Geral
Atualizado em 28/08/2025 às 12:37
Polícia Federal deflagra operação na Reserva Indígena Nonoai e faz apreensões
Cerca de 180 policiais federais e militares participaram da ação, que aconteceu na manhã desta quinta-feira para reprimir os conflitos nas aldeias
A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira, 28 de agosto, uma operação na Reserva Indígena Nonoai, para reprimir conflitos registrados nas aldeias e investigar crimes ocorridos nas aldeias desde o começo deste ano. A operação foi batizada a Operação Po'i Mag (Grande Líder).
Cerca de 100 policiais federais e 80 militares participam da ação, que tem a participação do 3º Batalhão de Choque e do CRPO Norte da Brigada Militar. Foram cumpridos 22 mandados de busca e apreensão, expedidos pela 3ª Vara Federal de Passo Fundo, na Aldeia Sede (14) e na Aldeia Bananeiras (8), ambas integrantes da Terra Indígena Nonoai.
No balanço da operação, a PF divulgou que foram apreendidos quatro simulacros de arma de fogo, duas pistolas, dois revólveres, duas espingardas, cinco carregadores de arma de fogo, aproximadamente duzentas munições de calibres diversos e aproximadamente 20 aparelhos eletrônicos (celulares, notebooks e similares)
Sobre a investigação
O inquérito policial decorre do intenso conflito armado entre dois grupos indígenas rivais, os quais disputam a liderança da Reserva, que possui aproximadamente 16 mil hectares de extensão territorial e é formada por três Aldeias: a Aldeia da Sede, que fica em Nonoai; a Aldeia Bananeiras, localizada em Gramado dos Loureiros; e a Aldeia Pinhalzinho, situada em Planalto.
Conforme a PF, todas as aldeias eram governadas pelo mesmo cacique. Em março deste ano, um grupo de indígenas dissidentes declarou a “independência” do cacicado da Aldeia Sede, formando uma nova liderança, o que motivou o início dos conflitos.
As ações violentas culminaram em quatro tentativas de homicídio e incêndios criminosos que afetaram 25 residências da Aldeia Sede, oportunidade em que diversos indígenas foram expulsos do local.
Posteriormente, no mês de maio, ocorreu novo conflito de grandes proporções que resultou em um homicídio consumado e outras duas tentativas de homicídio, além de diversos crimes de dano e disparo de arma de fogo, dentre outros.
As investigações indicam ainda que os grupos beligerantes podem ter recebido apoio de facções criminosas locais, tanto no que concerne ao fornecimento de armas de fogo quanto na contratação de milicianos para atuarem no conflito, circunstâncias ainda em apuração.
Conforme a PF, "as medidas judiciais têm por objetivo fazer cessar a violência, trazendo tranquilidade e paz para a comunidade indígena e para os moradores dos municípios que integram a Terra Indígena, bem como coletar informações e provas que auxiliem na identificação de todos os envolvidos no conflito e nos crimes perpetrados".
Os crimes investigados no inquérito policial são de homicídio qualificado (consumado e tentados), constituição de milícia privada, lesões corporais, ameaças, vias de fato, incêndios criminosos, porte ilegal de arma de fogo de calibre restrito, dentre outros.