Agro
Publicado hoje às 17:13
Professores da UFSM de Frederico Westphalen e Palmeira das Missões recebem prêmio O Futuro da Terra
Antônio Luis Santi e Ricardo Zambarda Vaz foram reconhecidos na categoria Cadeias de Produção e Alternativas Agrícolas durante a Expointer 2026
Dois professores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) com atuação na região foram reconhecidos, nesta segunda-feira, 31 de agosto, com o Prêmio O Futuro da Terra 2026, durante a 49ª Expointer, em Esteio. Antônio Luis Santi, da UFSM Campus Frederico Westphalen, e Ricardo Zambarda Vaz, do Campus de Palmeira das Missões, receberam a distinção na categoria Cadeias de Produção e Alternativas Agrícolas.
Promovido pelo Jornal do Comércio em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs), o prêmio chega aos 30 anos reconhecendo pesquisadores, empreendedores, instituições e iniciativas que contribuem para o desenvolvimento do agronegócio gaúcho, conciliando inovação, produtividade e sustentabilidade.
Santi é reconhecido pela trajetória na agricultura de precisão
Professor titular da UFSM em Frederico Westphalen, Antônio Luis Santi recebeu o reconhecimento por mais de duas décadas dedicadas à pesquisa, extensão e formação de profissionais, especialmente nas áreas de agricultura de precisão, manejo e conservação do solo, plantio direto e sustentabilidade.
Natural da região de Palmeira das Missões e filho de pequeno produtor, Santi iniciou ainda durante a graduação sua trajetória na pesquisa. O contato com a agricultura de precisão ocorreu durante o doutorado, em um período em que a tecnologia começava a ser introduzida no Brasil e o Rio Grande do Sul dava os primeiros passos nos estudos sobre o tema.
Ao longo da carreira, tornou-se um dos pioneiros na pesquisa e disseminação da agricultura de precisão no Estado. Segundo dados apresentados pelo pesquisador ao Jornal do Comércio, em 2003 havia menos de 400 hectares no Rio Grande do Sul sendo estudados sob essa perspectiva. Em 2025, a estimativa era de que mais de três milhões de hectares já fossem manejados com o uso dessas tecnologias.
A atuação de Santi também busca ampliar o acesso às ferramentas de agricultura de precisão para pequenos e médios produtores e para a agricultura familiar. O trabalho considera as particularidades de cada propriedade e busca utilizar tecnologias para reduzir custos, melhorar a eficiência e diminuir impactos ambientais.
Outro eixo que ganhou espaço nas pesquisas é a saúde do solo e a resiliência diante das mudanças climáticas, com atenção ao planejamento conservacionista e ao sequestro de carbono.
Santi também destaca a necessidade de ampliar a conectividade no meio rural e a formação de profissionais preparados para trabalhar com agricultura digital, inteligência artificial e novas tecnologias.
Professor da UFSM desde 2009, Santi coordena o Laboratório de Agricultura de Precisão do Sul (LAPSUL), atua na graduação e na pós-graduação e é pesquisador nas áreas de agricultura de precisão e digital, com ênfase no manejo georreferenciado de culturas, saúde do solo e sustentabilidade.
Vaz aproxima ciência e produção pecuária
Também reconhecido na categoria Cadeias de Produção e Alternativas Agrícolas, Ricardo Zambarda Vaz, professor da UFSM Campus Palmeira das Missões, tem uma trajetória de décadas dedicada à pesquisa em Zootecnia e produção de ruminantes.
Ao longo de 36 anos de atuação, desenvolveu pesquisas voltadas à produtividade, eficiência, sustentabilidade, qualidade dos produtos e bem-estar animal, buscando aproximar o conhecimento produzido na universidade da realidade das propriedades rurais.
Entre os temas estudados estão genética, nutrição, sanidade e manejo, além da eficiência bioeconômica dos sistemas de produção. Vaz também defende a integração lavoura-pecuária como estratégia para melhorar o aproveitamento da terra, diluir custos, reduzir riscos e gerar benefícios ambientais.
O bem-estar animal é outro eixo importante de sua pesquisa, considerando não apenas os aspectos éticos, mas também os impactos sobre produtividade, qualidade da carne, custos e acesso a mercados.
Vaz é autor ou coautor de 175 artigos científicos, 23 capítulos de livros e 264 publicações em anais de congressos. Também possui atuação na formação acadêmica e destaca como uma de suas principais produções o livro Gado de Cria – a base da pecuária de corte, lançado em 2024.
Para o pesquisador, embora o prêmio seja individual, a conquista representa um trabalho coletivo desenvolvido ao longo da carreira. Ele dividiu a distinção com colegas e grupos de pesquisa que participaram de sua trajetória.
Reconhecimento regional
A premiação dos dois professores coloca a UFSM e os campi de Frederico Westphalen e Palmeira das Missões em destaque entre as instituições reconhecidas pelo Prêmio O Futuro da Terra.
Em 2026, a premiação também reconheceu pesquisadores da UFSM, UFPel, Furg, Ufrgs e Embrapa, além de representantes de startups e órgãos ligados ao setor agropecuário.
Prêmio Especial: Eliana Badiale Furlong – Universidade Federal do Rio Grande (Furg)
Cadeias de Produção e Alternativas Agrícolas: Antônio Luis Santi – Universidade Federal de Santa Maria-Frederico Westphalen (UFSM–FW)
Cadeias de Produção e Alternativas Agrícolas: Luciano Carlos da Maia – Universidade Federal de Pelotas (UFPel)
Cadeias de Produção e Alternativas Agrícolas: Ricardo Zambarda Vaz (UFSM)
Inovação e Tecnologia Rural: Tatiana Emanuelli (UFSM)
Inovação e Tecnologia Rural: Michele Greque de Morais-Costa (Furg)
Inovação e Tecnologia Rural: Aldo Merotto Júnior – Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs)
Preservação Ambiental: Clódis de Oliveira Andrades Filho (Ufrgs)
Preservação Ambiental: Renato Zanella (UFSM)
Preservação Ambiental: Luciano Kayser Vargas - Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do Rio Grande do Sul (Seapi)
Preservação Ambiental: Marcelo Meller Alievi (Ufrgs)
Startup do Agronegócio: Semiocrop Agrobiotecnologia (Representante Jeferson Steffanello Piccin)
Startup do Agronegócio: Entomos Biotecnologia Ltda. (Representante Daniela da Costa e Silva)
Reconhecimento 30 anos do Prêmio: José Eloir Denardin (Embrapa Trigo)
*Com informações JC