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Atualizado hoje às 15:05
Safra da soja terá quebra de pelo menos 30% na região, segundo a Emater
Levantamento é do Escritório Regional de Frederico Westphalen. Prejuízos podem ser ainda maiores se o tempo seguir seco nos próximos dias
Se os primeiros dias após o plantio da soja encheram os olhos dos produtores e elevaram e geraram expectativas de uma safra positiva do grão na região, a falta de chuva nas últimas duas semanas praticamente liquidou as chances de uma colheita abundante. A avaliação é do Escritório Regional da Emater-RS/Ascar de Frederico Westphalen.
Na área dos 42 municípios abrangidos pelo Escritório, já há quebra consolidada de 30%, na média. É fato que essa estimativa varia bastante, até dentro de um mesmo município, já que as chuvas foram irregulares. Contudo, em áreas com solos mais rasos e pedregosos ou sem chuvas há 20 dias, o prejuízo é ainda maior, podendo chegar a 60%, conforme o engenheiro agrônomo Felipe Lorensini, responsável pelo setor de grãos.
Frustração após bons prognósticos
Segundo Lorensini, a soja apresentou bom desenvolvimento inicial, com estabelecimento e crescimento vegetativo satisfatórios. No entanto, o déficit hídrico severo das últimas semanas, aliado às ondas de calor, passou a comprometer o potencial produtivo. “Estamos em um período reprodutivo bastante importante, com a soja em florescimento e enchimento de grãos. O estresse hídrico e calórico faz com que a planta aborte flor e vagem como mecanismo de sobrevivência”, explicou.
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A expectativa inicial, de uma safra de recuperação após anos seguidos de estiagem e dificuldades econômicas enfrentadas pelos produtores, já não se concretiza. “Essa já não será a safra que vai recuperar as perdas anteriores. O que esperamos agora é que, com o retorno das chuvas, pelo menos se consiga cobrir parte dos custos”, pontuou.
Produtores já observam a queda de vagens, principalmente em estágio inicial de formação. A situação é agravada pela baixa umidade do solo, que já não possui reserva suficiente para sustentar a planta. “De maneira geral, estimamos perdas próximas de 30%, considerando a média dos últimos cinco anos, que é de 58 sacas por hectare na região”, destacou o agrônomo.
Lorensini ressalta que os índices são calculados com base na média histórica e não no potencial genético da cultura, que pode ultrapassar 100 sacas por hectare em condições ideais.
Lorenzini alerta que o cenário pode se agravar caso as chuvas previstas não se confirmem. “Se não chover nos próximos dias, a tendência é de perdas ainda mais expressivas. O solo já não tem estoque de água, então a cada dia o impacto é maior”, afirmou.
Situação do milho
Em relação ao milho, cerca de 80% a 90% da área já foi colhida na região. Apesar de também ter sido impactada pela estiagem anterior, a cultura apresenta resultado considerado bom na média regional.
A produtividade estimada é de aproximadamente 140 sacas por hectare - acima da média dos últimos anos. No entanto, os preços baixos reduzem a rentabilidade. “Mesmo com boa produtividade, o agricultor ainda enfrenta dificuldades devido ao valor de mercado”, observou.
Trabalho contínuo
Lorenzini reforçou que o levantamento das perdas é dinâmico e realizado diariamente pelos técnicos da Emater nos 497 municípios do Estado. “É um trabalho feito com muita seriedade. A situação pode mudar rapidamente conforme o comportamento das chuvas”, concluiu.