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  • No RS, a cada três horas uma criança sofre violência sexual

    Programas de capacitação da rede de proteção e a disseminação dos canais de denúncia anônima são ações que podem ser lideradas pelos gestores municipais para combater o alto índice de casos

    A preocupação com a invisibilidade dos casos de violência sexual contra crianças e adolescentes entrou na pauta das discussões dos prefeitos gaúchos. Dentro da programação da Missão Municipalista, projeto de interiorização da Famurs, o tema é abordado pela delegada de Polícia da Divisão Especial da Criança do Adolescente, Caroline Machado. O objetivo é sensibilizar sobre a grande incidência de casos no Rio Grande do Sul, informar e apresentar ações que os municípios podem promover para proteger as crianças e adolescentes.

    Segundo o Sistema de Informações de Agravos de Notificação (SINAN), do Ministério da Saúde, o Rio Grande do Sul tem, em média, 27 casos diários de violência contra crianças e adolescentes. A violência sexual ocupa o segundo lugar no ranking estadual, com 25% das notificações. A subnotificação, entretanto, preocupa: estima-se que apenas 10% dos casos chegam ao conhecimento das autoridades.

    Dados da ONG Childhood apontam que a cada hora 5 crianças e adolescentes são estupradas no Brasil. Mas a recorrência é possivelmente muito maior, já que se estima uma subnotificação dos maus tratos no Brasil de 90%. Outra informação bastante chocante é que 57% dos casos de violência sexual contra vulneráveis acontece dentro de casa, perpetrados por pais, padrastos, mães, enfim, por pessoas que deveriam protegê-las.

    “No Brasil, infelizmente, o lar não é um lugar seguro, por isso a importância da sensibilização, de trazer o tema para o debate. Uma das coisas que temos que pensar é que a negligencia e a ignorância são os piores inimigos do combate à pedofilia e ao abuso infantil, que são os piores do nosso ordenamento jurídico”, afirmou.

    Mesmo ao pontuar sobre a dificuldade de falar sobre abuso sexual, tema considerado difícil de abordar, ressaltou a importância do envolvimento dos gestores municipais e outras lideranças para trazer luz a essa problemática.  “A gente vê no DECA, todos os dias e noites, crianças abusadas, inclusive bebês de meses de idade. Incomoda saber que isso está acontecendo na nossa sociedade, e que não é uma realidade distante”. No total, uma criança é estuprada a cada três horas no RS.

    A iniciativa, segundo o presidente da Famurs, Luciano Orsi, é envolver os municípios para sensibilizar os atores da rede de proteção e divulgar os canais de denúncia anônimos para a comunidade. “Esse trabalho que está sendo proposto não envolve grandes investimentos, apenas requer um olhar atento para esse tipo de crime. Esse engajamento dos gestores e, por meio dessa liderança, da Rede de Proteção nos municípios, visa dar voz às crianças”, defendeu. As estatísticas mostram que entre 80 e 90% dos casos são intrafamiliares. 

    Caroline Machado trabalhou no caso do menino Bernardo, que se tornou um marco legal do Estatuto da Criança e do Adolescente. O ECA completou 33 anos foi atualizado com a criação da Lei Menino Bernardo ou Lei da Palmada (2014), mais recentemente, a Lei Henry Borel (2022), dispondo que a omissão em comunicar uma suspeita às autoridades é crime. “Toda vez que ocorre uma tragédia, muda a legislação, mas isso não resolve, porque não é só a lei que precisa mudar. Por mais que machuque pensar numa sociedade que estupra as suas crianças, precisamos tirar esse assunto debaixo do tapete”. Além disso, alertou que quando os atores da rede, funcionários públicos, não sabem lidar com o caso de uma criança vítima de abuso está cometendo violência institucional. 

    Ao identificar comportamentos anormais, o recomendado é denunciar. O Disque 100, criado em 2003, é um canal importante, e que garante o sigilo. Conforme avalia,a comunicação via Sistema de Informação de Agravos de Notificação, que é o Sinan, e Conselho Tutelar, na prática são insuficientes. “Não precisa ter certeza, o dever de investigar é da polícia, por isso precisamos receber essa denúncia”, esclareceu. No mês de abril, a Polícia Civil iniciou a operação La Lumière para desvendar uma rede de mulheres que entregava os próprios filhos, todos menores de idade, para abusos sexuais em troca de dinheiro e presentes. Quatro mulheres e um homem, abusador em série, já foram presos. O crime foi descoberto através de uma denúncia anônima. 

    O caso de uma dentista que atendia uma menina de quatro anos, e a qualquer pergunta, a menina antes de responder sobre quantas vezes escovava os dentes por dia, olhava para o pai pedindo autorização para responder, chamou a atenção da delegada. “Isso não é normal. Nessa idade, as crianças no geral são tagarelas”, comentou. Ela explica que as crianças não falam porque o abusador impõe medo, mas elas demonstram com desenhos, com comportamento, indícios que tem que ser notados, primeiro lugar pela família, que em muitos casos é negligente. “90% das crianças não mentem quando falam de algum abuso, mas infelizmente, os adultos têm a ideia que as crianças estão mentindo. Quando elas vêm relatar alguma coisa, levam em conta o que a criança fala”, aconselhou. Outra dica é que os pais evitem atitudes que naturalizam comportamentos que não são adequados, como beijinhos na boca da criança. “O abusador está atento a isso, ele analisa a família da vítima”. 

    Outra preocupação é com o assédio na internet. Hoje, com o celular na mão, as crianças têm uma porta aberta virtual a um universo que pode ser agressivo e onde tem inúmeros criminosos. Se o acesso à internet não é cuidado pelos pais, as crianças ficam vulneráveis. O alerta nesses casos é para danos permanentes. “A gente vê cada vez mais crianças e adolescentes mandando nudes, e depois sendo chantageadas por abusadores, que estão do outro lado. Depois que entra para internet, na deep web, não tem mais o que fazer. A gente sempre orienta que todo o cuidado é pouco. Não pensem que seus filhos estão livres de qualquer tipo de abuso porque estão no seu quarto, se eles estão na internet”, explicou a delegada. Outro foco de investigação é a deepweb. “Um vídeo de abuso de criança pode custar entre mil e dois mil reais, se for bebê o valor pula para 50 mil. Está acontecendo um comércio assustador”, relatou.

    Fundo da Infância e Adolescência (FIA) - Trata-se de um fundo municipal importante e subutilizado. Permite captar recursos de todas as pessoas físicas que pagam imposto de renda em até 6%. Esse recurso extra pode ser investido em ações voltadas às crianças e adolescentes.

    O que os municípios podem fazer:

    Fomentar o disque 100 com os educadores e profissionais da saúde e da área social;

    Fomentar o Disque 100 na comunidade local;

    Propor capacitação para esses profissionais para que eles saibam identificar os sinais emitidos pelas crianças e adolescentes e façam as denúncias;

    Fortalecer o Conselho Tutelar, dando condições para exercerem o seu trabalho;

    Fortalecer a Rede de Proteção à Criança e Adolescentet, o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) e a comunicação para o Conselho Tutelar. 

    Brinquedotecas nas Delegacias - ajudar na criação de um espaço para que as crianças e adolescentes vítimas e testemunhas possam esperar, evitando revitimização. 

    *Com informações da Famurs

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