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Atualizado hoje às 13:49
Frederico Westphalen quebra recorde na produção de leite com 23,1 milhões de litros em 2025
Resultado representa um crescimento de 85% em relação a 2015 e contrasta com redução no número de produtores
Frederico Westphalen nunca produziu tanto leite quanto em 2025. O município chegou à marca de 23,1 milhões de litros de leite inspecionado entregues à indústria, o maior volume já registrado na série histórica. O resultado representa um crescimento de 85% em relação a 2015 e coloca o município entre os principais produtores da região.
O recorde chama atenção por ocorrer justamente em um período de forte redução no número de propriedades dedicadas à atividade. Há dez anos, Frederico Westphalen tinha 376 produtores de leite inspecionado. Em 2025, eram 162, uma queda de 57%.
A explicação está na mudança do perfil das propriedades que permaneceram na atividade. Segundo o engenheiro agrônomo da Emater/RS-Ascar, Jeferson Vidal Figueiredo, o setor passou por um processo de profissionalização, com aumento da escala, investimentos em tecnologia e maior produtividade dos animais. Veja a entrevista de Figueiredo ao programa Em Pauta aqui
Em 2015, cada propriedade tinha, em média, 11 vacas. Uma década depois, a média se aproxima de 27 animais, um crescimento de 143%. Ao mesmo tempo, a produção média por vaca passou de 9,9 para 17,5 litros por dia, alta de 77%.
Na prática, o município passou a produzir mais leite com menos propriedades, um retrato da transformação pela qual passou a atividade no interior de Frederico Westphalen.
Uma mudança planejada há uma década
Parte dessa transformação é associada ao chamado “Pacto do Leite”, articulado em 10 de junho de 2016. Naquele momento, produtores, Emater, cooperativas de crédito, poder público e entidades ligadas ao setor decidiram atuar de forma conjunta para fortalecer a produção leiteira local que vinha em declínio especialmente diante de preços pouco atrativos. “Sentamos esse dia e decidimos fazer uma mudança, trabalhar todos juntos para dar um novo retrato para a atividade leiteira. Uma década depois, a semente deu certo”, avaliou o agrônomo.
Dez anos depois, os números mostram uma mudança significativa no cenário. Em 2015, Frederico Westphalen sequer aparecia entre os dez maiores produtores da região. Hoje, ocupa a quarta posição e, segundo Figueiredo, já apresenta potencial para avançar ao terceiro lugar.
R$ 58 milhões gerados dentro das propriedades
O crescimento da produção também teve reflexo direto na economia. Em 2025, o valor bruto recebido pelos produtores, corrigido pelo IPCA, chegou a R$ 58,3 milhões. Em 2015, eram cerca de R$ 19 milhões, um crescimento real de 306%.
Para além do valor recebido pelos produtores, a atividade movimenta outros setores da economia local, como comércio, serviços, máquinas, insumos e transporte.
Figueiredo estima que os recursos gerados pela cadeia leiteira tenham um efeito multiplicador na economia de Frederico Westphalen. Segundo ele, os R$ 58 milhões que entram diretamente nas propriedades podem representar mais de R$ 150 milhões em circulação econômica quando considerados os demais setores envolvidos.
Mais produtividade, mas também novos desafios
O avanço não significa que a atividade tenha se tornado mais fácil. Entre os principais desafios apontados estão a falta de mão de obra e o elevado custo de produção.
Com margens cada vez mais apertadas, o aumento da produtividade passou a ser uma questão de sobrevivência para muitas propriedades. “Hoje o lucro é por centavos, por isso o produtor tem que acelerar a escala e a produtividade para se manter”, afirmou Figueiredo.
As entidades envolvidas com a cadeia leiteira também vêm revisando as metas estabelecidas no trabalho conjunto iniciado em 2016, em uma tentativa de manter o suporte técnico e a cooperação entre os diferentes setores.
O movimento ajuda a explicar por que Frederico Westphalen conseguiu avançar justamente quando o cenário estadual aponta na direção oposta: no mesmo período, a produção de leite do Rio Grande do Sul caiu 12,5%. O município, ao contrário, mais que dobrou sua produção na comparação com uma década atrás.