Segurança
Atualizado em 25/06/2025 às 15:39
Protesto da família e inquirição de testemunhas marcam início do júri da contadora Sandra
Julgamento dos dois acusados pelo crime ocorre no Fórum de Palmeira das Missões
Teve início na manhã desta quarta-feira, 25 de junho, no Fórum de Palmeira das Missões, o júri popular dos dois acusados pelo assassinato da contadora de Boa Vista das Missões, Sandra Mara Lovis Trentin, crime ocorrido em 2018. A previsão é que o julgamento se estenda por dois dias, serão ouvidas oito testemunhas — cinco de acusação e três de defesa.
Estão no banco dos réus o ex-marido da vítima, Paulo Ivan Baptista Landfeldt, apontado como mandante do crime, e Ismael Bonetto, acusado de ser o executor. Ambos respondem por homicídio qualificado por recurso que dificultou a defesa da vítima e por feminicídio. Landfeldt também foi denunciado por motivo torpe, e Bonetto pela qualificadora de promessa de recompensa. Os dois seguem presos preventivamente.
Logo no início da manhã, familiares, amigos de Sandra realizaram uma manifestação em frente ao fórum com cartazes, faixas e rosas — flor preferida da vítima — em um apelo por justiça. Familiares de Paulo Ivan também acompanham o julgamento. Os bancos reservados à família de Ismael permaneceram vazios.
A primeira testemunha ouvida foi Romana Trentin Landfeldt, filha mais velha de Sandra e Paulo Ivan, atualmente com 24 anos. Em seu depoimento, ela confirmou que a blusa encontrada junto aos restos mortais da mãe era dela, mas afirmou que a peça era usada apenas em casa. “Ela usava, mas não muito. Nunca usou para trabalhar, era uma roupa que ela usava em casa”, disse. A blusa também não é a mesma do vídeo que mostra Sandra saindo de casa na manhã em que desapareceu. Além de Romana, outras duas testemunhas foram ouvidas antes do intervalo. A sessão foi retomada por volta das 14h30.
Sandra deixou quatro filhos. Desde o crime, a família realiza mobilizações públicas e cobra justiça. Antes do início da sessão, Ana Paula, outra filha do casal, afirmou que a busca da família é por respostas. “Queremos saber o que de fato aconteceu com a nossa mãe”, disse.
A expectativa da família é que o veredito ponha fim a mais de sete anos de angústia e traga respostas que deem dignidade à memória de Sandra.
A denúncia apresentada pelo Ministério Público se baseia em uma investigação que concluiu que o crime foi premeditado por Landfeldt, com o objetivo de encerrar o relacionamento conjugal sem a necessidade de partilha de bens. Conforme as apurações, Sandra teria sido surpreendida sob ameaça de arma de fogo, levada a um local ermo e executada. Seu corpo foi ocultado e encontrado quase um ano depois, enterrado às margens da BR-158.
Atuam como representantes do Ministério Público os promotores de Justiça Ricardo Misko Campineiro e Rodrigo Alberto Wolf Piton. Na assistência de acusação, estão os advogados Antônio Luiz Pinheiro e Larissa Campagnolo. A defesa é composta pelos advogados Alexandre Bastian Hennig, Isabela Caminoto, Eduardo Davoglio de Souza, Lucas Estevan Duarte e Volnete Gilioli.