Saúde
Publicado hoje às 16:12
Setembro Amarelo reforça importância da prevenção e do cuidado em saúde mental
O Rio Grande do Sul registrou, pelo menos, 1.557 óbitos por suicídio em 2025
Identificação precoce de sinais de sofrimento e acesso à rede de apoio são fundamentais para a prevenção do suicídio
O suicídio é um importante desafio de saúde pública e sua prevenção exige ações contínuas de cuidado, acolhimento e promoção da saúde mental. Durante o Setembro Amarelo, mês dedicado à conscientização sobre o tema, a atenção se volta para a importância de reconhecer sinais de sofrimento e ampliar o acesso aos serviços de apoio.
Embora muitas vezes o tema seja associado apenas ao óbito, o comportamento suicida pode se manifestar de diferentes formas, incluindo pensamentos relacionados à morte, comportamentos autolesivos e tentativas de suicídio. A identificação precoce dos sinais de sofrimento e o acesso oportuno ao cuidado são, por isso, fundamentais para a prevenção.
O suicídio é um fenômeno complexo, influenciado por fatores biológicos, psicológicos, sociais, culturais e econômicos. Seus impactos também ultrapassam a pessoa diretamente envolvida, atingindo familiares, amigos e comunidades.
No Rio Grande do Sul
Dados preliminares apontam que o Rio Grande do Sul registrou 1.557 óbitos por suicídio em 2025, com uma taxa de 14,6 por 100 mil habitantes. A análise por faixa etária apresenta diferenças entre homens e mulheres.
Entre os homens, as taxas aumentam progressivamente com o avanço da idade. O maior índice foi registrado entre pessoas com mais de 80 anos, com 52 óbitos por 100 mil habitantes.
Entre as mulheres, os maiores índices foram observados nas faixas etárias de 40 a 49 anos e de 50 a 59 anos, com taxas de 9,4 e 8,8 óbitos por 100 mil habitantes, respectivamente.
Prevenção envolve diferentes setores
A prevenção do suicídio depende de uma atuação articulada entre diferentes áreas da sociedade. No setor da saúde, pessoas que apresentam pensamentos suicidas, comportamentos autolesivos ou histórico de tentativas devem receber acolhimento e acompanhamento pela Rede de Atenção Psicossocial.
A Atenção Primária à Saúde exerce papel estratégico nesse processo, contribuindo para identificar precocemente situações de sofrimento e encaminhar os pacientes para o atendimento adequado. O acompanhamento pode ajudar a evitar o agravamento dos quadros e a necessidade de atendimentos de urgência ou hospitalares.
A prevenção também está relacionada às condições sociais e à garantia de direitos, como acesso à educação, saúde, alimentação, trabalho e moradia. Da mesma forma, é necessário enfrentar situações que podem aumentar a vulnerabilidade ao sofrimento psíquico, entre elas discriminação contra a população LGBTQIAPN+, violência sexual, bullying, racismo, violência contra mulheres, negligência contra pessoas idosas, assédio moral e padrões de masculinidade prejudiciais.
Como abordar o tema
A forma de falar sobre suicídio também exige responsabilidade. A abordagem deve priorizar a promoção da vida, o acolhimento e a divulgação de informações que orientem as pessoas em sofrimento a procurar ajuda.
Conversar de maneira cuidadosa e sem julgamentos pode contribuir para que alguém em sofrimento se sinta acolhido e busque atendimento. Familiares, amigos, colegas de trabalho e outras pessoas próximas também podem exercer um papel importante ao perceber mudanças de comportamento e incentivar a procura por ajuda profissional.
Onde buscar ajuda
Pessoas que estejam passando por sofrimento emocional não precisam enfrentar essa situação sozinhas. A rede pública de saúde oferece serviços de acolhimento e acompanhamento. É possível procurar:
Unidade de saúde: a unidade mais próxima da residência pode realizar o primeiro acolhimento e orientar sobre os serviços disponíveis;
Centros de Atenção Psicossocial (Caps): oferecem atendimento em saúde mental e, conforme a organização do serviço, podem ser acessados diretamente, sem necessidade de encaminhamento;
Centro de Valorização da Vida (CVV): atendimento pelo telefone 188, gratuito, 24 horas por dia e com sigilo.
Em situações de sofrimento intenso ou risco imediato, a orientação é procurar um serviço de urgência e emergência ou acionar o Samu, pelo 192.
*Informações Governo RS