Segurança
Publicado hoje às 09:22
Presídio de Sarandi passa a contar com fábrica de calçados que emprega apenados
Atividade remunera, reduz pena e oportuniza experiência profissional aos participantes
O governo do Estado, por meio da Secretaria de Sistemas Penal e Socioeducativo (SSPS) e da Polícia Penal, realizou, nesta sexta-feira, 13 de março, a inauguração de uma fábrica do setor calçadista no Presídio Estadual de Sarandi.
O projeto foi idealizado em cooperação da SSPS com a empresa Beira Rio e o atelier de costura Maeve. O espaço tem capacidade para até 50 pessoas privadas de liberdade do regime fechado trabalharem — oito já estão atuando —, ampliando as oportunidades de qualificação profissional e de atividade laboral no sistema prisional.
– Esse trabalho que estão fazendo aqui é um fortalecimento, porque vai ajudá-los quando saírem. Nós já criamos 2.170 vagas de trabalho, porque acreditamos na ressocialização por meio do trabalho. Sempre digo que todo recomeço merece uma oportunidade e o Estado está dando essa oportunidade–, relatou o titular da SSPS, Jorge Pozzobom.
A fábrica está localizada em um anexo da unidade prisional. Para a diretora do Departamento Técnico e de Tratamento Penal, Rita Leonardi, projetos como este representam um avanço na construção de alternativas concretas para a reintegração social dos apenados. “Quando a Polícia Penal oportuniza trabalho dentro das unidades prisionais, ela está oferecendo dignidade, qualificação profissional e novas perspectivas de futuro. Parcerias como esta demonstram que, com o envolvimento do poder público e da iniciativa privada, é possível criar caminhos reais para a ressocialização e para a redução da reincidência”, descreveu.
Na linha de produção
A Beira Rio começou a utilizar a mão de obra prisional há três anos. Desde então, já montou nove linhas de produção, contando com a inaugurada nesta sexta-feira, em Sarandi. “Vivemos um colapso de mão de obra e com a ajuda da Polícia Penal quebramos um paradigma e estamos mostrando que o trabalho prisional é uma solução. Além disso, ajuda os apenados com renda, com ocupação da mente e com qualificação. É um projeto enriquecedor em muitos aspectos, o qual orgulha muito a Beira Rio. Nos próximos dias, vamos chegar a 600 apenados atuando nas nossas linhas de produção”, declarou o gerente industrial da empresa, Sandro da Silva.
Os apenados trabalhadores recebem os benefícios previstos em lei — como remuneração de até 75% do salário-mínimo e remição de pena. Toda a produção será destinada à indústria calçadista, contribuindo para atender à demanda do setor e consolidando a iniciativa como mais uma ação voltada à qualificação profissional e à reintegração social.
Espaço reformulado
A reforma do espaço onde a fábrica está instalada foi concluída em aproximadamente 90 dias e contou com investimento aproximado de R$ 100 mil, provenientes de recursos das Comarcas de Sarandi e de Constantina, da prefeitura de Sarandi, de verbas mensais da Delegacia Regional da Polícia Penal, além de ter recebido materiais fornecidos pela Beira Rio.
A área de cerca de 100 metros quadrados recebeu adequações estruturais, incluindo a conexão entre a ala da fábrica e o restante do estabelecimento prisional, o que permite maior segurança na movimentação dos custodiados. No local também foram instalados máquinas de costura, equipamentos de corte e viragem, esteira de produção e demais dispositivos utilizados na indústria calçadista.
O novo ambiente foi estruturado para oferecer melhores condições de trabalho às pessoas privadas de liberdade, contribuindo para a promoção da dignidade no cumprimento da pena, para o fortalecimento das políticas de ressocialização e para a reinserção social dos apenados.
*Informações Governo RS