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  • Pesquisa mostra que sete em cada dez mulheres já sofreram assédio

    Ruas e espaços públicos apresentam maiores índices

    Sete em cada dez mulheres dizem já ter sofrido assédio moral ou sexual, principalmente em ruas e espaços públicos. Os dados são da pesquisa Viver nas Cidades: Mulheres, divulgados nesta quinta-feira, 5 de março.

    A pesquisa foi realizada pelo Instituto Cidades Sustentáveis e da Ipsos-Opec, uma empresa especializada em pesquisas sociais e de mercado. Foram entrevistadas 3,5 mil pessoas, em dezembro de 2025, nas cidades de Belém, Belo Horizonte, Fortaleza, Goiânia, Manaus, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. 

    “A insegurança é uma regra na nossa vida, não é uma exceção. Há uma proporção alta de mulheres que seguem dizendo que já sofreram assédio”, alertou Patrícia Pavanelli, diretora de Opinião Pública e Política da Ipsos-Ipec, durante o lançamento da pesquisa, no Centro de Pesquisa e Formação do Sesc SP.

    O total de mulheres que participaram da amostra é de 2.066, 71% delas disseram já ter sofrido algum tipo de assédio em pelo menos um dos seis locais pesquisados: ruas e espaços públicos, transporte público, ambiente de trabalho, ambiente doméstico, bares/casas noturnas ou transporte particular.

    Apesar da queda em relação a 2014, quando o índice ficou em 74% e das variações de acordo com as capitais, as entidades realizadoras do estudo consideram que a proporção de mulheres que sofreram assédio permanece elevada e persistente nas dez cidades.

    Assédio nas ruas

    Ruas e espaços públicos, tais como praças, parques e praias, que são os lugares onde mais acontecem assédios, segundo 54% das mulheres. Em seguida, aparece o transporte público (50%) e o ambiente de trabalho (36%).

    Bares e casas noturnas foram citados por 32%, ambiente familiar com 26% das menções e transporte particular, como táxi e/ou por aplicativo, com 19%. Entre esses espaços questionados pela pesquisa, 5% das mulheres sofreram assédio em todos.

    Punição e rede de apoio

    A pesquisa também questionou quais ações deveriam ser tomadas para o combate à violência contra a mulher. Em primeiro lugar, aparece aumentar a pena contra agressores, com 55% das menções. Em segundo, ampliar os serviços de proteção às vítimas com 48%. Por fim, agilizar o andamento da investigação das denúncias com 37%.

    Tarefas domésticas

    O levantamento apurou ainda como homens e mulheres percebem a divisão de tarefas domésticas. No total da amostra, quatro em cada dez entrevistados (39%) disseram que os afazeres de casa são responsabilidade de todos, mas as mulheres fazem a maior parte. Para parcela semelhante (37%), as atividades são divididas igualmente entre homens e mulheres.

    Os números variam pouco entre as capitais, mas a percepção muda de forma significativa quando se observa o recorte por gênero: 47% dos homens acham que as atividades domésticas são divididas igualmente, percentual que cai para 28% entre as mulheres.

    Além disso, 32% dos homens reconhecem que as mulheres fazem a maior parte das tarefas, embora a responsabilidade seja de ambos, enquanto, entre as mulheres, esse percentual sobe para 44%.

    *Com informações da Agência Brasil

    Beatriz Vieira - Jornalista Grupo Chiru
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