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Atualizado hoje às 16:50
Projeto do Judiciário forma jovens indígenas como multiplicadores da cultura de paz na Terra Indígena do Guarita
Iniciativa desenvolvida pela Comarca de Coronel Bicaco reuniu estudantes Kaingang em encontros sobre cidadania, prevenção da violência e protagonismo juvenil
Uma iniciativa do Poder Judiciário está promovendo a cultura de paz, a cidadania e o protagonismo entre jovens da Terra Indígena do Guarita, localizada entre os municípios de Tenente Portela, Redentora, Miraguaí e Erval Seco. Idealizado pela juíza Ezequiela Basso Bernardi Possani, titular da Vara Judicial da Comarca de Coronel Bicaco, o projeto Jovens Indígenas pela Paz no Guarita encerrou nesta semana a primeira turma, certificando os participantes como "Jovens Multiplicadores da Paz".
Desenvolvido desde outubro de 2025 na Escola Estadual Indígena de Ensino Médio Antônio Kasin Mig, o projeto busca aproximar o Judiciário da comunidade indígena por meio de uma atuação preventiva e educativa, estimulando o diálogo, a resolução pacífica de conflitos e a formação de novas lideranças.
A primeira edição reuniu estudantes do 7º ao 9º ano do Ensino Fundamental em cinco encontros temáticos, com média de 35 participantes por atividade.
Ao longo da formação, os participantes refletiram sobre inteligência emocional, comunicação não violenta, prevenção da violência, direitos e deveres dos cidadãos, combate à violência de gênero e construção de acordos extrajudiciais. Um dos destaques da programação foi a realização de um júri simulado sobre um caso de feminicídio, permitindo aos jovens conhecerem aspectos do funcionamento da Justiça e debaterem questões relacionadas à violência contra a mulher.
As atividades também abordaram temas como prevenção ao uso de álcool e drogas, escolhas saudáveis e construção de projetos de vida. No último encontro, os estudantes participaram da dinâmica “Cápsula do Tempo – A Árvore das Escolhas”, registrando sonhos, expectativas e objetivos para o futuro. Os relatos foram guardados em um recipiente lacrado, que será aberto futuramente, quando os participantes atingirem a vida adulta.
Segundo a juíza Ezequiela Basso Bernardi Possani, a iniciativa foi estruturada de forma progressiva para demonstrar aos jovens que o autoconhecimento e o controle emocional contribuem para o diálogo, favorecendo a resolução pacífica de conflitos e o surgimento de novas lideranças comunitárias. Além de incentivar o protagonismo juvenil, o projeto valoriza o conceito indígena do Bem Viver, baseado na harmonia coletiva, na solidariedade e no equilíbrio com a terra. "O resgate desses valores fortalece a identidade cultural e o sentimento de pertencimento dos participantes, contribuindo para que se tornem agentes de transformação em suas comunidades", considera a Juíza.
A Terra Indígena do Guarita possui cerca de 23 mil hectares e abriga mais de 6,4 mil indígenas das etnias Kaingang e Guarani, sendo considerada a maior reserva indígena do Rio Grande do Sul.
O projeto conta com o apoio do Ministério Público de Coronel Bicaco, Conselho Tutelar, Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), Hospital Santo Antônio de Tenente Portela, secretarias municipais de Saúde e Assistência Social, Brigada Militar, Polícia Civil, organizações da sociedade civil e lideranças indígenas.
*Com informações Ascom/TJRS