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Atualizado hoje às 11:40
Governo brasileiro inicia monitoramento do mercado de combustíveis
Ministro Alexandre Silveira diz que atua na fiscalização de reajustes
Diante dos impactos da guerra no Oriente Médio sobre o mercado de petróleo, o governo brasileiro criou uma sala de monitoramento para acompanhar as condições do mercado nacional e internacional de combustíveis.
Nesta terça-feira, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que tem atuado para fiscalizar os reajustes considerados abusivos.
Na saída da Câmara dos Deputados, onde participou de audiência na Comissão de Minas e Energia, Silveira disse ainda que não há risco de desabastecimento de combustíveis no Brasil.
O ministro de Minas e Energia lembrou ainda que o país é exportador de petróleo bruto e importa parte dos derivados consumidos internamente. Segundo ele, o Brasil compra de outros países de 27% a 29% do diesel que consome e entre 13% e 15% da gasolina.
No cenário internacional, nesta quarta-feira, a coalizão de 32 países que forma a Agência Internacional de Energia decidiu, por unanimidade, liberar 400 milhões de barris das reservas de emergência de petróleo para tentar estabilizar o preço dos combustíveis.
Apesar do anúncio, o valor do barril de petróleo Brent operava em alta de 4% ao longo do dia, cerca de 30% acima do preço antes da guerra.
Os valores vêm disparando no mercado internacional por causa do fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, em retaliação às agressões dos Estados Unidos e de Israel contra o país persa.
A via navegável é crucial para o transporte de petróleo e gás natural produzidos no Oriente Médio.
Situação no RS
Apesar dos relatos nos diferentes setores, como o de transportes e o agronegócio, de que estão encontrando dificuldades para abastecimento, principalmente de diesel. O Sulpetro, sindicato que representa os postos de combustíveis, afirma que o cenário no Rio Grande do Sul não é de risco de desabastecimento, mas de "restrição". O presidente da entidade, João Carlos Dal'Aqua, reconhece que a demanda pelo combustível se aqueceu nos últimos dias, mas ressalta que os relatos sobre falta de diesel são pontuais.
— O que vemos que tem acontecido é que muitas TRRs, empresas que abastecem lavouras com diesel, não tinham contrato regular de abastecimento com distribuidoras e agora, como o combustível está mais caro no mercado e a demanda aumentou, essas empresas ou não estão comprando, ou estão comprando e oferecendo muito mais caro a seus clientes. A demanda aumentou, o preço aumentou, mas falta do produto, não estamos sabendo — diz o presidente do Sulpetro.
O economista-chefe da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), Antônio da Luz, salientou que o cenário é desafiador. "Encaramos esse cenário com muita preocupação, ainda mais por estarmos no período de colheita do arroz e nos aproximando do da soja. Já tivemos muitas perdas no campo nos últimos anos e não podemos ter mais essa dificuldade agora, destaca.
A Petrobras informou no domingo, 8 de março, que não houve alterações na venda do combustível por parte de suas refinarias nos últimos dias e que as entregas no Rio Grande do Sul estão ocorrendo "dentro do volume programado".
*Informações Rádio Agência