Saúde
Publicado hoje às 09:23
RS inicia aplicação de anticorpo para proteger bebês contra bronquiolite e pneumonia
Nirsevimabe passa a ser ofertado pelo SUS a partir de fevereiro para prematuros e crianças com comorbidades
O Rio Grande do Sul recebeu neste mês o primeiro lote de nirsevimabe, anticorpo incorporado pelo Ministério da Saúde ao Sistema Único de Saúde (SUS) para proteger bebês contra infecções graves causadas pelo vírus sincicial respiratório (VSR), principal agente associado à bronquiolite e à pneumonia em crianças pequenas. As aplicações iniciam em fevereiro e ocorrerão nas maternidades ou nas unidades de vacinação da rede pública.
A dose única é indicada para todos os prematuros, nascidos com menos de 37 semanas de gestação, e para crianças de até 24 meses que apresentem comorbidades que aumentem o risco de infecções respiratórias. Somente em 2025, quase 2,6 mil bebês com até um ano foram hospitalizados no Estado em decorrência do VSR, com maior concentração de internações entre os meses de maio e julho.
Distribuição das doses
Ao todo, o Estado recebeu 1.253 doses do imunobiológico, sendo 960 doses de 0,5 ml, destinadas a crianças com menos de cinco quilos, e 293 doses de 1 ml, para aquelas com peso acima de cinco quilos. Parte do lote será distribuída pela Secretaria Estadual da Saúde (SES) aos 34 Centros Intermediários de Imunobiológicos Especiais e às coordenadorias regionais de saúde, enquanto o restante ficará reservado como estoque estratégico.
Neste primeiro momento, a orientação é que pais e responsáveis procurem a maternidade onde o bebê nasceu ou a Unidade Básica de Saúde (UBS) de referência para verificar a disponibilidade e as datas de aplicação. Novas remessas deverão ser encaminhadas ao Estado conforme a chegada de lotes ao Ministério da Saúde.
O que é o nirsevimabe
O nirsevimabe é um anticorpo monoclonal administrado em dose única, com proteção estimada de até seis meses. Embora aplicado por injeção intramuscular, ele não é uma vacina, pois não estimula o organismo a produzir anticorpos, mas fornece proteção imediata ao bebê. O medicamento já é utilizado em países como Estados Unidos, Canadá, Reino Unido e Espanha.
Por oferecer proteção direta e imediata, o anticorpo é especialmente importante para recém-nascidos e prematuros, cujo sistema imunológico ainda não está completamente desenvolvido.
Quem pode receber
Prematuros: todos os nascidos com menos de 37 semanas de gestação, durante todo o ano, preferencialmente ainda na maternidade;
Crianças de até 24 meses com comorbidades, durante o período de maior circulação do VSR (fevereiro a agosto), incluindo:
cardiopatia congênita com repercussão hemodinâmica;
doença pulmonar crônica da prematuridade;
imunocomprometimento grave;
síndrome de Down;
fibrose cística;
doenças neuromusculares graves;
anomalias congênitas das vias aéreas e doenças pulmonares graves.
Quando a condição é identificada ao nascimento, a aplicação pode ocorrer ainda na maternidade.
Locais de aplicação
Maternidades do SUS: aplicam diretamente ou solicitam doses à Rede de Imunobiológicos Especiais;
Centros de Referência e Centros Intermediários de Imunobiológicos Especiais: realizam avaliação clínica e aplicação;
Demais unidades do SUS: aplicam mediante autorização prévia.
Fora da maternidade, é necessária a apresentação de laudo, relatório ou prescrição médica que comprove a condição clínica do bebê.
Por que o VSR preocupa
O VSR é um dos principais causadores de infecções respiratórias em bebês, especialmente nos menores de seis meses. A transmissão ocorre por gotículas respiratórias e contato com secreções, sendo facilitada em ambientes fechados e durante os meses mais frios.
Apesar de muitos casos serem leves, o vírus pode causar quadros graves, com necessidade de internação em UTI, uso de oxigênio e, em situações extremas, levar à morte.
Bebês com menos de um ano representam pouco mais de 1% da população gaúcha, mas responderam por quase um terço das internações por síndrome respiratória aguda grave (SRAG) em 2025. Entre os menores de 12 meses, o VSR esteve presente em 42,6% das internações, superando os registros de covid-19 e influenza.
As hospitalizações pelo vírus seguem em alta: foram 3.616 casos em 2025, contra 2,7 mil em 2024 e 2,2 mil em 2023.
Ampliação da proteção
Com a incorporação do nirsevimabe, o SUS inicia a transição do palivizumabe, que exigia cinco doses mensais. O novo anticorpo amplia significativamente o público atendido e facilita o acesso, protegendo um número muito maior de crianças, especialmente os prematuros.
No Rio Grande do Sul, cerca de 13% dos nascimentos em 2024 foram prematuros. Com a nova estratégia, a estimativa é de que o número de bebês protegidos contra o VSR seja mais de 12 vezes maior apenas entre os prematuros.
Proteção começa na gestação
Desde o final de 2025, o SUS também passou a oferecer vacina contra o VSR para gestantes, aplicada a partir da 28ª semana de gestação. A imunização permite que anticorpos sejam transferidos ao bebê ainda durante a gravidez, garantindo proteção nos primeiros meses de vida.
Com a combinação da vacinação de gestantes e da aplicação do nirsevimabe em bebês elegíveis, o SUS fortalece a prevenção contra o VSR desde a gestação até a primeira infância, contribuindo para reduzir internações, complicações e óbitos associados ao vírus.