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  • Terra da laranja, Liberato Salzano inicia safra buscando preço justo e profissionalização

    Colheita será oficialmente aberta durante a programação dos 62 anos do município. Dentre outras medidas, prefeito Gilson de Carli aponta atuação da Conab e aumento de percentual do suco no refrigerante como alternativas para valorização

    Conhecida como a capital gaúcha da laranja, Liberato Salzano completa 62 anos no mês de junho e reservou parte da programação festiva para celebrar a citricultura. Durante o mês, dentre outras atividades que incluem os tradicionais Festival Canta Liberato e Jantar Italiano, haverá a abertura oficial da colheita da laranja.

    Mas se de um lado a safra promete ser cheia, a comemoração esbarra no preço baixo que os produtores devem encontrar na hora da venda. Para o prefeito Gilson de Carli (MDB), o aniversário do município também é um momento de reflexão sobre a importância econômica da laranja e sobre a necessidade de garantir sustentabilidade à atividade.

    “São cerca de 3 mil famílias da nossa região envolvidas com a citricultura. Só em Liberato Salzano, na época da safra, de junho até dezembro, entre 400 e 500 pessoas trabalham apenas na colheita. Então, não estamos falando só de uma fruta. Estamos falando de renda, permanência no campo e desenvolvimento regional”, afirma.

    Safra começa sob preocupação com os preços

    Segundo o prefeito, a expectativa é de que o valor pago pelo quilo da laranja fique em torno de R$ 0,50, abaixo do considerado ideal pelos produtores. “Com 50 centavos, não é um preço que o produtor mereça, principalmente aquele que vive exclusivamente da laranja”, destaca.

    Nos últimos meses, a administração municipal participou de reuniões com empresários, cooperativas, Governo do Estado, Emater e Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), buscando alternativas para minimizar os impactos da baixa remuneração. A principal reivindicação é que o governo federal aporte recursos para garantir o pagamento do preço mínimo da fruta, atualmente fixado em R$ 0,70 por quilo.

    “Se conseguirmos o preço mínimo, já dá uma respirada. São 20 centavos a mais para o agricultor”, explica. O tema estará em pauta em uma reunião da Câmara Setorial da Citricultura, marcada para o dia 28, em Porto Alegre, e também em um encontro nacional previsto para agosto, em Brasília.

    Qualidade da fruta e profissionalização da atividade

    Além da discussão sobre preços, o município busca fortalecer a qualidade da produção e combater problemas fitossanitários. Segundo o prefeito, a cadeia produtiva passa por uma mudança de perfil e exigirá cada vez mais profissionalização dos produtores.

    “A qualidade da fruta vai ter valor agregado. Não dá mais para tratar a laranja como um assunto para amador”, afirma.

    A preocupação inclui o controle de mudas sem procedência e de pomares mal manejados, que podem comprometer áreas produtivas inteiras. O município também vem incentivando o plantio de mudas certificadas. No ano passado, a demanda por novas plantações superou a oferta disponível no Estado.

    “Tivemos pedidos para cerca de 120 hectares e conseguimos mudas para 80. Mas não podemos comprar sem procedência, porque isso pode causar um dano enorme para os pomares sadios”, ressalta.

    Mesmo diante das dificuldades, o prefeito acredita que produtores com sucessão familiar estruturada seguem apostando na atividade. “Quem trabalha focado na citricultura e cuida bem do pomar continua investindo. A laranja ainda é uma atividade rentável quando há produtividade e manejo adequado”, avalia.

    Aposta no mercado interno

    Outro debate defendido por Gilson envolve a ampliação do consumo interno de suco de laranja no Brasil. O prefeito defende que o país deixe de depender tanto das exportações e crie estímulos para aumentar o uso da fruta na indústria alimentícia.

    Entre as propostas está o aumento do percentual de suco natural nos refrigerantes. “Hoje muitos refrigerantes têm apenas 1,5% de suco. Se aumentar 1% ou 2%, já cria uma demanda enorme para o nosso produto”, argumenta.

    Ele também defende incentivos fiscais para empresas que utilizem ingredientes mais naturais. “A gente comemora quando exporta, mas fica dependente de outros países que muitas vezes pagam o preço que querem. Nós temos condições de aumentar o consumo aqui dentro do Brasil”, acrescenta.

    Atualmente, cerca de 90% da produção local é destinada à exportação, impulsionada pela qualidade e pela coloração da fruta produzida na região.

    Uma cidade moldada pela agricultura familiar

    Ao falar sobre os 62 anos de Liberato Salzano, Gilson de Carli relembra a trajetória de transformação do município, que já esteve entre os mais pobres do Rio Grande do Sul e hoje busca se consolidar como referência regional em agricultura familiar e agroindústria.

    – Já fomos o segundo município mais pobre do Estado no fim dos anos 1980. Analfabetismo, pobreza, mortalidade infantil... Vivemos tudo isso e superamos. Nós temos um povo humilde, trabalhador e acolhedor. Liberato cresceu muito graças às pessoas que permaneceram no interior, produzindo e acreditando no município –, afirma.

    A citricultura, segundo ele, simboliza justamente esse modelo de desenvolvimento baseado em pequenas propriedades e diversificação produtiva. Em muitas famílias, a laranja divide espaço com leite, suinocultura, fumo e outras atividades. “A laranja casa muito bem com outras culturas. Isso ajuda o agricultor a permanecer no campo e ter renda durante o ano”, pontua. Programação valoriza talentos locais e história da comunidade

    Escolha das soberanas e homenagem a cidadão centenário iniciam celebrações

    As comemorações de aniversário também reforçam o objetivo de valorizar a própria comunidade. No último fim de semana, o município realizou a escolha das soberanas e prestou homenagem ao centenário Archangelo Raminelli. “Mais do que beleza, a escolha das soberanas valoriza o envolvimento das jovens com a comunidade, com a escola, com o voluntariado”, destaca o prefeito.

    Entre as cinco candidatas que se inscreveram para a disputa, foram escolhidas pela comissão de jurados Kaiane Reiz Castanho como rainha, Emanueli Paim Pessi como primeira princesa e Nicoli Scorteganha Tozzi como segunda princesa.

    A homenagem ao morador de 100 anos também foi marcada pela emoção. “É um orgulho homenagear alguém que construiu sua história aqui e que serve de exemplo para as novas gerações”, comenta.

    Entre os destaques da programação está ainda a 9ª edição do Canta Liberato, marcada para o dia 6 de junho, reunindo participantes de diferentes regiões do Sul do país. A abertur da Safra da Citricultura é no dia 19 e o Jantar Italiano, no dia 27.

    João Victor Cassol - Jornalista Grupo Chiru
    No Ar: Batidão da Chiru com Dani Oliveira 15:00 - 17:00

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