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  • Terra Forte amplia ações para recuperar solos e fortalecer a agricultura familiar no RS

    Programa criado após as enchentes de 2024 prevê atender 15 mil famílias e busca melhorar o manejo e a conservação dos solos no Estado

    O Programa Operação Terra Forte está ampliando as ações de recuperação e manejo dos solos no Rio Grande do Sul, com foco no fortalecimento da agricultura familiar e na preparação das propriedades para enfrentar eventos climáticos extremos. Criado em julho de 2025, após as enchentes que atingiram o Estado em 2024, o programa integra as ações de reconstrução e conta com a participação da Emater/RS-Ascar na execução das atividades.

    Durante entrevista à Rádio Chiru, o presidente da Emater/RS-Ascar, Claudinei Moisés Baldissera, destacou que o Terra Forte prevê diagnóstico das propriedades, elaboração de planos de recuperação, assistência técnica e incentivo a práticas sustentáveis.

    O programa tem previsão de atender 15 mil famílias, mas, segundo Baldissera, o objetivo é que os conhecimentos e as práticas desenvolvidas também alcancem agricultores que não estejam diretamente contemplados pela iniciativa.

    Para o presidente da Emater/RS-Ascar, o Terra Forte deve ter continuidade e se tornar uma política permanente de cuidado com o solo. Como exemplo histórico, ele citou a Operação Tatu, desenvolvida na década de 1960 a partir de uma parceria entre a Faculdade de Agronomia da UFRGS e a Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos. "A iniciativa foi considerada um marco na correção e fertilização dos solos e contribuiu para o desenvolvimento da agricultura gaúcha", disse.

    Baldissera também destacou que o Terra Forte reúne experiências de conservação dos solos desenvolvidas nos três estados da Região Sul — Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. A iniciativa integra produtores rurais, pesquisa agropecuária, universidades, extensão rural e administrações municipais e estaduais.

    Outro ponto abordado foi a utilização do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC), desenvolvido com participação da Embrapa e do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), como ferramenta para avaliar riscos climáticos e orientar o planejamento da produção agrícola.

    Segundo Baldissera, os níveis de manejo considerados pelo zoneamento são divididos em quatro categorias e o Rio Grande do Sul ainda precisa avançar na qualidade do manejo e na conservação dos solos. "Não é legal dizer mas nossos solos não estão posicionados nas melhores categorias e isso é o principal fator que coloca toda agricultura do Rio grande do Sul como mais vulnerável. Os programas de estado e os programas dos municípios precisam olhar para isso e superar os desafios com resiliência de solos em níveis de manejos adequados pois isso também reverbera no crédito rural. É uma rede única de todo o sistema da produção agrícola,vegetal e animal",salientou.

    A preocupação está diretamente relacionada à capacidade de produção e à segurança financeira dos agricultores. Conforme o presidente da Emater/RS-Ascar, quando o solo não apresenta condições adequadas para sustentar o sistema produtivo, a atividade agrícola fica mais vulnerável, o que pode refletir inclusive no acesso ao crédito rural e na contratação do seguro Proagro.

    A proposta do Terra Forte, portanto, é trabalhar a recuperação dos solos como parte de uma estratégia integrada de produção agrícola e pecuária, buscando aumentar a resiliência das propriedades e reduzir os impactos provocados pelas adversidades climáticas.

    Luiza Pinto Pereira - Estagiária de Jornalismo
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