Segurança
Atualizado em 27/06/2025 às 10:45
Réus são condenados pelo feminicídio de Sandra Trentin, penas somam mais de 56 anos de prisão
Julgamento foi concluído nesta quinta-feira; ex-marido pegou 34 anos de prisão e o suposto executor, 22 anos
Era por volta das 21h da quinta-feira, 27 de junho, quando o juiz Gustavo Bruschi, da Vara Criminal da Comarca de Palmeira das Missões, leu a sentença que condenou os dois homens acusados de envolvimento no assassinato da contadora Sandra Mara Lovis Trentin, ocorrido em 2018. O ex-marido da vítima, Paulo Ivan Baptista Landfeldt, apontado como mandante do crime, foi condenado a 34 anos e dois meses de prisão em regime fechado. Já Ismael Bonetto, acusado de ser o executor dos disparos, recebeu pena de 22 anos e quatro meses, também em regime fechado.
O julgamento teve início na quarta-feira, 26 de junho, e se estendeu por dois dias, no Fórum de Palmeira das Missões, sendo concluído na noite de quinta-feira após a oitiva de testemunhas, interrogatórios dos réus e apresentação das teses de acusação e defesa.
No primeiro dia, as testemunhas foram ouvidas, entre elas os filhos da vítima, Romana e Rômulo. À noite, Paulo Ivan prestou depoimento por mais de duas horas, a sessão se estendeu até por volta das 21h40. Na manhã seguinte, Ismael Bonetto foi interrogado. Ambos negaram envolvimento no assassinato de Sandra.
Durante os debates orais, o Ministério Público apresentou provas contundentes, incluindo fotos da ossada da vítima, imagens da roupa com uma perfuração compatível com disparo de arma de fogo, além de vídeos com depoimentos do próprio Ismael, nos quais ele relata detalhes do crime. A acusação sustentou que se tratava de um crime brutal, premeditado e motivado por questões patrimoniais. Acusado e vítima eram casados e residiam com os filhos menores de idade.
A denúncia afirma que a mulher foi surpreendida sob ameaça de arma de fogo e levada a um local ermo no município de Boa Vista das Missões, onde foi morta a tiros. Posteriormente, conforme a acusação, os réus ocultaram o cadáver. O homicídio teria ocorrido entre os dias 30/1 e 17/2/2018, e a ocultação do corpo entre os dias 20 e 22/2.
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A defesa de Bonetto argumentou que ele não foi o autor dos disparos e teria apenas extorquido o marido da vítima após saber do desaparecimento. Já a defesa de Paulo Ivan tentou descredibilizar a acusação, afirmando que outras pessoas teriam mais motivos para matar Sandra, buscando transferir a responsabilidade.
A votação do juri só teve início pouco depois das 20 horas. Ao final, os jurados acolheram a tese do Ministério Público e da assistência de acusação, reconhecendo a responsabilidade dos dois réus pelos crimes de homicídio qualificado — por motivo torpe, mediante promessa de recompensa, com recurso que dificultou a defesa da vítima e feminicídio — além de ocultação de cadáver.
Atuaram na acusação os Promotores de Justiça Ricardo Misko Campineiro e Rodrigo Alberto Wolf Piton, além dos advogados Antônio Luiz Pinheiro e Larissa Campagnolo (Assistência de Acusação). Os advogados Alexandre Bastian Hennig, Isabela Caminoto, Eduardo Davoglio de Souza, Lucas Estevan Duarte e Volnete Gilioli integraram a equipe de defesa.
A defesa de Paulo Ivan afirmou que irá recorrer da decisão e que os jurados ficaram divididos. "Foi um placar apertado", pontuou Henning. Já a defesa de Bonetto afirmou que ainda não definiu se vai ou não recorrer da decisão do juri.
O momento foi de muita emoção de familiares e amigos de Sandra que acompanharam os dois dias de juri. A mãe Ilda Trentin, ficou bastante emocionada e os filhos afirmaram que é o fim de um ciclo de dúvidas e apreensão que durou sete anos.
*Com informações TJRS