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  • Produção de leite e criação de suínos agora também podem ser atividades turísticas certificadas no RS

    Atividades fazem parte de lista de 33 ramos da agricultura familiar que passaram a constar também como serviços turísticos no CNAE, detalhou o secretário de Turismo do RS, Ronaldo Santini, ao Grupo Chiru.

    Produtores e agricultores familiares do Rio Grande do Sul de 33 atividades rurais agora podem solicitar certificação para atuar também no turismo em suas propriedades. A informação foi detalhada pelo Secretário de Turismo do Rio Grande do Sul, Ronaldo Santini, em entrevista ao programa Em Pauta, do Grupo Chiru, na manhã de sexta-feira, 9 de janeiro. 

    A medida, validada pelo Ministério do Turismo, autoriza oficialmente os agricultores dessa lista (confira na íntegra abaixo) a desenvolverem turismo rural como atividade complementar, sem prejuízo a benefícios previdenciários, financiamentos agrícolas ou enquadramento no Pronaf. A certificação se dá pelo enquadramento em novos códigos no Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE).

    Segundo o secretário estadual do Turismo, Ronaldo Santini, a mudança representa um avanço histórico para o setor e uma nova fonte de renda para o meio rural. “Hoje o produtor pode receber turistas na sua propriedade, comercializar seus produtos e oferecer experiências sem comprometer tudo aquilo que ele construiu ao longo do tempo. Isso muda completamente a lógica econômica do campo”, afirmou.

    A certificação permite que o agricultor se cadastre no Cadastur, utilizando o CPF, e passe a participar de ações de promoção do turismo, inclusive em feiras nacionais e internacionais, além de acessar linhas de crédito específicas como o Fungetur e o Prodetur.

    Turismo como estratégia econômica para o Rio Grande do Sul

    A iniciativa integra um movimento mais amplo de fortalecimento do turismo como atividade econômica no Estado. Santini comentou, por exemplo, o fato de o Rio Grande do Sul ter alcançado a terceira posição nacional em recebimento de turistas estrangeiros, com dados consolidados até novembro de 2025.

    De acordo com Santini, o resultado é fruto de investimentos em promoção, qualificação e diversificação da oferta turística. “O turismo tem um enorme potencial de crescimento e geração de emprego e renda nas quatro estações. Trabalhamos para mostrar que o Rio Grande do Sul vai muito além dos destinos tradicionais”, destacou.

    Nos últimos anos, mais de 9 mil agentes, operadores e guias de turismo foram capacitados para divulgar o Estado no Brasil e no exterior, apresentando a diversidade cultural, gastronômica e natural presente nos 497 municípios gaúchos.

    Valorização do turismo interno e regional

    Além do público internacional, o secretário ressaltou a importância do turismo interno, especialmente do próprio gaúcho. “O turismo interno é fundamental, porque movimenta a economia local, fortalece eventos, feiras e mantém a circulação de recursos dentro dos municípios”, explicou.

    Exemplos como o enoturismo, antes concentrado na Serra Gaúcha, hoje se expandem para regiões como o Médio Alto Uruguai, Águas e Pedras e Campanha, com produção de vinhos, azeites de oliva premiados internacionalmente e agroindústrias familiares que transformam tradição em experiência turística.

    Argentinos permanecem mais tempo no Estado

    Os argentinos seguem como o principal público estrangeiro no Rio Grande do Sul. Para aumentar o tempo de permanência desses visitantes, o governo estadual investiu em ações de mercado, novas rotas turísticas e qualificação do receptivo. “Identificamos que muitas vezes o turista passava pelo Estado sem conhecer o que temos a oferecer. Agora, mostramos que a viagem começa na fronteira”, disse Santini.

    Municípios como Pantano Grande já registram aumento na média de permanência, passando de uma para até três noites, o que impacta diretamente na economia local.

    Turismo no Alto Uruguai e divisa com Santa Catarina ganha protagonismo

    Santini também destacou o potencial da região Norte do Estado e da divisa com Santa Catarina, com investimentos em turismo de natureza, balneários, rios e hospedagens rurais. “Está faltando apenas a tomada de decisão. As regiões têm identidade, produtos exclusivos e acesso facilitado”, avaliou.

    Cidades como Iraí, Ametista do Sul, Derrubadas e Palmitinho foram citadas como exemplos de destinos que podem se consolidar ainda mais no cenário turístico estadual.

    Missões recebem investimentos para ampliar permanência de visitantes

    Outro destaque é a região das Missões, que neste ano celebra 400 anos do início dos trabalhos entre jesuítas e indígenas. Santini revela que a região receberá investimentos superiores a R$ 80 milhões em infraestrutura, qualificação e promoção turística. Entre as ações estão espaços de recepção, projeções mapeadas, roteiros integrados e melhorias logísticas, como a concessão do aeroporto de Santo Ângelo.

    “As Missões têm um dos maiores potenciais de turismo internacional do Estado. O objetivo agora é garantir que o visitante fique mais tempo e tenha uma experiência completa”, afirmou o secretário.

    Lista de CNAEs autorizados para o turismo rural

    A certificação mencionada por Santini reconhece juridicamente atividades rurais que, quando integradas à recepção de visitantes, degustações, oficinas e vivências culturais, passam a ter caráter turístico.

    A vinculação dessas atividades ao turismo ocorre quando há oferta de experiências turísticas, como colheita, degustações, oficinas, festivais e vivências no meio rural

    As atividades e os respectivos CNAEs autorizados são:

    Cultivo de morango – 121102

    Cultivo de uva – 132600

    Cultivo de maçã – 133407

    Cultivo de cítricos (exceto laranja) – 133404

    Cultivo de pêssego – 133411

    Cultivo de flores e plantas ornamentais – 122900

    Apicultura – 159801

    Criação de bovinos para leite – 151202

    Produção de ovos – 155505

    Criação de ovinos (inclusive lã) – 153902

    Criação de suínos – 154700

    Atividades de apoio à agricultura não especificadas anteriormente – 161099

    Cultivo de café – 134200

    Cultivo de banana – 133402

    Cultivo de erva-mate – 139302

    Criação de peixes em água doce – 322101

    Fabricação de conservas de frutas – 1031700

    Fabricação de conservas de legumes e vegetais, exceto palmito – 1032599

    Fabricação de sucos concentrados de frutas, hortaliças e legumes – 1033301

    Fabricação de sucos de frutas, hortaliças e legumes (exceto concentrados) – 1033302

    Fabricação de biscoitos e bolachas – 1092900

    Fabricação de especiarias, molhos e condimentos – 1095300

    Fabricação de produtos para infusão (chá, mate, etc.) – 1099605

    Fabricação de frutas cristalizadas, balas e semelhantes – 1093702

    Fabricação de produtos derivados do cacau e chocolates – 1093701

    Fabricação de laticínios – 1052000

    Fabricação de vinho – 1112700

    Fabricação de outras aguardentes e destilados – 1111902

    Extração de minério de metais preciosos – 724301

    Comércio varejista de hortifrutigranjeiros – 4724500

    Comércio varejista de laticínios e frios – 4721103


    *Elaborado com apoio de ferramentas de IA

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    João Victor Cassol - Jornalista Grupo Chiru
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