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  • Estudantes de Jaboticaba representam a 20ª CRE na Mini COP RS 2025

    Evento estadual reforça protagonismo juvenil na defesa do clima e da sustentabilidade

    Os estudantes Alef Cainã Martins Bueno e Lara Gandin, da Escola Estadual Padre Francisco Goettler, de Jaboticaba, representaram a 20ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE) na Mini COP RS 2025 – Juventudes pelo Clima. Acompanhados da professora Adriana Cargnin Silva, os alunos participaram de dois dias de imersão em temas ligados às mudanças climáticas, biomas e sustentabilidade, antecipando discussões centrais da COP 30, que será realizada em Belém (PA), em 2025.

    Durante o evento, os jovens assistiram a palestras e visitaram exposições sobre os biomas Pampa e Mata Atlântica, aprofundando o conhecimento sobre a biodiversidade e os desafios ambientais do Rio Grande do Sul.

    No primeiro dia, sete estudantes foram escolhidos como Lideranças Climáticas e participaram de debates sobre as questões ambientais das diferentes regiões e biomas do estado. Na sequência, todos os participantes foram organizados em grupos de trabalho para construir a Carta da Juventude Gaúcha pelo Clima, um documento coletivo com propostas e compromissos em defesa do meio ambiente.

    A versão final da carta foi elaborada pelas lideranças climáticas e revisada por um especialista. O ponto alto da programação foi a leitura pública do documento pelo estudante Bruno Silva, da 10ª CRE, eleito Young Champion da MINI COP RS 2025, que também realizou a entrega simbólica do manifesto à secretária adjunta da Educação do Estado, Stefanie Eskereski.

    Declaração da Juventude Gaúcha pelo Clima

    Mini COP RS – Julho de 2025

    Introdução

    A partir de diálogos entre líderes dos Polos regionais e representantes das comunidades quilombolas e indígenas, foi possível identificar desafios comuns enfrentados em seus territórios: enchentes, longos períodos de estiagem e ondas de frio extremo. Esses eventos climáticos, cada vez mais frequentes, afetam diretamente a produção agrícola, a saúde das populações, a segurança alimentar e os modos de vida tradicionais.

    1. Nossa visão sobre a emergência climática no Rio Grande do Sul

    Diante do agravamento da crise climática, a juventude e a liderança estudantil têm um papel essencial. É urgente denunciar a ausência de educação ambiental nas escolas e incentivar o engajamento em ações locais. Jovens podem contribuir com ideias inovadoras, fortalecer a comunicação entre pares e lideranças, e construir soluções sustentáveis baseadas no território.

    2. O protagonismo das juventudes

    As juventudes têm o potencial de transformar a realidade. São protagonistas na mobilização, na disseminação de informações pelas redes sociais e na criação de novas formas de participação. Ferramentas digitais permitem a articulação entre diferentes regiões e a construção de soluções coletivas, ampliando o alcance e o impacto das ações climáticas.

    3. Prioridades e propostas por eixo temático

    - Justiça Climática e Territórios

    Grupos historicamente marginalizados – indígenas, quilombolas, ribeirinhos, negros, mulheres, LGBTQIAPN+ – sofrem de forma desproporcional os impactos da crise climática.

    Esses grupos vivem em áreas de risco e devem estar no centro das políticas públicas. A justiça climática também deve considerar os impactos sobre os animais silvestres e o equilíbrio dos ecossistemas.

    - Tecnologia e Inovação Climática

    É fundamental desenvolver sistemas de alerta para eventos extremos e promover campanhas de conscientização nas redes sociais, especialmente entre os jovens. A tecnologia deve ser uma aliada da educação ambiental e da transformação social.

    - Escolas e Cidades Resilientes

    Devemos investir em infraestrutura segura, áreas verdes, sistemas de escoamento e educação para emergências. As escolas precisam estar preparadas para eventos extremos, com sinalização adequada, protocolos de evacuação e formação de estudantes e educadores.

    4. Compromissos da Juventude Gaúcha

    Assumimos o compromisso de mobilizar nossas comunidades por meio de coletivos estudantis e ações ambientais locais. Exemplo disso é o coletivo ambiental da Escola Seno Frederico Ludwig, do Polo 1, que já atua com 15 integrantes.

    5. Chamado à Ação

    - Propostas Locais

    Implantação de hortas escolares.

    Captação da água da chuva para uso nas escolas.

    Coleta seletiva e separação correta de resíduos.

    Projetos sustentáveis nas escolas.

    Educação ambiental para crianças com ações práticas.

    - Propostas Estaduais e Nacionais

    Materiais didáticos interativos sobre educação ambiental.

    Escolas e cidades adaptadas para eventos extremos.

    Preservação de mananciais e matas ciliares.

    Sistemas de alerta e prevenção de desastres.

    Fontes de energia renovável e transporte não poluente.

    Incentivo à agroecologia e proteção dos povos originários.

    Consumo consciente e economia circular.

    Conscientização sobre a indústria da moda e uso de animais silvestres.

    Investimento em ciência, tecnologia e educação.

    Conclusão

    As mudanças climáticas já impactam profundamente o Rio Grande do Sul. É urgente repensar a estrutura da sociedade com foco em prevenção e justiça climática. Precisamos mudar hábitos, proteger os biomas Pampa e Mata Atlântica, reduzir emissões e reflorestar áreas degradadas. Que as ações da juventude gaúcha sirvam, como diz o hino do nosso estado, “de modelo a toda a terra”.

    Heloise Santi - Jornalista Grupo Chiru
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