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Publicado hoje às 15:26
Setembro e novembro devem ser de chuva acima da média e risco de enchentes sob influência do El Niño
Governo Federal reúne gestores para preparar estados e municípios para possíveis eventos extremos nos próximos meses
O Governo Federal reuniu, nesta segunda-feira, 31 de agosto, gestores estaduais e municipais da Região Sul - Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, para tratar das ações de prevenção e resposta aos possíveis impactos do El Niño nos próximos meses. O encontro, realizado de forma virtual, faz parte dos “Diálogos Federativos – Emergências Climáticas 2026/2027”.
Durante a reunião, foram apresentados dados que apontam para a possibilidade de um El Niño de intensidade muito forte, com previsão de chuvas e temperaturas acima da média na Região Sul. O período considerado mais crítico vai entre setembro e novembro.
As projeções divulgadas indicam que a temperatura do Oceano Pacífico pode chegar a 2,7 graus acima da média. Entre os impactos que devem ser monitorados estão o excesso de umidade e o encharcamento do solo, que podem prejudicar lavouras, aumentar a ocorrência de doenças nas plantações, dificultar a colheita e comprometer a trafegabilidade de máquinas agrícolas. Também há possibilidade de enchentes urbanas e deslizamentos de terra.
A reunião foi coordenada pela ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, e contou com a participação do ministro das Relações Institucionais, José Guimarães; do ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional em exercício, Valder Ribeiro; e da ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima em exercício, Ana Flávia, além de representantes de outros órgãos federais. Também participou o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite
Investimentos em prevenção
O encontro também apresentou investimentos previstos para ampliar a infraestrutura de prevenção e resposta a eventos climáticos.
Na área de segurança hídrica, o Novo PAC prevê R$ 196,3 milhões para a Região Sul, sendo R$ 179,9 milhões destinados ao Rio Grande do Sul. Entre as estruturas destacadas estão as barragens Jaguari, Taquarembó e Arvorezinha.
Para ações de prevenção a desastres provocados por chuvas intensas, estão previstos R$ 8,8 bilhões na Região Sul, incluindo recursos para drenagem urbana, contenção de encostas e infraestrutura.
O governo também informou investimentos em energia elétrica, dragagens e adaptação climática.
Monitoramento será ampliado
O monitoramento meteorológico e hidrológico também está entre as medidas de preparação. Segundo os dados apresentados, o Inmet ampliou a rede de estações meteorológicas na Região Sul de quatro, em janeiro de 2023, para 156 em 2026. A previsão é chegar a 161 estações no próximo ano.
O Cemaden, por sua vez, ampliou de 153 para 267 o número de municípios da região com equipamentos de medição instalados. A expectativa é alcançar 339 municípios em 2027.
A Defesa Civil Nacional também destacou ações como emissão de alertas, monitoramento integrado, protocolos de mobilização e preparação dos municípios.
Orientação aos municípios
Durante a reunião, estados e municípios foram orientados a manter organizadas as estruturas locais de Proteção e Defesa Civil, Saúde, Infraestrutura, Assistência Social e Meio Ambiente.
Outra recomendação é a elaboração e atualização dos Planos de Contingência Municipais de Proteção e Defesa Civil, além do acompanhamento das informações divulgadas pelos órgãos oficiais.
Em caso de desastre, municípios e estados podem solicitar recursos federais para ações de resposta e recuperação por meio do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2ID).
No Rio Grande do Sul, a União também informou a previsão de R$ 15,1 bilhões entre 2024 e 2027 por meio do Funrigs, destinados a ações de reconstrução e adaptação climática após as enchentes. Até julho de 2026, R$ 5,8 bilhões já haviam sido desembolsados.
A preparação para os próximos meses será acompanhada pela Sala de Situação do El Niño, que reúne informações dos órgãos federais responsáveis pelo monitoramento climático e articula as medidas de prevenção e resposta.