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  • Trigo: Palmeira das Missões lidera a produção e a área cultivada no RS

    O município se destaca na produção estadual, enquanto custos, riscos climáticos e novas oportunidades de mercado estão entre os fatores que influenciam o futuro da cultura

    Palmeira das Missões reafirma sua importância na triticultura gaúcha ao liderar a área plantada e a produção de trigo no Rio Grande do Sul. Além de contribuir para a economia regional, o cereal desempenha papel estratégico nos sistemas de produção agrícola, especialmente na rotação de culturas e no plantio direto, e apresenta novas possibilidades de aproveitamento industrial.

    Para o presidente do Sindicato Rural de Palmeira das Missões, Ivonei Librelotto, o trigo continua sendo fundamental para a agricultura do Sul do país. Mesmo diante dos desafios relacionados aos custos de produção e à comercialização, o dirigente destaca que o avanço tecnológico e a diversificação dos usos do cereal ampliam as perspectivas para a atividade.

    – Não tem como pensar em fazer lavoura no Sul, principalmente em um sistema de plantio direto eficiente, sem a cultura do trigo, sem as lavouras de inverno e sem os cereais de inverno –, afirma.

    A importância da cultura vai além da produção de farinha para a alimentação. Conforme Librelotto, o desenvolvimento de novas variedades e as tecnologias empregadas no campo permitem atender às exigências da indústria alimentícia, enquanto outros segmentos industriais abrem possibilidades para agregar valor à produção.

    – Hoje temos várias perspectivas e oportunidades de transformação e agregação de valor. A cultura vai tomar uma importância maior novamente, com uma retomada do cultivo nacional, principalmente no Sul do país –, projeta.

    Tecnologia e novos mercados ampliam as perspectivas

    O presidente do Sindicato Rural ressalta que o trigo brasileiro possui condições de atender a diferentes demandas da indústria. A combinação de variedades permite produzir farinhas com características específicas para a fabricação de pães, biscoitos e massas, ampliando as possibilidades de utilização do cereal nacional.

    Outra frente está na produção de biocombustíveis e no aproveitamento de coprodutos industriais. Para Librelotto, essas alternativas representam oportunidades de diversificação dos mercados e de valorização dos cereais de inverno, fortalecendo a participação da agricultura na cadeia de transformação industrial.

    O dirigente também considera importante o diálogo entre produtores, cooperativas, cerealistas, moinhos e indústria para construir soluções conjuntas e fortalecer toda a cadeia produtiva. A aproximação entre esses segmentos pode contribuir para uma comercialização mais equilibrada e para a continuidade dos investimentos na cultura.

    Planejamento é fundamental para a rentabilidade

    Na avaliação de Librelotto, o planejamento das lavouras e a busca por maior eficiência são fundamentais para que os produtores mantenham a atividade rentável. O acompanhamento das condições climáticas, a qualidade dos grãos e a análise dos custos ajudam a orientar as decisões durante a safra.

    Entre os principais desafios da triticultura estão os custos de implantação das lavouras, as condições climáticas e a comercialização. As condições climáticas também exigem atenção durante a colheita. A ocorrência de chuvas pode comprometer a qualidade dos grãos, provocar germinação ainda na espiga e dificultar as operações no campo. “Se conseguirmos colher trigo com qualidade, provavelmente o preço para quem conseguir segurar o produto vai ter uma melhora. A grande questão é que o lucro não vai existir, porque foi um plantio caro”, avalia.

    O dirigente observa que a valorização do trigo depende também das condições de mercado no momento da comercialização. Quando a produção apresenta boa qualidade, podem surgir oportunidades de melhores preços, embora a decisão de armazenar o cereal exija atenção aos custos e às condições de conservação.

    Outro ponto destacado pelo dirigente sindical é a dificuldade de armazenar a produção à espera de melhores preços. Além dos custos de manutenção, existe o risco de desvalorização e perda de qualidade, o que influencia as decisões dos agricultores no momento da comercialização.

    Nesse cenário, a diversificação produtiva e o aproveitamento das características de cada propriedade também podem contribuir para a sustentabilidade econômica das atividades rurais.

    Safra gaúcha tem produção estimada em 2,2 milhões de toneladas

    A área de trigo no Rio Grande do Sul está projetada em 763 mil hectares em 2026, com produtividade média estimada em 2.833 quilos por hectare e produção de aproximadamente 2,2 milhões de toneladas, conforme dados da Emater/RS-Ascar. Embora o volume seja inferior ao registrado em 2025, o cereal permanece relevante para a agricultura estadual.

    No Brasil, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima a produção de trigo em 5,73 milhões de toneladas em 2026, ante 7,87 milhões de toneladas no ano anterior.

    A abertura oficial da colheita do trigo no Rio Grande do Sul ocorreu na última quinta-feira, 22 de outubro, em Cruz Alta, município que ocupa a segunda posição no Estado em área cultivada com o cereal, atrás de Palmeira das Missões. O evento reuniu representantes do governo estadual e do setor agrícola para marcar o início da colheita e destacar a importância da triticultura para o desenvolvimento das regiões produtoras.

    Heloise Santi - Jornalista Grupo Chiru
    No Ar: Sul Bandas com Edinei Dal Asta 17:00 - 19:00

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