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Publicado hoje às 10:09
Menor fóssil da América do Sul é descoberto por paleontólogos da UFSM
Fóssil da espécie inédita mede 9,5 mm e foi batizado com palavra regional
Um novo fóssil foi encontrado no interior do Rio Grande do Sul, no município de Novo Cabrais, na Região Central do estado. Paleontólogos da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) publicaram um estudo na Scientific Reports apresentando um pequeno crânio fóssil de uma espécie inédita.
O fóssil, que mede cerca de 9,5 mm, é o menor tetrápode (vertebrado com quatro membros) já registrado em depósitos triássicos da América do Sul. Segundo a equipe do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica (CAPPA/UFSM), o vertebrado media 5 cm, ao todo, e tinha narinas grandes e dentes pontudos.
Características da nova espécie
De acordo com os tamanhos aproximados, o animal se assemelha a um pequeno lagarto, que caminhava sobre quatro patas e tinha olhos grandes. As narinas amplas e os dentes grandes, em forma de pino, provavelmente eram usados para se alimentar de pequenos invertebrados.
Em razão de seu pequeno tamanho, é possível que o fóssil pertença a um indivíduo que ainda não havia atingido o tamanho máximo. Por isso, o animal foi batizado de Sauropia Macrorhinus. O termo “Sauro” vem do grego Saurus, que significa lagarto, e “pia” vem da palavra regional “piá”, usada no sul do Brasil para se referir a uma criança. Já o nome da espécie, macrorhinus, faz referência às narinas grandes.
A análise do grau de parentesco de indicou que Sauropia macrorhinus pertence ao grupo de pararépteis conhecido como Procolophonoidea. Esses animais são particularmente raros no registro fóssil do Triássico Médio da América do Sul, com apenas duas espécies descritas até o momento.
Em geral, os procolofonóides eram animais pequenos, com menos de 30 centímetros de comprimento, e desapareceram pouco depois do surgimento dos dinossauros. Esse grupo apresentou uma grande diversidade de hábitos alimentares.
Algumas espécies tiveram uma dieta baseada em insetos, enquanto outras eram capazes de consumir vegetação mais dura e fibrosa. Essa diversidade alimentar indica que os procolofonóides exploraram diferentes nichos ecológicos nos ecossistemas do Triássico.
Novas peças para o quebra-cabeça
A descoberta do pequeno Sauropia macrorhinus traz mais uma peça para compor o quebra-cabeça que os paleontólogos tentam reconstruir. A nova espécie pode ter feito parte da dieta de outros predadores ligeiramente maiores, como o pequeno precursor dos crocodilos, chamado de Parvosuchus aurelioi, com menos de 1 metro de comprimento.
Assim, além de representar um dos poucos fósseis de procolofonóides com 240 milhões de anos na América do Sul, Sauropia macrorhinus mostra que os ecossistemas do Triássico Médio no sul do Brasil eram mais ricos e diversos do que se imaginava, abrigando não apenas grandes herbívoros e predadores, mas também uma fauna diversa de pequenos vertebrados. Esses animais desempenhavam papéis variados nas teias alimentares terrestres, muito antes do domínio ecológico dos dinossauros.
Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da UFSM
O fóssil de Sauropia macrorhinus está depositado no Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia da Universidade Federal de Santa Maria (CAPPA/UFSM), localizado no município de São João do Polêsine, no Rio Grande do Sul. O centro integra o Geoparque Quarta Colônia UNESCO e abriga uma importante coleção de fósseis do Triássico brasileiro, além de uma exposição aberta à visitação gratuita.
O estudo foi conduzido por Rodrigo Temp Müller, Lúcio Roberto da Silva, Pedro Lucas Porcela Aurélio e Leonardo Kerber. A pesquisa recebeu apoio do CNPq e INCT Paleovert. Leia o artigo publicado aqui.
*Com informações do CAPPA/UFSM