Segurança
Atualizado sábado às 10:15
Mandante de duplo homicídio em bar de Jaboticaba é condenado a mais de 43 anos de prisão
Os crimes ocorreram em maio de 2021. Um segundo envolvido, identificado como o executor dos disparos, já havia sido condenado
Um homem denunciado pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) foi condenado pelo Tribunal do Júri, na quinta-feira, 22 de janeiro, em Rodeio Bonito, pelas mortes de José Antônio Rocha Monteiro e do policial civil Fabiano Ribeiro de Menezes, conhecido como Soneca. Os crimes ocorreram em 16 de maio de 2021, em um bar no município de Jaboticaba, no Norte do Estado. A pena aplicada foi de 43 anos e nove meses de prisão.
A sessão de julgamento, presidida pelo Juiz de Direito Roberto de Souza Marques da Silva, teve início às 9 horas e encerrada por volta das 23 horas.
Rudinei Teles da Silva, conhecido como Boca, foi apontado como mandante do duplo homicídio. Ele ficou foragido após o crime, até maio de 2023, quando foi localizado em Santa Rita no Paraguaí, usando documentos falsos.
Um segundo envolvido, identificado como o executor dos disparos, já havia sido condenado em 2022, recebendo pena de 47 anos e quatro meses de prisão.
Atuaram em plenário os promotores de Justiça Jéssica Cordeiro da Rocha, da comarca, e João Francisco Ckless Filho, designado pelo Núcleo de Apoio ao Júri (NAJ) do MPRS.
Na sentença, o Juízo destacou que os crimes foram cometidos de forma premeditada e articulada, com uso de arma de fogo com numeração suprimida, além de ressaltar o impacto social causado ao pequeno município de Jaboticaba, os prejuízos materiais ao estabelecimento onde ocorreram os fatos e a presença de crianças no local.
O magistrado destacou ainda que o crime ocorreu por razões de desavenças e atritos políticos. Em relação à vítima Fabiano Ribeiro de Menezes, enfatizou que as consequências são graves, pois o ofendido era pai de dois filhos menores, um deles ainda criança, circunstância que gerou desestruturação familiar, deixando as crianças órfãs de pai.
Leia mais:
Homem que matou duas pessoas em Jaboticaba é condenado a mais de 47 anos de prisão
PC conclui inquérito sobre duplo homicídio ocorrido em Jaboticaba
Tiroteio em restaurante deixa dois mortos em Jaboticaba
Rixa política motivou o crime
De acordo com a acusação, o duplo homicídio teve origem em uma rixa política entre José Antônio Monteiro e o réu condenado nesta quinta-feira. A animosidade teria começado durante as eleições municipais de 2020, em Boa Vista das Missões, quando ambos apoiaram grupos políticos adversários.
As investigações apontam que, no dia do crime, os envolvidos passaram o dia consumindo bebidas alcoólicas e retornaram armados ao bar. O executor dos disparos era amigo do mandante e conhecido por ser atirador esportivo.
Ataque repentino e ambiente lotado
José Antônio Monteiro foi morto de forma repentina, ao ser atingido na cabeça quando tentava se levantar de sua mesa, após negar cumprimento e demonstrar incômodo com os agressores. O disparo ocorreu em um ambiente lotado, o que caracterizou o perigo comum, além do recurso que dificultou a defesa da vítima.
O Tribunal do Júri reconheceu qualificadoras como motivo torpe, recurso que dificultou a defesa e meio que resultou perigo comum.
Policial civil morreu ao tentar intervir
Logo após o primeiro homicídio, o policial civil Fabiano Ribeiro de Menezes, que atuava há 28 anos na segurança pública, tentou intervir para conter o atirador e realizar a prisão. No entanto, foi impedido pelo mandante do crime, que se colocou entre o policial e o executor, servindo como barreira e garantindo tempo para novos disparos.
Fabiano foi baleado e morreu no local. As investigações e imagens de câmeras de segurança confirmaram que o segundo homicídio foi cometido para assegurar a impunidade do crime anterior, além de ter sido praticado contra agente de segurança pública no exercício da função.
No caso do homicídio do policial, também foram reconhecidas as qualificadoras de assegurar a impunidade, perigo comum e crime contra agente de segurança pública.