Segurança
Publicado ontem às 11:54
Operação apura fraude em serviços de home care e bloqueia até R$ 11,3 milhões
Ação do Ministério Público cumpriu oito mandados de busca em Passo Fundo, Erechim e Itapema (SC). A investigação envolve recursos do Estado e do IPE Saúde
O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) deflagrou, nesta terça-feira, 20 de outubro, a Operação Home Cash, que investiga suspeitas de fraude e desvio de recursos públicos destinados ao atendimento domiciliar de pacientes, conhecido como home care. A apuração envolve valores custeados pelo governo estadual e pelo IPE Saúde.
A operação prevê o bloqueio judicial de bens e valores de até R$ 11,3 milhões, além do sequestro de veículos e imóveis. Cerca de 50 agentes cumpriram oito mandados de busca e apreensão contra 15 alvos em Erechim e Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, e em Itapema, em Santa Catarina.
A ação foi coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), por meio do 7º Núcleo Regional — Planalto, sob a responsabilidade do promotor de Justiça Diego Pessi. Os trabalhos também contaram com o Núcleo de Inteligência do Ministério Público (NIMP), a Brigada Militar e os promotores de Justiça Manoel Figueiredo Antunes e Maristela Schneider.
Como funcionaria o esquema investigado
Conforme o MPRS, a investigação começou após uma notícia-crime encaminhada pela Procuradoria-Geral do Estado (PGE). Os investigadores apuram a possível apresentação de laudos médicos e orçamentos em processos judiciais relacionados a serviços de atendimento domiciliar.
Entre as suspeitas está a cobrança por serviços em quantidade superior à efetivamente prestada, o que teria provocado prejuízos aos cofres públicos.
A investigação também busca esclarecer movimentações financeiras entre pessoas e empresas ligadas ao grupo investigado, além da aquisição de bens registrados em nome de terceiros. As medidas judiciais têm como objetivo aprofundar a apuração, preservar provas e dimensionar os valores envolvidos.
Segundo o promotor Diego Pessi, os trabalhos buscam identificar a extensão dos possíveis prejuízos ao Estado e ao IPE Saúde, além de rastrear o fluxo financeiro relacionado aos recursos investigados. "A Operação Home Cash é mais um desdobramento das apurações conduzidas pelo MPRS sobre possíveis desvios de recursos públicos destinados ao atendimento domiciliar de saúde. Os trabalhos buscam identificar a extensão dos prejuízos ao Estado e ao IPE Saúde, além do fluxo financeiro relacionado aos valores investigados", destacou.
Operação é desdobramento de apurações anteriores
A Operação Home Cash ocorre após outras duas fases de investigação sobre possíveis irregularidades no uso de recursos públicos destinados ao atendimento domiciliar de pacientes.
Em 4 de dezembro de 2024, o MPRS deflagrou a Operação Gollum I, em Passo Fundo. Na ocasião, foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão em empresas, escritório de advocacia e residências, além de medidas de bloqueio de contas bancárias.
Posteriormente, em 18 de março de 2026, a Operação Gollum II aprofundou as investigações financeiras. Foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão em Passo Fundo, Canoas, Esteio e Balneário Camboriú, com bloqueio de aproximadamente R$ 12 milhões.
Leia mais:
MPRS investiga fraude e desvio de recursos para tratamentos de home care
MPRS denuncia 23 pessoas por desvio de recursos do Estado e do IPE para tratamentos de home care
MPRS denuncia 12 pessoas por fraude em tratamentos de home care
A nova etapa busca ampliar o esclarecimento sobre os envolvidos, a movimentação dos recursos e a identificação de patrimônio relacionado às suspeitas de fraude em serviços de home care.
As suspeitas seguem sob investigação do Ministério Público.
*Informações Ascom/MPRS