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Publicado em 25/07/2020 às 10:33
Planalto terá estação para monitorar deriva do 2,4-D
Equipamentos foram adquiridos com verba de acordo entre MP e fabricantes de herbicidas
A instalação das estações meteorológicas que vão monitorar a deriva do 2,4-D, no Rio Grande do Sul, iniciou nesta semana. As duas primeiras estão localizadas em Pinheiro Machado e Piratini em plantações de oliveiras. A instalação é uma parceria da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr) com o Ministério Público (MP), através da Promotoria do Meio-ambiente.
As estações fazem parte do inquérito do 2,4-D, instaurado pelo MP no ano passado. Os aparelhos vão captar os dados atmosféricos para gerar os alertas meteorológicos de deriva, das condições adequadas ou inadequadas de aplicação dos agrotóxicos hormonais.
Locais onde há previsão de instalação
No total, 20 municípios receberão o equipamento de monitoramento, um deles, Planalto. De acordo com o secretário da Seapdr, Covatti Filho, o planejamento inicial para a distribuição espacial considera as estações já instaladas.
Além de Planalto, na região, Pinheiro Machado e Piratini onde as estações que já foram instaladas a previsão é de que sejam instaladas unidades de controle também em Barracão, Cachoeira do Sul, Canguçu/Encruzilhada, Getulio Vargas, Herval, Ijuí, Ilópolis, Itaqui, Lavras do Sul, Maçambara, Porto Vera Cruz, Rosário do Sul, São Miguel das Missões, São Sepé, Sentinela do Sul/Barra do Ribeiro, Sobradinho e Venâncio Aires.

Os equipamentos
Os equipamentos foram adquiridos com verbas provenientes de acordo firmado no ano passado pelo Ministério Público com empresas fabricantes do herbicida, para garantir o controle de sua utilização.
As 20 estações meteorológicas, custaram em torno R$ 600 mil, foram entregues simbolicamente pelo MP ao governador Eduardo Leite em abril deste ano. Conforme o promotor de Justiça do Meio Ambiente Alexandre Saltz, que esteve à frente das negociações envolvendo os problemas causados pelo 2.4-D, os equipamentos estão dentro de um conjunto de medidas adotadas com o objetivo de minimizar os problemas causados pela aplicação do herbicida e aperfeiçoar a fiscalização em todos os municípios do estado.
O valor é parte de um acordo com as indústrias fabricantes do herbicida. O fundo, que totalizará cerca de R$ 6 milhões, também será utilizado para custear melhorias dos sistemas de informática da Secretaria do Meio Ambiente, interligando o monitoramento e qualificando a fiscalização e a prestação de informações aos produtores rurais. As instalações são feitas em parceria com produtores, universidades e prefeituras, que cedem os locais.
O monitoramento
Entre as principais culturas sensíveis ao 2.4-D estão a macieira, videira, oliveira, nogueira-pecã, erva-mate, tomate e hortaliças, que também foram consideradas para a implantação das estações. Conforme dados da Secretaria da Agricultura, nesta safra, das 171 amostras coletadas em 54 municípios para detecção do 2.4-D, 87,13% deram resultado positivo. No ano passado, o índice foi de 85,2%, mas em uma amostra menor, de 81 análises.
Várias instruções normativas já foram publicadas pela Secretaria da Agricultura desde o início das denúncias de deriva do 2.4-D no estado em 2019, regulamentando e instituindo processos, como o curso de aplicadores de agrotóxicos, o cadastro de aplicadores, a venda orientada do produto e a declaração de uso.