Geral
Atualizado hoje às 09:55
Região ainda mantém orelhões ativos e como canal importante de comunicação
Anatel prevê extinção até 2028; Frederico Westphalen e outros municípios ainda contam com aparelhos em funcionamento
Quem viveu os anos 1980 e 1990 certamente se lembra dos orelhões, telefones públicos que faziam parte do cotidiano das cidades brasileiras. Símbolos de uma era em que a telefonia móvel ainda não existia, esses equipamentos estão com os dias contados. Segundo a Agência Nacional de Telecomunicações, os orelhões serão extintos gradualmente em todo o país até 31 de dezembro de 2028.
A rede, que já chegou a contar com mais de 1,5 milhão de aparelhos, atualmente soma cerca de 30 mil telefones públicos em funcionamento no Brasil. Desse total, aproximadamente nove mil deverão permanecer ativos até 2028, exclusivamente em localidades onde não há cobertura adequada de telefonia móvel, como sinal 4G ou alternativas de comunicação por voz.
Uso caiu com avanço da tecnologia
De acordo com a Anatel, o declínio dos orelhões está diretamente ligado à popularização dos celulares e da internet. O gerente de Controle de Obrigações de Universalização da agência, Marcos Paulo, explica que os telefones públicos cumpriram um papel essencial na universalização da telefonia fixa, mas perderam relevância com a evolução tecnológica.
Ainda assim, os aparelhos que permanecerem obrigatórios deverão funcionar gratuitamente até o fim de 2028, permitindo chamadas locais e de longa distância nacional para telefones fixos e celulares.
Situação no Rio Grande do Sul
No Rio Grande do Sul, os orelhões entraram oficialmente em processo de desativação neste ano. Dados da Anatel, atualizados em dezembro de 2025, apontam que o estado ainda possui 155 telefones públicos obrigatórios, dos quais 59 estão ativos, 74 em manutenção e 22 sem informação atualizada sobre a situação.
Em Porto Alegre, desde janeiro de 2025, nenhum terminal foi declarado como obrigatório pelas operadoras após a adaptação dos contratos de concessão.
Região Norte do RS ainda conta com aparelhos
Apesar do avanço da telefonia móvel, diversos municípios da região ainda mantêm o serviço, especialmente em áreas do interior e onde não há sinal de celular. Confira onde ainda existem orelhões:
Alpestre – 1 em manutenção (Barra Grande)
Caiçara – 1 ativo (Ipuaçu)
Constantina – 1 em manutenção (Linha Escolari)
Coronel Bicaco – 1 em manutenção (Campo Santo)
Frederico Westphalen – 2 ativos (Distrito de Castelinho e em frente à Escola Sepé Tiaraju)
Liberato Salzano – 1 em manutenção (Pinhalzinho)
Palmeira das Missões – 1 ativo (Santa Terezinha)
Rio dos Índios – 1 em manutenção (Linha São Valentin)
Trindade do Sul – 1 em manutenção (Linha Barra Grande)
Se na tua cidade tem orelhão e não está na lista, manda para a gente pelo WhatsApp (55) 99722-1380.
Ainda necessários em áreas sem sinal
Para parte da população, especialmente em regiões rurais, os orelhões ainda cumprem uma função importante. COmo é o caso da localidade de Castelinho em Frederico Westphalen, que o aparelho ainda é utilzado por uma parcela da população que não tem internet contratada em casa e que ficam sem comunicação pois a comunidade não conta com cobertura de antena de nenhuma operadora de telefonia móvel.
O que vem no lugar
Em contrapartida ao fim dos telefones públicos, as operadoras assumiram compromissos de investimento em infraestrutura de telecomunicações. Entre as ações previstas estão a expansão da fibra óptica, instalação de antenas de telefonia móvel em áreas sem cobertura, conectividade em escolas públicas e implantação de data centers.
Os contratos que previam a manutenção dos orelhões foram firmados em 1998 e encerrados oficialmente no fim de 2025. A retirada de aparelhos não obrigatórios pode ser solicitada diretamente às operadoras ou, em caso de dificuldades, por meio da central da Anatel, pelo telefone 1331 ou pelo portal da agência.
Mesmo próximos do fim, os orelhões ainda resistem em parte da região, lembrando uma época em que fazer uma ligação na rua era parte da rotina — e, para alguns locais, ainda é uma necessidade.
*Com informações Agência Brasil e GZH