Geral
Publicado em 05/03/2025 às 11:25
Romaria da Terra homenageia vítimas das enchentes e pede ação pelo clima
A romaria de 2026 acontecerá em Caibaté
A homenagem às vítimas das recentes enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul e o alerta para o avanço da crise do clima foram os destaques centrais da 47ª Romaria da Terra, realizada nesta terça-feira de Carnaval em Arroio do Meio, município às margens do rio Taquari e um dos mais atingidos durante as enchentes de 2024.
A escolha da região se deu pelo impacto severo das cheias, que resultaram em dezenas de mortes e significativos prejuízos econômicos e ambientais. Já no Estado, segundo a Defesa Civil, somente nas enchentes de 2024, foram registrados 183 óbitos e 27 desaparecidos.
Além de prestar apoio ao Vale do Taquari e fortalecer a fé e a esperança, o evento, que foi organizado pela Diocese de Santa Cruz do Sul e pela Comissão Pastoral da Terra (CPT/RS), celebrou a solidariedade e convidou os romeiros a refletirem sobre a crise mundial do clima. O objetivo foi acolher o sofrimento dos atingidos, repensar a relação humana com a natureza e reforçar a importância de ações para a reconstrução das comunidades.
Entre os símbolos do evento, uma cruz feita com destroços das enchentes e uma faixa com os nomes das vítimas marcaram o momento de lembrança. Também foi criado um memorial em frente à capela do bairro Navegantes, um dos mais atingidos, com uma rocha retirada dos escombros de Três Pinheiros, onde seis membros de uma família faleceram soterrados.
Mais de cinco mil fiéis realizaram a caminhada de 2,5 quilômetros pelas margens do Rio Taquari. Entre os presentes estavam o ex-governador Olívio Dutra, o presidente da Conab, Edegar Pretto, e o deputado estadual Adão Pretto Filho, que participam da romaria desde a infância, acompanhados de seu pai Adão Pretto, falecido em 2009. “Com a COP30 acontecendo no Brasil, o mundo olha para nós. A Romaria da Terra, em sintonia com a conferência da ONU, reforça a urgência de agir. As enchentes no estado são um reflexo claro do colapso climático. Estar no Vale do Taquari hoje simboliza nosso compromisso com o meio ambiente e as gerações futuras”, disse Edegar Pretto.
Adão Pretto Filho salientou a importância da agricultura familiar para a preservação do meio ambiente. “As enchentes de 2023 e 2024 comprovam a necessidade urgente de repensarmos nossa relação com a natureza, diminuir o uso de agrotóxicos e apoiarmos políticas públicas de sustentabilidade”, afirmou.
Durante o percurso, foi possível observar a destruição de estruturas essenciais, como casas, escolas e postos de saúde, mas também as ações de solidariedade, como abrigos, doações e a atuação de voluntários. Ao final da caminhada, foi celebrada uma missa na Rua Coberta, na Praça Flores da Cunha, seguida de partilha de alimentos. À tarde, ocorreram pronunciamentos e apresentações culturais, e foi anunciado que a próxima Romaria da Terra será realizada em Caibaté, na diocese de Santo Ângelo, em 2026.