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Atualizado hoje às 15:44
Desenvolvimento de municípios da Amzop é superior à média nacional, mas fica abaixo da média do Sul
Estudo elaborado por professores da UFSM-FW considerou indicadores da ONU. Novo Xingu, São José das Missões e Caiçara lideram na região.
Um estudo conduzido pelos professores e pesquisadores Lorimar Francisco Munaretto e William Domingos de Borba, da Universidade Federal de Santa Maria, campus de Frederico Westphalen (UFSM-FW), mapeou o nível de desenvolvimento sustentável dos 28 municípios que integram a Associação dos Municípios da Zona da Produção (Amzop).
O levantamento considerou os dados do Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades (IDSC), composto por 100 indicadores vinculados aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU).
A média geral da região da Amzop ficou em 53,33 pontos, em uma escala de 0 a 100, o que enquadra a região na categoria de “médio desenvolvimento”, faixa entre 50 e 59,99 pontos). O índice regional fica à frente da média nacional do Brasil, que é de 51,22 pontos, mas permanece abaixo do desempenho médio da região Sul do país, que é de 53,91.
Novo Xingu lidera e cidades maiores ficam atrás
Do total de 28 municípios avaliados na Amzop, 24 atingiram o nível “médio de desenvolvimento” e quatro ficaram no nível “baixo de desenvolvimento”, faixa de 40 a 49,99 pontos. Nenhum município da região alcançou os níveis "alto" ou "muito alto".
Os melhores desempenhos regionais pertencem a municípios de menor porte populacional. Veja o ranking dos municípios da Amzop de acordo com o desempenho médio geral.
1º Novo Xingu — 57,37 pontos.
2º São José das Missões — 57,25
3º Caiçara — 56,56
4º Boa Vista das Missões — 56,08
5º Chapada — 55,66
6º Novo Barreiro — 55,61
7º Lajeado do Bugre — 55,52
8º Pinhal — 55,39
9º Taquaruçu do Sul — 55,35
10º Sagrada Família — 54,52
11º Cristal do Sul — 53,89
12º Dois Irmãos das Missões — 53,86
13º Vista Alegre — 53,85
14º Rodeio Bonito — 53,61
15º Palmitinho — 53,49
16º São Pedro das Missões — 53,38
17º Jaboticaba — 53,13
18º Cerro Grande — 52,96
19º Pinheirinho do Vale — 52,80
20º Liberato Salzano — 52,51
21º Novo Tiradentes — 52,45
22º Ametista do Sul — 52,07
23º Vicente Dutra — 51,50
24º Erval Seco — 50,78
25º Iraí — 49,66
26º Frederico Westphalen — 48,52
27º Palmeira das Missões — 47,91
28º Seberi — 47,86
Média da Amzop – 53,33
Média do Brasil – 51,22
Média da Região Sul – 53,91
O professor William de Borba explicou que a discrepância entre cidades pequenas e polos regionais ocorre devido à complexidade das maiores. “O melhor município do país tem pouco mais de 1 mil habitantes. Quando você compara com um município maior, como Frederico Westphalen, ocorrem essas diferenças. A ideia do estudo é justamente identificar os pontos críticos e subsidiar o gestor público para corrigir essas questões”.
Pontos fortes: energia, saúde, educação e clima
A região da Amzop apresenta resultados expressivos em áreas fundamentais da administração pública. No ODS 7, Energia Limpa e Acessível, a Amzop somou 75,71 pontos, com destaque para a ampla cobertura de energia nos domicílios e baixa vulnerabilidade energética.
Em Saúde e Bem-Estar (ODS 3), o índice aponta 75,56 pontos, para a região da Amzop, demonstrando boa cobertura vacinal, atenção básica e orçamento municipal destinado à saúde. Também é bom o resultado no quesito Cidades e Comunidades Sustentáveis (ODS 11), com 75,19 pontos para os municípios da Amzop.
Há, ainda indicadores favoráveis na gestão e coleta seletiva de resíduos sólidos, com 70,35 pontos no indicadore Ação Contra a Mudança Global do Clima (ODS 13) e 69,61 pontos no indicador Educação de Qualidade (ODS 4), no qual a média regional supera com folga a média nacional (59 pontos), impulsionada pelo acesso à internet nas escolas, turmas de creches e notas do IDEB.
Gargalos regionais: pobreza, indústria e saneamento
Por outro lado, o estudo revelou fragilidades estruturais que puxam a média dos municípios para baixo. Na erradicação da Pobreza (ODS 1), há alta dependência de programas sociais e de transferência de renda, como o Cadastro Único e o Bolsa Família. No quesito Indústria, Inovação e Infraestrutura (ODS 9), constatou-se baixa participação de empregos formais em atividades intensivas em tecnologia e conhecimento.
Um dos indicadores mais críticos é de Água Potável e Saneamento (ODS 14. A maioria dos municípios da Amzop sequer possui dados consolidados sobre esgoto tratado antes do descarte. Entre os poucos com dados, como Frederico Westphalen, os índices registrados são extremamente baixos.
A pesquisa apontou também baixos níveis de investimento público em infraestrutura urbana por habitante e necessidade de ampliar a arrecadação própria de receitas municipais
Estratégia integrada para a região
Os pesquisadores reforçam que os dados não devem ser interpretados como uma disputa entre cidades, mas como uma ferramenta de planejamento regional para orientar gestores.
“Não adianta um município estar muito bem de forma isolada. A ideia é encarar o desenvolvimento de forma regional, definindo políticas públicas e metas integradas para superar as fragilidades comuns de toda a Amzop”, concluiu o professor Munaretto.
Veja abaixo a tabela com os resultados detalhados
