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Publicado hoje às 18:29
Paleontólogos descobrem nova espécie de réptil que viveu no RS há 230 milhões de anos
O crânio foi escavado em 2020 e após um trabalho de limpeza foi possível analisar suas características
Uma nova espécie de réptil que viveu há 230 milhões de anos no Rio Grande do Sul foi encontrada por paleontólogos da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), no município de Agudo, na Região Central. O crânio foi escavado em 2020 e após um trabalho de limpeza foi possível analisar suas características.
O animal, identificado como um rincossauro, foi batizado de Isodapedon varzealis, possuía um bico semelhante ao de um papagaio. A principal característica que o diferencia de outros rincossauros é a simetria das placas dentárias no maxilar, usada para esmagar vegetais e alcançar raízes. Essa peculiaridade é inédita entre os outros de seu grupo.
Características do “réptil-papagaio”
A partir dos estudos, os cientistas estimam que a espécie teria sido herbívora e quadrúpede teria 1,2 e 1,5 metro de comprimento, podendo atingir até 3 metros, sendo herbívora e quadrúpede. No ecossistema do Período Triássico, ele era uma presa para répteis maiores, como os ancestrais dos jacarés e os primeiros dinossauros que habitavam a região.
A espécie teria um forte parentesco com o Hyperodapedon gordoni, um rincossauro encontrado na Escócia. Essa hipótese é explicada pela lógica da Pangeia, que propõe que há milhões de anos atrás o mundo teria um supercontinente batizado de Pangeia, o qual permitia que a fauna se locomovesse por grandes áreas.
Região Central do RS como pico de diversidade paleontológica
A nova espécie foi descoberta na expedição liderada pela mestranda Jeung Hee Schiefelbein, sob orientação do paleontólogo Rodrigo Temp Müller, da UFSM. Os resultados foram publicados nesta terça-feira, 14 de abril, na revista científica Royal Society Open Science.
O fóssil foi descoberto no território do Geoparque Mundial da UNESCO Quarta Colônia, um sítio fossilífero em que outras espécies já foram descobertas. O Isodapedon é a sexta espécie de rincossauro do Período Triássico encontrada no território brasileiro. Segundo os pesquisadores, a coexistência de tantas espécies pode ser explicada por diferentes estratégias alimentares, com cada uma se especializando em um tipo de vegetação.
O fóssil de Isodapedon varzealis está no acervo científico do CAPPA/UFSM, localizado em São João do Polêsine (RS). O centro integra o Geoparque Quarta Colônia da UNESCO e tem uma exposição aberta à visitação gratuita.
*Com informações do g1