Segurança
Publicado hoje às 15:37
Estudo busca identificar sinais que antecedem casos de feminicídio no RS
Parceria entre MP e Unijuí será ampliada para incluir familiares de vítimas de feminicídio e busca identificar fatores de risco para fortalecer políticas públicas de prevenção
O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) e a Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (Unijuí) firmaram um termo de cooperação para ampliar uma pesquisa que busca compreender os fatores relacionados à violência doméstica e aos casos de feminicídio no Estado. O objetivo é reunir informações que contribuam para identificar situações de risco e subsidiar a criação de políticas públicas voltadas à prevenção da violência contra as mulheres.
O estudo, desenvolvido pela Unijuí em parceria com a Secretaria Estadual de Sistemas Penal e Socioeducativo, já entrevistou 140 homens presos por violência doméstica no sistema prisional gaúcho. A pesquisa analisa o perfil dos autores e procura compreender os aspectos culturais, sociais e comportamentais que contribuem para esse tipo de crime, com foco na prevenção da reincidência.
Com a nova parceria, a pesquisa passa a incluir também a trajetória das vítimas. Nesta etapa, serão ouvidos familiares de mulheres vítimas de feminicídio para compreender os contextos que antecederam os crimes e identificar fatores que possam indicar o agravamento da violência antes do desfecho fatal.
A iniciativa incorpora a experiência do projeto Pedros e Marias, desenvolvido pelo Ministério Público, que presta acolhimento humanizado às vítimas indiretas de feminicídio.
A pesquisa será realizada de forma regionalizada. Segundo a subprocuradora-geral de Justiça para Assuntos Institucionais, Alessandra Moura Bastian da Cunha, essa abordagem permitirá compreender as diferentes realidades do Estado e desenvolver estratégias mais eficazes para reduzir os índices de violência contra as mulheres.
A professora Joice Nielsson, do Programa de Pós-Graduação em Direito da Unijuí, destaca que o estudo pretende identificar fatores preditivos que possibilitem intervenções antes que a violência evolua para casos de feminicídio.
O trabalho também conta com a participação do Centro de Apoio Operacional de Enfrentamento à Violência contra a Mulher (CAOEVCM) e do Centro de Apoio Operacional Criminal e de Acolhimento às Vítimas do Ministério Público do Rio Grande do Sul.
*Informações Ascom/MPRS