempre fui muito atuante nas pautas da agricultura. Em virtude desta minha atuação e do perfil que estava procurando para a secretaria, ele fez o convite. É uma oportunidade muito interessante. Nos últimos quatro anos, não defendemos um setor específico da agricultura, mas a agricultura de forma geral e isso nos trouxe ótimas relações junto a todas as entidades. Uma das linhas que ele exigiu é usar cada vez mais as políticas públicas que tem na SDR (Secretaria de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo) e na Agricultura para fomentar cada vez mais a produção. Pediu um empenho grande em prol do produtor.

    E como se dará a incorporação da (SDR) na pasta da Agricultura?
    Hoje as secretarias têm seus departamentos, cada um com uma responsabilidade. Vamos continuar com tudo, mas dentro de uma mesma secretaria. Vamos continuar com as políticas públicas, mas com um orçamento só. Hoje a SDR tem um grande incentivo do governo federal. O orçamento, às vezes, acresce muito por conta destes convênios.

    Qual foi o objetivo da fusão das secretarias?
    A gente quer tratar da agricultura. Antigamente existia esta unificação. Nos últimos governos houve a separação. Mas é bom deixar claro que vamos manter toda a política agrícola ao pequeno, as políticas de incentivo. Em uma família de Paverama, por exemplo, a SDR foi lá e fez um projeto de gestão. Eles tinham 20 vacas de leite que produziam 250 mil litros ao ano. Agora, reduziram para 15 vacas e produzem quase o dobro. A secretaria dá incentivos e até financia. Tem uma linha de crédito para incentivar o pequeno. Tem programas dos próprios assentamentos, voltados ao pequeno, que vão continuar, vão se aperfeiçoar. E a gente quer até melhorar a infraestrutura que se tem, porque a gente vai ter todo o escopo técnico de ambas as secretarias trabalhando e focando na melhoria da rentabilidade.

    A unificação das pastas não teve então como principal propósito a geração de economia?
    Também vai gerar. Hoje temos, por exemplo, uma assessoria jurídica da Agricultura e outra da SDR. Tem diretoria administrativa nas duas e agora vai ser uma só. Vai ter uma economia de cargos, de estrutura.

    E o segmento do cooperativismo, como será tratado?
    Hoje a tem um departamento de cooperativismo na SDR. Vamos manter. Não consegui falar ainda com seu Vergílio Perius (presidente da Ocergs), que pediu para o governador a criação de uma secretaria-executiva voltada ao cooperativismo. Primeiro vou chamar todas as entidades e colher as ideias. Caso ali na frente o governador venha a entender que vai ter uma secretaria-executiva para este segmento, aí é uma decisão política minha, como secretário, e do governador. Sou fã desse setor.

    Como pretende lidar com a questão envolvendo o herbicida 2,4-D, que opôs recentemente os cultivos de soja e de uva?
    Defendo a diversificação da produção, que nós precisamos estimular. Claro que hoje falamos dessas várias cadeias que estão nessa discussão. Vamos conversar com os representantes delas para tomar essas atitudes.

    A secretaria inclusive ficou de entregar um relatório ao Ministério Público.
    O (ex) secretário Odacir (Klein) me falou que já foi entregue. Temos condições de tomar uma decisão e tentar achar uma saída diplomática. Até porque ambos os agricultores (viticultores e sojicultores) querem crescer, nada melhor do que isso. Mas temos que ter uma atenção muito especial. É difícil falar em proibição ou não proibição, ou defender uma área sem dialogar com todo mundo para tentar achar uma solução.

    O sr. é autor de projeto que visa mudar regras no setor. O que precisa mudar na legislação?
    A gente vai modernizar. Por exemplo, hoje tem o 2,4-D. Eu não sou agrônomo, mas acho que existem produtos no exterior que podem substituir o 2,4-D, só que não são regulamentados aqui no Brasil. O projeto visa não facilitar, mas encurtar o tempo, que hoje leva de oito a dez anos, para se registrar um defensivo agrícola no Brasil, para três a quatro anos. Talvez com esse projeto sendo aprovado eu poderia ter uma solução de um novo defensivo agrícola que poderia substituir (o 2,4-D).

    Após assumir a secretaria, como o senhor vai seguir acompanhando estes projetos?
    Como sou um deputado que vai se tornar licenciado, todos os meus projetos vão continuar tramitando. Não vou perder o meu vínculo (com o assunto).

    Com relação ao Mercosul, o Rio Grande do Sul vai pedir algum tratamento diferenciado por ser o Estado que mais sofre pela proximidade com outros países?
    Acho que não temos que fazer um tratamento diferenciado. Temos que tratar de revisar todos os acordos do Mercosul. Revisando estes acordos, a gente beneficia o agro do Brasil, não só do Rio Grande do Sul. Hoje a Argentina, na questão do leite, tem uma barreira, e o Uruguai não tem nenhuma. A ministra Tereza Cristina e o próprio ministro de Relações Exteriores já falaram que vão fazer uma reorganização, vão se sentar para rediscutir essa questão do agro, que também inclui o arroz, a maçã e outras culturas.

    O senhor acredita que isso vai se dar de forma unilateral ou em uma conversa com os países?
    Provavelmente vai ter que ser uma conversa. Hoje estamos discutindo um livre comércio entre Mercosul e União Europeia. Se nós conseguirmos fazer isso, para a agricultura da América Latina vai ser maravilhoso, mas em compensação não podemos deixar de cuidar do produtor brasileiro.

     

    Correio do Povo

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