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Publicado hoje às 10:43
Erechim elabora estudo para instalar canhão antigranizo
Sistema tenta impedir nuvens de gelo. Iniciativa surge quase um ano após a cidade ser atingida por um temporal de granizo
Erechim está elaborando um estudo técnico para a implementação de um sistema antigranizo. A iniciativa surge quase um ano após a cidade ser atingida por um temporal de granizo em novembro de 2025.
O equipamento é chamado de canhão antigranizo, e tem o objetivo desestabilizar e quebrar o gelo em formação. Dessa maneira, as pedras são reduzidas de tamanho antes que atinja o solo, minimizando os danos.
No mercado, o canhão atua como gerador de ondas sônicas direcionadas à atmosfera, acelerando o ciclo natural do degelo.
De acordo com a secretária de administração do município, Aline Costa, inicialmente serão adquiridos três equipamentos antigranizo, mas a quantidade exata e os locais de instalação serão estabelecidos após a conclusão do estudo. Os critérios avaliados são as entradas das chuvas e direcionamento meteorológico.
O modelo de contratação, o valor de investimento e a previsão de instalação ainda não foram definidos. A previsão é que até final de novembro o relatório técnico seja finalizado.
A Defesa Civil do Rio Grande do Sul informou que no momento não há iniciativas que envolva a aquisição de sistema antigranizo aos municípios gaúchos. O equipamento mais próximo fica em Chapecó, no oeste catarinense.
— O funcionamento se dá por explosões controladas de gás acetileno na câmara de combustão. O acetileno é injetado na câmara e misturado com oxigênio do ar, quando aplicado uma centelha, gera-se uma explosão controlada que produz a onda de choque a cada sete segundos — explicou Emerson Carneiro, engenheiro mecânico que vende o mecanismo.
O acionamento do equipamento é feito 30 minutos antes da chegada da tempestade de granizo. Esse período é necessário para que a geração de ondas seja suficiente para reduzir a pressão na nuvem e fazer com que os cristais de gelo não se aglomerem.
— O acionamento depende de decisão humana. A equipe de meteorologia homologada ou o próprio proprietário, que pode acionar remotamente ou manualmente. Não há inteligência artificial no equipamento — esclarece Carneiro.
À época, mais de 15 mil residências ficaram danificadas. Os prejuízos ultrapassaram R$ 30 milhões, considerando estragos em telhados, prédios públicos e gastos com obras e ajuda humanitária.
A eficiência do equipamento foi questionada
A duração de cada acionamento do sistema antigranizo é de 45 minutos. O alcance de proteção é de um quilômetro de diâmetro, o que representa uma área de aproximadamente 80 hectares. Conforme o engenheiro mecânico, a eficiência do equipamento é reduzida quando ultrapassa o limite de distância e quando há incidência de ventos fortes.
A eficiência do equipamento ainda é debatida entre especialistas da área. Segundo a meteorologista Marilene de Lima, meteorologista da Epagri/Ciram, que acompanha a temática, não há evidências científicas que apontem resultados ou desempenho dos sistemas antigranizo:
O investimento em um canhão antigranizo pode chegar a R$ 1,4 milhão. A quantia inclui impostos, transportes, montagem e base de concreto. A manutenção mensal tem um custo de mais de R$ 6 mil em monitoramento, gás acetileno e internet. A vida útil do sistema é de 20 anos com realização das manutenções periódicas.
*Com informações GZH