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Atualizado em 10/01/2026 às 10:24
Produção de leite e criação de suínos agora também podem ser atividades turísticas certificadas no RS
Atividades fazem parte de lista de 33 ramos da agricultura familiar que passaram a constar também como serviços turísticos no CNAE, detalhou o secretário de Turismo do RS, Ronaldo Santini, ao Grupo Chiru.
Produtores e agricultores familiares do Rio Grande do Sul de 33 atividades rurais agora podem solicitar certificação para atuar também no turismo em suas propriedades. A informação foi detalhada pelo Secretário de Turismo do Rio Grande do Sul, Ronaldo Santini, em entrevista ao programa Em Pauta, do Grupo Chiru, na manhã de sexta-feira, 9 de janeiro.
A medida, validada pelo Ministério do Turismo, autoriza oficialmente os agricultores dessa lista (confira na íntegra abaixo) a desenvolverem turismo rural como atividade complementar, sem prejuízo a benefícios previdenciários, financiamentos agrícolas ou enquadramento no Pronaf. A certificação se dá pelo enquadramento em novos códigos no Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE).
Segundo o secretário estadual do Turismo, Ronaldo Santini, a mudança representa um avanço histórico para o setor e uma nova fonte de renda para o meio rural. “Hoje o produtor pode receber turistas na sua propriedade, comercializar seus produtos e oferecer experiências sem comprometer tudo aquilo que ele construiu ao longo do tempo. Isso muda completamente a lógica econômica do campo”, afirmou.
A certificação permite que o agricultor se cadastre no Cadastur, utilizando o CPF, e passe a participar de ações de promoção do turismo, inclusive em feiras nacionais e internacionais, além de acessar linhas de crédito específicas como o Fungetur e o Prodetur.
Turismo como estratégia econômica para o Rio Grande do Sul
A iniciativa integra um movimento mais amplo de fortalecimento do turismo como atividade econômica no Estado. Santini comentou, por exemplo, o fato de o Rio Grande do Sul ter alcançado a terceira posição nacional em recebimento de turistas estrangeiros, com dados consolidados até novembro de 2025.
De acordo com Santini, o resultado é fruto de investimentos em promoção, qualificação e diversificação da oferta turística. “O turismo tem um enorme potencial de crescimento e geração de emprego e renda nas quatro estações. Trabalhamos para mostrar que o Rio Grande do Sul vai muito além dos destinos tradicionais”, destacou.
Nos últimos anos, mais de 9 mil agentes, operadores e guias de turismo foram capacitados para divulgar o Estado no Brasil e no exterior, apresentando a diversidade cultural, gastronômica e natural presente nos 497 municípios gaúchos.
Valorização do turismo interno e regional
Além do público internacional, o secretário ressaltou a importância do turismo interno, especialmente do próprio gaúcho. “O turismo interno é fundamental, porque movimenta a economia local, fortalece eventos, feiras e mantém a circulação de recursos dentro dos municípios”, explicou.
Exemplos como o enoturismo, antes concentrado na Serra Gaúcha, hoje se expandem para regiões como o Médio Alto Uruguai, Águas e Pedras e Campanha, com produção de vinhos, azeites de oliva premiados internacionalmente e agroindústrias familiares que transformam tradição em experiência turística.
Argentinos permanecem mais tempo no Estado
Os argentinos seguem como o principal público estrangeiro no Rio Grande do Sul. Para aumentar o tempo de permanência desses visitantes, o governo estadual investiu em ações de mercado, novas rotas turísticas e qualificação do receptivo. “Identificamos que muitas vezes o turista passava pelo Estado sem conhecer o que temos a oferecer. Agora, mostramos que a viagem começa na fronteira”, disse Santini.
Municípios como Pantano Grande já registram aumento na média de permanência, passando de uma para até três noites, o que impacta diretamente na economia local.
Turismo no Alto Uruguai e divisa com Santa Catarina ganha protagonismo
Santini também destacou o potencial da região Norte do Estado e da divisa com Santa Catarina, com investimentos em turismo de natureza, balneários, rios e hospedagens rurais. “Está faltando apenas a tomada de decisão. As regiões têm identidade, produtos exclusivos e acesso facilitado”, avaliou.
Cidades como Iraí, Ametista do Sul, Derrubadas e Palmitinho foram citadas como exemplos de destinos que podem se consolidar ainda mais no cenário turístico estadual.
Missões recebem investimentos para ampliar permanência de visitantes
Outro destaque é a região das Missões, que neste ano celebra 400 anos do início dos trabalhos entre jesuítas e indígenas. Santini revela que a região receberá investimentos superiores a R$ 80 milhões em infraestrutura, qualificação e promoção turística. Entre as ações estão espaços de recepção, projeções mapeadas, roteiros integrados e melhorias logísticas, como a concessão do aeroporto de Santo Ângelo.
“As Missões têm um dos maiores potenciais de turismo internacional do Estado. O objetivo agora é garantir que o visitante fique mais tempo e tenha uma experiência completa”, afirmou o secretário.
Lista de CNAEs autorizados para o turismo rural
A certificação mencionada por Santini reconhece juridicamente atividades rurais que, quando integradas à recepção de visitantes, degustações, oficinas e vivências culturais, passam a ter caráter turístico.
A vinculação dessas atividades ao turismo ocorre quando há oferta de experiências turísticas, como colheita, degustações, oficinas, festivais e vivências no meio rural
As atividades e os respectivos CNAEs autorizados são:
Cultivo de morango – 121102
Cultivo de uva – 132600
Cultivo de maçã – 133407
Cultivo de cítricos (exceto laranja) – 133404
Cultivo de pêssego – 133411
Cultivo de flores e plantas ornamentais – 122900
Apicultura – 159801
Criação de bovinos para leite – 151202
Produção de ovos – 155505
Criação de ovinos (inclusive lã) – 153902
Criação de suínos – 154700
Atividades de apoio à agricultura não especificadas anteriormente – 161099
Cultivo de café – 134200
Cultivo de banana – 133402
Cultivo de erva-mate – 139302
Criação de peixes em água doce – 322101
Fabricação de conservas de frutas – 1031700
Fabricação de conservas de legumes e vegetais, exceto palmito – 1032599
Fabricação de sucos concentrados de frutas, hortaliças e legumes – 1033301
Fabricação de sucos de frutas, hortaliças e legumes (exceto concentrados) – 1033302
Fabricação de biscoitos e bolachas – 1092900
Fabricação de especiarias, molhos e condimentos – 1095300
Fabricação de produtos para infusão (chá, mate, etc.) – 1099605
Fabricação de frutas cristalizadas, balas e semelhantes – 1093702
Fabricação de produtos derivados do cacau e chocolates – 1093701
Fabricação de laticínios – 1052000
Fabricação de vinho – 1112700
Fabricação de outras aguardentes e destilados – 1111902
Extração de minério de metais preciosos – 724301
Comércio varejista de hortifrutigranjeiros – 4724500
Comércio varejista de laticínios e frios – 4721103
*Elaborado com apoio de ferramentas de IA
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