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Atualizado em 23/09/2025 às 07:11
Conheça a história por trás da doação de R$ 1 milhão para a Apae de FW que viabilizou construção de novo prédio
Estrutura tem 13 salas e abriga oficinas e atendimentos para pessoas com TEA. Prédio foi batizado em homenagem à filha da doadora.
Camile Bellenzier Piaia. Assim foi batizado o novo e amplo prédio da Apae de Frederico Westphalen, que agora abriga o Centro de Atendimento em Saúde (CAS) da entidade. Nele, haverá atividades do programa TEAColhe-RS, voltado às pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) de toda a região.
Mais que uma homenagem, o nome de Camile inscrito na placa descerrada durante a solenidade de inauguração, na sexta-feira, 19 de setembro, revela também um ato generoso, sem o qual a construção do prédio seria difícil. Foi por meio de uma doação de sua mãe, Nilva Maria Bellenzier, que a obra se tornou realidade.
Segundo estimativas da própria Apae, o investimento total da estrutura deve ultrapassar R$ 1,6 milhão, já que ainda são necessárias algumas aquisições de mobiliário. Desse total, a instituição tinha assegurados apenas R$ 300 mil, decorrentes do Programa de Incentivo à Inclusão e Promoção Social (Pró-Social), no qual as empresas Bakof Tec e Tchê Turbo patrocinaram o projeto de ampliação da estrutura de atendimento em assistência social.
Uma doação para perpetuar a memória da filha
Para que a obra saísse do papel, um investimento grande ainda era necessário, e a Apae não tinha expectativas de arrecadar tais fundos. Foi então que Nilva, que é ex-diretora e ex-presidente da entidade, demonstrou interesse em contribuir. Ela decidiu doar R$ 1 milhão.
Por trás do ato da empresária, que é sócia-fundadora da Bellenzier Pneus, está uma história pessoal emocionante e uma relação de longa data com a atual diretora da Apae de FW, Jussania Basso Bordin.
– Tive uma filha deficiente, a Camile, que faleceu com 15 anos. Sei o quanto é difícil conseguir recursos quando a gente precisa melhorar o atendimento e a estrutura. A Jussania morou e trabalhou comigo na minha casa seis anos, sendo a estimuladora e babá da Camile. Sempre converso com ela. Nós conversamos e ela me falou desse projeto e me disse que precisavam de recursos, e aquilo começou a amadurecer na minha cabeça: eu tinha que fazer a minha parte – detalha Nilva.
A empresária, que hoje reside em Porto Alegre, contou que só trilhou o caminho dos negócios por conta das necessidades da filha.
– Eu virei empresária porque a minha filha precisava de atendimento e meu salário de professora não bastava. Vendi minha casa para começar o meu negócio, junto com meu irmão Nilberto. E, graças a Deus, nós prosperamos – comenta.
– É importante que a gente reconheça que temos muitas pessoas que precisam disso. Esse compartilhamento é também uma forma de agradecer a Deus por tudo que vivi com a Camile, pelo tanto que cresci com ela como pessoa e pelo quanto ela poderá ser perpetuada na vida ajudando outras pessoas – acrescenta.
Jussania também celebrou a relação com a amiga Nilva e destacou a generosidade da doadora.
– Nós temos uma relação muito antiga, um vínculo de quase 30 anos e somos quase uma família. Nilva é uma pessoa extremamente generosa. Esta obra vem da generosidade que ela teve conosco e com a instituição. E a razão pela qual ela foi tão generosa, não consigo descrever em palavras, é muito emocionante – destaca a diretora da Apae.
O novo prédio tem 13 salas, um auditório e outras estruturas de apoio. Nele, serão feitos atendimentos em fonoaudiologia, psicologia, fisioterapia, terapia ocupacional, pedagogia, psicopedagogia e educação física para pessoas com TEA de 26 municípios da região.
Até então, os 1,2 mil atendimentos feitos pelo CAS da Apae de FW eram realizados em salas adaptadas. Agora, todos serão remanejados para os novos espaços.
Nas redes sociais, a Apae também agradeceu os parceiros e diversos fornecedores da obra, mencionando o trabalho e a dedicação.
“Muitos trabalharam de forma voluntária e outros forneceram seus melhores materiais a preço abaixo dos praticados no mercado. Nossa gratidão pelo profissionalismo de cada envolvido e pela generosidade de quem se doou além de contratos e orçamentos, inclusive no dia da inauguração”, destacou a entidade, que ainda acrescentou um agradecimento: “Obrigada, Camile, Nilva e todos que participaram desse momento tão especial.”
Rifa para ajudar na mobília do prédio
A Apae está mobiliando a estrutura interna das salas e adquirindo novos brinquedos e equipamentos para serem usados durante as oficinas e atendimentos às pessoas com TEA. Para auxiliar nessa etapa, uma rifa solidária foi criada, sorteando duas joias em ouro.
Cada cartela da rifa contém cinco números e pode ser adquirida por R$ 50 junto aos integrantes da diretoria da Apae ou pelas redes sociais. O sorteio será realizado no dia 15 de outubro, às 14 horas.