Segurança
Publicado em 22/10/2025 às 08:17
Operação Mímesis desarticula quadrilha de falsos leilões com atuação em vários estados
Ação da Polícia Civil teve sete prisões e bloqueios de contas usadas em golpes virtuais que causaram prejuízos de mais de R$ 700 mil no Rio Grande do Sul
A Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou, na manhã desta terça-feira (21 de outubro), a Operação Mímesis, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa interestadual especializada em golpes de falsos leilões, fraudes eletrônicas e lavagem de dinheiro. A ação foi coordenada pela Delegacia de Repressão aos Crimes Patrimoniais Eletrônicos (DPRCPE/Dercc) e contou com a participação de cerca de 150 policiais civis em diversos estados, incluindo São Paulo, Goiás, Amazonas, Santa Catarina e Pará.
Foram cumpridos oito mandados de prisão preventiva, 30 de busca e apreensão, 12 medidas cautelares e 32 bloqueios judiciais de contas bancárias, além do sequestro de quatro veículos. Até o momento, sete pessoas foram presas, entre elas o líder do grupo criminoso, detido em São Paulo.
Durante as diligências, foram apreendidos veículos, notebooks, celulares, documentos e outros materiais que auxiliarão no aprofundamento das investigações.
Golpe dos falsos leilões
A investigação teve início após diversas ocorrências registradas por vítimas que realizaram pagamentos em sites falsos de leilões, sem nunca receber os bens arrematados. Os criminosos replicavam páginas de leiloeiros reais, utilizando logotipos, endereços e até certificados digitais para conferir credibilidade às fraudes. As páginas eram impulsionadas com anúncios pagos nas redes sociais, alcançando grande número de pessoas.
Entre janeiro e agosto de 2025, apenas no Rio Grande do Sul, foram identificadas 48 vítimas, com prejuízos superiores a R$ 700 mil.
A partir de quebras de sigilo telemático e financeiro, a Polícia Civil mapeou a estrutura da quadrilha, que utilizava uma rede de “laranjas” e empresas de fachada para movimentar e ocultar o dinheiro obtido com os golpes. Uma das investigadas, companheira do líder do grupo, movimentou R$ 2,3 milhões em apenas cinco meses, valor incompatível com a renda declarada.
Estrutura da organização
A investigação identificou três núcleos principais dentro do grupo criminoso:
Núcleo de Lavagem Empresarial: responsável por criar empresas de fachada e movimentar cerca de R$ 6,5 milhões em valores ilícitos;
Núcleo Técnico: composto por especialistas em tecnologia encarregados da infraestrutura digital dos sites falsos e do suporte às operações;
Núcleo Financeiro: envolvido na movimentação de valores, contatos com vítimas e distribuição de recursos por meio de depósitos fracionados.
Além das prisões, a Justiça determinou bloqueios de contas bancárias de até R$ 800 mil por titular, restrições de deslocamento, recolhimento domiciliar noturno e comparecimento mensal em juízo aos investigados que não tiveram prisão decretada.
Com a operação, a Polícia Civil reafirma seu compromisso de combater o crime organizado e as fraudes virtuais que vêm se multiplicando em todo o país, especialmente no ambiente digital.
*Com informações PC/RS