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Atualizado em 11/11/2025 às 09:44
Pesquisa do IBGE apresentada em Seberi revela impactos das tempestades de 2024
Além dos eventos climáticos a MUNIC apresenta um mapa da gestão pública no Brasil e no Rio Grande do Sul
A Associação dos Municípios da Zona da Produção (AMZOP), em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), realizou na segunda-feira, 10 de novembro de 2025, no auditório do Instituto Estadual de Educação Madre Tereza, em Seberi, a apresentação dos resultados da Pesquisa de Informações Básicas Municipais (MUNIC) 2024. A edição trouxe um bloco especial dedicado ao tema “Evento climático de tempestade no Rio Grande do Sul”, avaliando os impactos das ocorrências de 2024 e a capacidade de resposta das cidades atingidas.
A gerente de Estudos e Pesquisas Sociais do IBGE, Vânia Pacheco, apresentou dados que demonstram a estrutura administrativa dos municípios. Segundo o levantamento, 99,6% das cidades gaúchas possuem portal de acesso à informação e mais de 60% já utilizam o WhatsApp como ferramenta de atendimento ao público.
A pesquisa também analisou a composição dos quadros de servidores e a existência de secretarias estratégicas, como Habitação, Controle Interno, e Agropecuária, além de mapear transporte e mobilidade urbana, instrumentos de gestão migratíoria e pela primeira vez, políticas de igualdade racial.
Impactos sociais e econômicos das tempestades de 2024
O bloco temático aplicado exclusivamente ao Rio Grande do Sul revelou a dimensão dos danos causados pelos eventos climáticos extremos. Dos 497 municípios do Estado, 459 afirmaram ter sido impactados pelas tempestades, 115 disseram não possuir nenhum sistema de alerta de suas populações para situações desse tipo. Outros 12% (55) informaram que, apesar de terem algum sistema, não o utilizaram naquela ocasião.
Entre as 289 prefeituras que afirmaram contar com algum sistema de alerta de eventos climáticos, a ferramenta mais utilizada foi o envio de mensagens por aplicativos como o WhatsApp e Telegram.
No campo social, 338 municípios registraram ocorrências com a população, incluindo desabrigados, desalojados, feridos, doenças pós-inundação e óbitos. A maioria, 329 cidades, relataram pessoas desabrigadas ou desalojadas.
Em 412 municípios (96,5%), houve danos a estruturas e equipamentos públicos. Destes, 397 relataram prejuízos em estruturas viárias, como rodovias, pontes e acessos, e 205 cidades tiveram áreas completamente isoladas durante o evento e 101 tiveram industrias e/ou parques industriais afetados.
Foram relatados óbitos relacionados ao evento climático em 54 municípios. Em 29, houve pessoas desaparecidas.
Outro dado relevante indica que a maior parte das cidades enfrentou de três a seis ocorrências simultâneas, como alagamentos, enchentes, deslizamentos, desabamentos e vendavais. Embora 388 municípios informem possuir Plano de Contingência, apenas 323 conseguiram executá-lo, principalmente devido à falta de pessoal e equipamentos, outros 65 (16,7%) não o executaram durante a enchente.
Apesar das dificuldades, o tempo médio de resposta às comunidades afetadas foi considerado adequado: entre um e dois dias após o evento extremo, reforçando o papel decisivo da mobilização comunitária e da articulação municipal.
– Planejar, estruturar e visualizar esses dados permite enfrentar eventos climáticos severos com maior capacidade de resposta e com menos danos à população –, destacou Vânia Pacheco.
O prefeito de Seberi e presidente da AMZOP, Adilson Adam Balestrin, destacou que o levantamento reforça o compromisso dos municípios com a preparação e gestão de riscos. “Os dados apresentados reafirmam a importância de fortalecer a capacidade local de enfrentamento a tempestades e outras ocorrências climáticas. Estamos em um cenário em que o risco climático exige respostas rápidas, articuladas e sustentadas”, afirmou.
A divulgação dos resultados fortalece os instrumentos de gestão de risco e contingência na região, especialmente diante da tendência de intensificação de eventos climáticos extremos.
O encontro contou com a presença de autoridades estaduais, regionais e federais, entre elas: Vladimir Miranda, diretor-adjunto de Pesquisas; José Daniel Castro da Silva, coordenador-geral de Documentação e Disseminação de Informações; Higor Lopes Barcelos, pesquisador da Diretoria de Geociências; o superintendente-geral da FAMURS, Antônio Ferreira; e a presidente da Câmara de Vereadores de Seberi, Mara Lúcia de Araújo Falcão.