Saúde
Atualizado hoje às 11:44
Cientistas da Fiocruz descobrem novos fragmentos de proteínas que podem viabilizar uma vacina mais completa contra a malária
O novo imunizante pode proteger contra diferentes espécies e atuar em várias fases da doença
Uma nova descoberta feita pelos cientistas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), e publicada na revista Nature, idenfiticou um conjunto inédito de fragmentos de proteínas do parasita Plasmodium que podem viabilizar o desenvolvimento de uma vacina mais completa contra a malária. O novo imunizante pode proteger contra diferentes espécies e atuar em várias fases da doença.
Atualmente, as vacinas disponíveis contra a malária tem eficácia parcial e são direcionadas principalmente ao P. falciparum, atuando na fase incial da infecção. Além disso, sua proteção tende a diminuir com o tempo.
O estudo adotou uma abordagem inovadora para entender como o sistema imunológico reconhece o parasita causador da malária. A equipe investigou o papel dos linfócitos T CD8+, células de defesa capazes de identificar e destruir diretamente as células infectadas.
Segundo a pesquisadora Caroline Junqueira, da Fiocruz Minas, coordenadora do estudo, essa nova investigação é o diferencial da pesquisa. “Há mais de 50 anos se busca desenvolver uma vacina contra a malária e, só recentemente, tivemos aprovados imunizantes com eficácia limitada, voltados principalmente para o P. falciparum e para crianças. Um dos principais desafios sempre foi encontrar bons alvos vacinais”, disse.
Em primeiro momento, os cientistas identificaram os peptídeos, pequenos fragmentos de proteínas do parasita exibidos na superfície das células infectadas e reconhecidos pelos linfócitos T CD8+. No total, foram identificados 453 peptídeos derivados de 166 proteínas do parasita.
Em seguida, o grupo mapeou a origem desses fragmentos e observou que a maioria vinha de proteínas chamadas housekeeping, responsáveis por funções básicas e indispensáveis à sobrevivência do parasita.
Resposta imune
Os resultados mostraram que as celúlas infectadas, tanto por P. vivax quanto por P. falciparum, reagiram aos antígens identificados. A resposta imune foi observada em outras três espécies de Plasmodium, incluindo as que infectam primatas e camundongos.
Os testes foram realizados tanto em amostras humanas quanto em modelos experimentais. Em primatas e camundongos, os antígenos também induziram resposta de células T, inclusive em órgãos-chave como o fígado, onde ocorre a etapa inicial da infecção, e no sangue. Em modelos animais, alguns desses alvos chegaram a demonstrar efeito protetor, reduzindo a carga do parasita.
*Informações Agência Brasil