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Atualizado em 17/04/2025 às 16:21
Jovens indígenas de Iraí produzem vídeo de como trabalhar o Dia dos Povos Indígenas nas escolas
O casal de irmãos gravou e editou o vídeo com orientações para professores e a comunidade em geral
O Dia dos Povos Indígenas, comemorado em 19 de abril, é uma data marcada por reflexões e atividades nas escolas de todo o país, especialmente voltadas à valorização das culturas originárias. Em Iraí, no norte do Rio Grande do Sul, um grupo de jovens indígenas está dando exemplo de protagonismo na forma de abordar o tema.
O jovem kaingang Dioni Kamrãr, de 17 anos, estudante da Escola Estadual Indígena de Ensino Médio Nan Ga, produziu um vídeo explicativo sobre como trabalhar a temática indígena de forma respeitosa e correta nas escolas.
Segundo ele, a ideia do vídeo surgiu a partir de situações cotidianas vividas por indígenas na cidade. “Mesmo Iraí sendo uma cidade que convive com povos originários há muitos anos, a maioria das pessoas ainda usa o termo ‘índio’, em pleno 2025. Aí eu quis dar um recado, falar sobre isso. Então surgiu a ideia do vídeo”, contou Dioni.
O vídeo é direcionado especialmente a professores, por seu papel central na formação de crianças e adolescentes, mas também serve como orientação para toda a comunidade não indígena. “Falei diretamente com os professores porque acredito que eles vão entender o meu vídeo e ensinar os alunos da forma correta de se referir a um indígena, por exemplo. Acredito que, se a gente aprende desde criança, é mais fácil”, ressaltou.
Na gravação, Kamrãr fala sobre a forma adequada de citar os povos originários, além de abordar cocares, pinturas corporais, danças e costumes. Ele destaca, por exemplo, que cada povo indígena desenvolve uma forma própria de pintura corporal, de acordo com o ritual ou festividade, e que essas expressões carregam significados específicos.
As imagens foram gravadas em uma área próxima ao Rio do Mel, em Iraí, e contaram com o apoio da irmã de Kamrãr, Haniela Vitorino Eufrásio, de apenas 11 anos, que atuou como cinegrafista.
O foco principal do vídeo, segundo Kamrãr, é esclarecer a importância de abandonar o uso do termo "índio", considerado genérico, ultrapassado e criado pelos primeiros colonizadores. “Quando um não indígena nos chama de ‘índio’, está usando um termo que não representa quem somos de verdade. Nós temos nomes, etnias, culturas próprias. ‘Índio’ é uma generalização que não cabe mais”, explicou.
O vídeo foi compartilhado com professores da região pela educadora Vanda Tonial Negrello, e também publicado nas redes sociais de Dioni, alcançando boa repercussão. A ação é um exemplo de como os próprios povos originários podem e devem ser protagonistas nas narrativas sobre suas culturas e direitos.