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  • Oito mulheres são resgatadas de exploração sexual em Planalto durante investigação de trabalho análogo à escravidão

    Advogada foi presa durante a investigação em Ijuí. Ela teria assumido compromisso de auxiliar vítimas, mas elas acabaram levadas para outro estabelecimento

    Oito mulheres foram resgatadas de uma situação de exploração sexual em um estabelecimento localizado em Planalto, durante uma ação da Polícia Civil que integra uma investigação iniciada em Ijuí. Segundo os investigadores, há indícios de que o local estaria ligado ao mesmo grupo criminoso investigado por denúncias de cárcere privado, exploração sexual e trabalho análogo à escravidão.

    A ação em Planalto ocorreu após a operação realizada em Ijuí, nos dias 20 e 21 de agosto, no âmbito da Operação Momentum Libertatis. Na ocasião, três jovens foram resgatadas de um estabelecimento investigado, sendo que uma delas estava grávida.

    De acordo com a Polícia Civil, as vítimas encontradas em Ijuí estariam submetidas a um sistema de dívidas que dificultava a saída do local e restringia a liberdade. As investigações também apontam que o estabelecimento seria controlado por uma facção criminosa.

    Após a operação em Ijuí, os investigadores identificaram indícios de que as mulheres resgatadas teriam sido encaminhadas para outro estabelecimento, localizado na região de Planalto. As diligências realizadas no município resultaram no resgate de oito mulheres.

    O caso ainda está sob investigação e corre em sigilo.

    Investigação teve novos desdobramentos

    Alé do resgate, uma advogada foi presa preventivamente na últia sexta-feira, 4, sob suspeita de envolvimento nos fatos investigados.

    Conforme a Polícia Civil, a profissional atuava na defesa de integrantes do grupo investigado e teria se comprometido perante o Ministério Público a garantir que as mulheres resgatadas fossem libertadas e retornassem em segurança para suas famílias. Segundo os investigadores, porém, o encaminhamento não teria ocorrido conforme o acordado.

    Um dos elementos considerados no pedido de prisão preventiva foi o relato de uma das vítimas. À polícia, ela afirmou ter sido ameaçada de morte durante o deslocamento realizado depois do fechamento do estabelecimento em Ijuí. Conforme o depoimento, a ameaça teria partido da advogada, que teria orientado a mulher a não procurar novamente as autoridades.

    Além da advogada, outras duas pessoas investigadas também foram presas nos últimos dias. Uma delas trabalhava no estabelecimento alvo da investigação em Ijuí e a outra é apontada pela Polícia Civil como gerente ligado ao grupo criminoso.

    Segundo os investigadores, a organização seria comandada por um homem que está preso na Penitenciária Modulada de Ijuí.

    A OAB/RS informou que tomou conhecimento da prisão da advogada e solicitou acesso aos autos do inquérito para analisar o caso e adotar as medidas institucionais cabíveis.

    A operação

    A Operação Resgate é uma iniciativa nacional conduzida pelo Ministério Público do Trabalho e demais órgãos parceiros desde 2021 com o objetivo de identificar, interromper e responsabilizar autores de situações de trabalho análogo à escravidão e de tráfico de pessoas.

    Ao longo de períodos que podem se estender por um mês ou mais, equipes realizam fiscalizações em áreas urbanas e rurais, promovem o resgate de trabalhadores submetidos a condições degradantes, jornadas exaustivas e outras graves violações de direitos. Além disso, buscam assegurar o pagamento das verbas trabalhistas devidas e o encaminhamento das vítimas para atendimento social e medidas de proteção.

    No Rio Grande do Sul, as quatro equipes, cada uma delas integrada por um procurador do trabalho, apuraram denúncias nos municípios de Alecrim, Alegrete, Coqueiro Baixo, Gramado Xavier, Ijuí, Lajeado, Manoel Viana, Palmeira das Missões, Paverama, Planalto, Putinga, Roca Sales, Roque Gonzales, Rosário do Sul, Sant'Ana do Livramento, Taquari e Três Passos. Ao todo, 15 trabalhadores foram resgatados no Estado durante as ações.

    A coordenadora no RS da Coordenadoria Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo e Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas (Conaete), Franciele D’Ambros, lembrou que o trabalho escravo é uma realidade ainda pouco reconhecida no Estado, o que aumenta a necessidade de ações firmes contra ele. "Ainda que muitas vezes as pessoas não saibam ou ignorem o fato, o trabalho escravo contemporâneo ainda é uma realidade que exige atuação firme e permanente do Estado. No Rio Grande do Sul, o trabalho articulado das instituições é fundamental não apenas para interromper situações de exploração, mas também para assegurar proteção, direitos e dignidade às vítimas. A realização de mais uma Operação Resgate reafirma esse compromisso do MPT com as demais instituições e, principalmente, com os trabalhadores."

    Nas últimas edições, a operação tem alcançado resultados expressivos, com centenas de trabalhadores resgatados em todo o país e milhões de reais recuperados em verbas trabalhistas. A iniciativa consolidou-se como uma das principais ações brasileiras de enfrentamento ao trabalho escravo contemporâneo.

    *Com infromações MPT e GZH

    Heloise Santi - Jornalista Grupo Chiru
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