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  • Novo teste genético para câncer de mama será disponibilizado pelo SUS

    O resultado do exame pode auxiliar na definição de cirurgias preventivas e protocolos de rastreamento

    Mulheres com câncer de mama atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) passarão a ter acesso a um teste genético de alta precisão que identifica mutações hereditárias ligadas à doença. A decisão foi publicada nesta quarta-feira, 13 de maio, no Diário Oficial da União.

    O novo mecanismo é o chamado sequenciamento de nova geração (NGS, sigla em inglês para next-generation sequencing), usado para identificar alterações nos genes BRCA1 e BRCA2, associados a um risco elevado de câncer de mama e de ovário. O exame pode indicar se o tumor é de origem hereditária, o que facilita o tratamento e pode alterar a estratégia de prevenção para familiares que ainda não desenvolveram a doença.

    Conforme a portaria, o prazo para a incorporação da tecnologia no SUS é de 180 dias. A decisão representa um avanço na chamada medicina de precisão, que se baseia nas características genéticas do tumor e do paciente. O teste, no entanto, será utilizado especificamente para a identificação de mutações nos genes BRCA1/2 em mulheres com câncer de mama.

    Impacto nas pacientes e nos familiares

    A identificação dessas mutações pode influenciar diretamente o tratamento do câncer já diagnosticado. Pacientes com alterações nos genes BRCA, por exemplo, podem utilizar medicamentos inibidores de PARP, terapias-alvo desenvolvidas para tumores com esse perfil genético. Além disso, o resultado do exame pode auxiliar na definição de cirurgias preventivas e protocolos de rastreamento.

    A detecção dessas mutações também permite identificar riscos genéticos em outros familiares, mesmo antes do aparecimento de tumores. Segundo estudo publicado no periódico científico The Lancet Regional Health – Americas, 1 em cada 10 participantes  entre 275 pessoas com câncer de mama, próstata ou intestino apresentava mutação genética hereditária. A identificação precoce possibilita a adoção de estratégias preventivas, como ressonância magnética anual, colonoscopias antecipadas e, em alguns casos, cirurgias profiláticas.

    Tecnologia ainda é limitada no SUS

    Apesar de representar um avanço, especialistas apontam que a estrutura de oncogenética no SUS ainda está concentrada em poucos centros especializados. Pesquisa do Mapa Genoma Brasil, coordenada pelo Hospital BP, A Beneficência Portuguesa de São Paulo, indica que muitos hospitais públicos ainda não dispõem de equipes treinadas nem de fluxo estruturado para aconselhamento genético e acompanhamento familiar.

    *Informações g1

    Beatriz Vieira - Jornalista Grupo Chiru
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