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Atualizado em 12/11/2025 às 08:11
Polícia Civil prende indiciados por assassinato de prefeito de Lajeado do Bugre
Roberto Maciel Santos foi morto a tiros dentro da prefeitura em 2022. Ordens judiciais foram cumpridas em FW, Palmeira das Missões, Lajeado do Bugre, Rosário do Sul, Canoas, Charqueadas e Porto Alegre
Policiais civis do Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico (Denarc) prenderam, na manhã desta quarta-feira, 12 de novembro, alguns dos indiciados pelo assassinato de Roberto Maciel Santos, o Beto, prefeito de Lajeado do Bugre morto dentro do gabinete em 24 de novembro de 2022. As informações são de GZH.
A operação Resposta mira na repressão ao tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, embora vários dos alvos sejam suspeitos de envolvimento no assassinato do prefeito. Os agentes cumprem 24 mandados de prisão preventiva e 36 de busca e apreensão contra suspeitos de integrar uma facção criminosa envolvida com a venda de drogas e armas no noroeste do Rio Grande do Sul.
Beto Santos, 45 anos, foi eleito em 2016 e reeleito em 2020. Ele foi alvejado em seu gabinete, por um homem mascarado, que disparou diversas vezes com uma pistola calibre 9 mm.
Imagens de câmeras de segurança mostraram o momento em que o atirador chegou à prefeitura, ainda sem máscara. Duas outras pessoas também foram baleadas. As imagens ajudaram a polícia a identificar o suspeito do crime, um jovem de 24 anos. Ele fugiu, mas foi capturado dias depois.
Sobre a investigação
A partir da localização do suposto atirador, foram investigadas e indiciadas 10 pessoas pelo crime. Algumas chegaram a ser presas preventivamente, outras ficaram foragidas. Além do atirador, foram responsabilizadas pessoas que teriam organizado o homicídio, contratado o autor dos disparos e resgatado o matador.
Todos integrariam uma facção com origem no Vale do Sinos e que domina o tráfico de drogas no norte do Estado. De acordo com a polícia, a motivação do crime seria uma divergência política da quadrilha com o prefeito.
Ele teria se recusado a favorecer a organização criminosa em contratos e estava ameaçado de morte. O inquérito sobre o homicídio foi feito pela delegada Aline Dequi Palma, da regional da Polícia Civil em Palmeira das Missões.
As ordens judiciais foram cumpridas por 185 policiais civis, nos municípios de Frederico Westphalen, Palmeira das Missões, Lajeado do Bugre, Rosário do Sul, Canoas, Charqueadas e Porto Alegre, sobretudo em áreas rurais.
Oito toneladas de maconha e R$ 25 milhões movimentados
Conforme a delegada responsável pela operação, Ana Flávia Leite, a análise de dados telemáticos e financeiros da quadrilha permitiu identificar três núcleos estruturados e interligados:
- Logístico: responsável por receber, armazenar e distribuir entorpecentes.
- Financeiro: voltado para a movimentação e ocultação de valores ilegais mediante fracionamento, contas de passagem e uso de "laranjas" e empresas de fachada.
- Prisional: orientações estratégicas, mesmo com os líderes encarcerados, eram repassadas aos demais integrantes.
De acordo com a polícia, os criminosos usavam troca frequente de telefones, segmentação de comunicações e alteração de rotas, demonstrando planejamento e profissionalização do grupo.
Suposto mandante do caso é apenado de penitenciária federal
Segundo informações dos repórteres Humberto Trezzi e Ronaldo Bernardi, de GZH, um dos mandados de prisão preventiva é para um homem que está preso em penitenciária federal de segurança máxima. Ele responde por homicídios, tráfico e organização criminosa. Está indiciado também como mentor do assassinato do prefeito e tem vários familiares funcionários da prefeitura de Lajeado do Bugre. Outra presa é uma mulher de Lajeado do Bugre, indiciada por tentativa de homicídio contra policiais civis.
Ela teve a prisão preventiva decretada por reagir a uma tentativa de prisão disparando contra agentes do Denarc, em 2024. É investigada por suspeita de distribuir 20 quilos de crack na região de Lajeado do Bugre, droga adquirida em consórcio por várias quadrilhas ligadas à facção do Vale do Sinos. Em junho do ano passado, os policiais civis prenderam 93 pessoas que teriam fracionado 1,8 tonelada de maconha e centenas de quilos de crack e cocaína para revenda no Interior. Foi a Operação Leviatã.
Conforme indicam dados interceptados, a facção teria movimentado em dois meses oito toneladas de maconha, 200 quilos de cocaína e aproximadamente 400 quilos de crack, destinadas à distribuição em diversas regiões do Estado. O valor das operações seria de cerca de R$ 25 milhões. Alguns dos investigados foram presos agora, nas regiões de Cruz Alta e Palmeira das Missões, além de municípios vizinhos.
Atentado em 2017
Uma terceira pessoa presa na ação desta quarta-feira é outra mulher, considerada braço financeiro da quadrilha do norte do RS. Ela também está indiciada por planejar o assassinato de uma juíza em Marau. A magistrada sofreu um atentado a tiros em 12 de dezembro de 2017, no fórum do município.
Três homens dispararam vários tiros para tentar resgatar um preso que era ouvido em uma audiência judicial. Policiais civis que estavam no prédio reagiram, perseguiram e prenderam os atiradores. A mulher presa hoje foi indiciada como mandante da emboscada, que visava libertar o namorado dela, o preso que estava prestando depoimento na ocasião.
*Informações de GZH