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Publicado hoje às 11:45
Instituto Butantan vai produzir remédio contra o câncer para o SUS
O medicamento pembrolizumabe, já aprovado no país, é indicado para quase 40 tipos diferentes da doença
O Brasil anunciou, nesta quinta-feira, 26 de março, uma parceria para produzir um medicamento avançado no tratamento contra o câncer a pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). A parceria é resultado de um edital lançado em 2024 pelo Ministério da Saúde e envolve o Instituto Butantan e a farmacêutica norte-americana MSD.
O medicamento pembrolizumabe, já aprovado no país, é indicado para quase 40 tipos diferentes da doença, inclusive é utilizado no SUS para tratamento de alguns pacientes com melanoma metastático. No Brasil, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (SUS) vai avaliar a inclusão no tratamento de casos de câncer de colo de útero, de esôfago, de mama triplo-negativo e pulmão.
Como funcionam as imunoterapias
O pembrolizumabe é uma terapia que estimula o sistema imunológico para identificar e combater as células cancerígenas. Além disso, é uma alternativa de tratamento menos tóxica do que a quimioterapia tradicional.
A quimioterapia tem como principal atuação a destruição de células tumorais e as imunoterapias estimulam o próprio sistema de defesa do organismo.
Concorrência
A parceria tem objetivo de promover a cooperação entre entidades privadas, públicas e científicas com o objetivo de desenvolver ou absorver tecnologias que favorecem o SUS. O edital integra uma estratégia nacional que pretende nacionalizar a produção de 70% dos insumos de saúde utilizados no SUS, em até 10 anos.
O diretor executivo de Relações Governamentais da MSD Brasil, Rodrigo cruz, explica que o processo de transferência de tecnologia do pembrolizumabe para o Butantan vai começar assim que as novas inclusões do medicamento no SUS forem aprovadas. A incorporação das etapas de produção será feita gradualmente ao longo de dez anos.
"No começo, a é que eles aprendam como se faz a rotulagem, o envase, para depois passar para formulação e aí sim chegar à etapa final que é a produção do medicamento em si. Todas as etapas estão previstas dentro do projeto. Leva até oito anos para produzir o Ifa [ingrediente farmacêutico ativo] nacional e, a partir daí, finalizar o remédio 100% nacional."
O ministro da saúde, Alexandre Padilha, destacou ainda a cadeia estrutural do sistema público de saúde brasileiro. "O SUS não é apenas o maior sistema público universal do mundo, mas também um dos maiores mercados estruturados do planeta em escala, previsibilidade, demanda e capacidade de absorção tecnológica."
O anúncio da parceria foi feito durante o evento Diálogo Internacional - Desafios e Oportunidades para a Cooperação em Tecnologias em Saúde, realizado no Rio de Janeiro.
*Com informações da Agência Brasil