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Atualizado hoje às 15:17
Efeitos do El Niño na região já são visíveis, mas período intenso ainda está por vir, diz meteorologista
Fenômeno está em rápida intensificação e deve alcançar o pico entre outubro e novembro; metade Norte do Estado aparece como uma das áreas mais influenciadas pelos prognósticos.
As chuvas, temporais, episódios de granizo e ventos fortes que vêm atingindo municípios da região Norte do Rio Grande do Sul nas últimas semanas já podem ter alguma influência do El Niño. Mas, segundo a Defesa Civil do RS, o fenômeno ainda está em processo de intensificação e a tendência é de que seus efeitos sobre a região fiquem mais evidentes nos próximos meses.
A avaliação é do meteorologista da Defesa Civil, Bruno Zanetti Ribeiro, que explicou ao Grupo Chiru o que a população pode esperar para o restante do inverno e, principalmente, para a primavera.
Segundo Ribeiro, o El Niño já apresenta influência sobre o clima gaúcho, mas é importante não atribuir cada episódio de chuva ou temporal exclusivamente ao fenômeno. O inverno do Rio Grande do Sul, por si só, já é uma estação marcada pela ocorrência de chuvas intensas e outros eventos de tempo severo, segundo ele. “O El Niño acaba amplificando um pouco essas chuvas, que podem acabar se tornando mais frequentes e até mais intensas em algumas situações”, explicou.
O pior ainda está por vir?
A resposta depende do que se entende por “pior”. Não é possível afirmar que os próximos meses necessariamente terão eventos mais destrutivos do que os já registrados. Conforme Ribeiro, os modelos meteorológicos indicam que a frequência de chuva e de episódios de tempo severo tende a aumentar, especialmente durante a primavera.
Segundo o especialista, o El Niño está se fortalecendo rapidamente e deve atingir seu pico entre outubro e novembro. É justamente nesse período que sua influência sobre o Rio Grande do Sul deve ser mais significativa.
Para a região Norte, a previsão merece atenção especial.
“Os prognósticos estão indicando uma situação em que a região Norte, a metade Norte do Rio Grande do Sul, deve ser mais afetada do que a metade Sul nos próximos meses”, afirmou Ribeiro. A tendência é de maior ocorrência de chuvas acima da média, tempestades severas, granizo e ventos intensos. Em determinadas situações, também podem ocorrer tornados.
Os episódios registrados no Estado ao longo de julho, que causaram danos em diversos municípios da região, ajudam a ilustrar o tipo de condição que pode voltar a ocorrer durante a primavera. Ribeiro explica que o cenário observado recentemente, com regiões recebendo chuva intensa enquanto outras enfrentam tempestades severas, é compatível com as condições que podem se tornar mais frequentes conforme o El Niño se fortalece.
Isso não significa, porém, que todos os eventos registrados daqui para frente serão iguais aos de julho. O fenômeno não determina sozinho quando ou onde ocorrerá um temporal. “Cada evento extremo depende muito de outros fatores”, explicou o meteorologista.
Por que o Norte do Estado preocupa mais?
O comportamento do fenômeno não é igual em todas as regiões do Rio Grande do Sul. Para 2026, os principais prognósticos indicam uma influência maior sobre a metade Norte do Estado, além de Santa Catarina e Paraná.
Isso coloca municípios como os da região de abrangência do Grupo Chiru em uma área que, segundo as projeções atuais, poderá registrar mais precipitação e maior frequência de tempestades severas nos próximos meses.
A previsão, portanto, não significa que todos os municípios terão necessariamente os mesmos volumes de chuva ou enfrentarão temporais com a mesma intensidade. As condições podem variar bastante de uma localidade para outra.
Primavera será o período de maior atenção
Conforme Ribeiro, a primavera é naturalmente uma estação de maior ocorrência de tempo severo no Rio Grande do Sul. Granizo e ventos intensos são comuns nesse período. Com o El Niño em processo de fortalecimento, a expectativa é de que esses eventos se tornem mais frequentes.
Ribeiro citou a primavera de 2023 como referência. Naquele ano, o Estado registrou episódios de chuva intensa, granizo e ventos fortes, além das grandes enchentes nos Vales. O meteorologista, contudo, faz uma ressalva importante: um El Niño mais intenso não significa automaticamente impactos maiores.
O fenômeno previsto para 2026 pode ser mais forte do que o registrado em 2023 e até superar o episódio de 2015 em intensidade. Ainda assim, isso não permite concluir que os danos ou eventos extremos serão necessariamente maiores. “Não tem uma correlação direta entre a intensidade do El Niño e os impactos que isso vai ter no Rio Grande do Sul”, explicou.
Agosto ainda deve ser quente e úmido
Antes da chegada da primavera, a previsão é de continuidade de um padrão mais quente e úmido. Para agosto, Ribeiro projeta temperaturas acima da média, bastante umidade e ocorrência de chuva. A expectativa é de que não ocorram, com a mesma frequência, entradas de massas de ar frio tão intensas quanto as observadas em junho.
A tendência de temperaturas mais elevadas e maior umidade deve continuar avançando para a primavera, quando a influência do El Niño deverá se tornar mais forte. Mas mesmo que o pico do El Niño ocorra entre outubro e novembro, seus efeitos sobre o clima não terminam imediatamente.
Os modelos indicam possibilidade de chuvas acima da média entre o fim da primavera e o verão, com essa condição podendo se estender até janeiro e fevereiro de 2027. Para a metade Norte do Rio Grande do Sul, que aparece entre as regiões com maior influência prevista, isso representa um período de atenção prolongada.
A principal recomendação, portanto, não é de que a população espere necessariamente um grande evento, mas que esteja preparada para uma maior frequência de situações de tempo severo e acompanhe as previsões e os alertas oficiais.
“Super El Niño” não é classificação científica
A possibilidade de um El Niño forte também tem provocado preocupação nas redes sociais, onde ganhou força a expressão “super El Niño”. Segundo Ribeiro, porém, o termo não existe como classificação científica. Os eventos são classificados de acordo com sua intensidade.
O fenômeno de 2026, apesar disso, pode estar entre os mais fortes das últimas décadas, de acordo com as projeções atuais. O meteorologista reforça que essa informação precisa ser interpretada com cautela: intensidade do fenômeno e gravidade dos impactos não são a mesma coisa.
Defesa Civil orienta acompanhamento dos alertas
Com a possibilidade de maior frequência de tempestades durante os próximos meses, a Defesa Civil recomenda que a população acompanhe os alertas e orientações oficiais. Os avisos podem ser recebidos gratuitamente por SMS. Para se cadastrar, basta enviar o CEP para o número 40199.
Confira entrevista na íntegra abaixo