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  • Hemodiálise é prioridade no HDP, enquanto futuro da oncologia será reavaliado

    A conclusão da nova estrutura da hemodiálise do Hospital Divina Providência (HDP), em Frederico Westphalen, é a prioridade da administração municipal. A meta é entregar a obra até o fim deste ano, prazo estabelecido no convênio firmado com o Governo do Estado.

    Para acelerar o processo, o secretário municipal de Coordenação e Planejamento, Valdenir Cadore, assumiu a revisão técnica do projeto e realizou, juntamente com a empresa responsável pela execução, a MTX Construtora, um novo levantamento sobre o que ainda é necessário para concluir a obra.

    Segundo ele, são necessários R$ 4,902 milhões para finalizar a hemodiálise. Desse total, R$ 1,760 milhão corresponde à aquisição de equipamentos como sistema de osmose, climatização e gases medicinais. Os cerca de R$ 3,2 milhões restantes referem-se às obras civis.

    Cadore explicou que esse valor praticamente corresponde à contrapartida que deveria ter sido investida na obra.

    — Esse valor de R$ 4,9 milhões é exatamente o valor da contrapartida da obra que não foi aportado, acontece que é o valor necessário para concluir somente o que falta para a hemodiálise. Hoje nossa prioridade é entregar a hemodiálise para a comunidade. A oncologia, neste momento, está sendo deixada em segundo plano para que possamos cumprir o contrato firmado com o Estado — afirmou.

    Obra está parada à espera de definições

    De acordo com o secretário, a obra encontra-se estagnada, mas não paralisada por abandono da empresa.

    Segundo ele, a construtora executou o contrato conforme as condições existentes e aguarda uma definição sobre a aquisição dos equipamentos, etapa indispensável para o avanço dos trabalhos.

    — Hoje a empresa não tem como avançar. Ela foi parceira durante toda a execução e agora aguarda a definição sobre a compra dos equipamentos faltantes, que poderá ser feita pelo hospital ou pela própria empresa. Precisamos encontrar uma forma de viabilizar esse pagamento para que a obra continue – simplificou o secretário.

    Cadore explicou que a primeira etapa será concluir a nova estrutura da hemodiálise, o subsolo e na sequência realizar a reforma da área onde o serviço já funciona atualmente, adequando todo o espaço ao novo layout aprovado.

    Depois disso, será preciso decidir o futuro da área prevista para a oncologia.

    Projeto da oncologia será reavaliado

    Embora o projeto original também contemple a construção do setor de oncologia, Cadore afirma que, neste momento, a definição é que a prioridade é garantir a conclusão da hemodiálise, cumprindo o contrato com o Governo do Estado.

    Segundo ele, não há recursos suficientes para executar as duas obras simultaneamente.

    Além da questão financeira, o secretário destaca que o projeto da oncologia apresenta desafios estruturais importantes.

    Durante a revisão técnica dos projetos, a equipe identificou problemas que exigirão discussão antes da continuidade da obra da oncologia e alguns pontos que já foram supridos.

    Segundo Cadore, o projeto original prevê que, para erguer a estrutura definitiva da oncologia, seria necessária a demolição de mais de um terço da atual hemodiálise para execução das fundações.

    Além disso, ele afirma que foram identificadas falhas de integração entre os dois projetos. "Não existe comunicação entre a hemodiálise e a oncologia por escadaria, por exemplo. Apenas um elevador estava previsto. Também encontramos um pilar sendo executado em um local que inviabilizaria a circulação entre os prédios. Fizemos as interferências necessárias para corrigir essas situações e garantir a continuidade do atendimento", exemplificou.

    Outra possibilidade em estudo é utilizar o pavimento já construído para outras atividades hospitalares, caso a construção da oncologia não seja mantida conforme o projeto original.

    — Precisamos avaliar se é viável seguir com a oncologia ou destinar aquele espaço para outra finalidade dentro do hospital, algo a ser construído e debatido, inclusive com a comunidade – ponderou.

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    Novas adequações técnicas serão necessárias

    A revisão dos projetos também apontou outras necessidades que não estavam contempladas inicialmente.

    Uma delas é a ligação elétrica entre o novo prédio e a estrutura existente do hospital.

    Conforme Cadore, o projeto original exigiria interromper o fornecimento de energia do HDP durante a execução da ligação, algo considerado inviável.

    Por isso, está sendo elaborado um novo projeto prevendo um transformador exclusivo para a nova estrutura da hemodiálise, permitindo que a obra seja conectada sem comprometer o funcionamento do hospital.

    Outra questão envolve a estação de tratamento de esgoto. Segundo o secretário, existe a intenção de que a Corsan assuma a operação da estrutura, facilitando o lançamento dos efluentes.

    Também está em estudo a perfuração de um poço artesiano para abastecer parte das demandas do hospital, especialmente a lavanderia. O investimento estimado para essa estrutura parte de cerca de R$ 100 mil.

    Além disso, a administração avalia implantar medição individualizada de energia para os serviços terceirizados instalados no hospital, o que exigirá a instalação de um novo transformador.

    Nesta semana, a empresa responsável pela obra também deverá apresentar um relatório detalhando os valores já executados e os serviços ainda pendentes, documento que servirá de base para as próximas decisões da Prefeitura e da direção do HDP.

    Município admite necessidade de reorganizar prioridades

    O prefeito Orlando Girardi afirmou que a prioridade da gestão será garantir a entrega da hemodiálise.

    Segundo ele, parte dos recursos inicialmente destinados à obra acabou sendo utilizada na execução da estrutura prevista para a oncologia, o que hoje dificulta a conclusão do projeto original.

    — Vamos nos debruçar sobre a hemodiálise e entregá-la para a comunidade. A oncologia hoje possui apenas a estrutura levantada e ainda exigirá um investimento muito alto, além da futura habilitação do serviço. Precisamos fazer escolhas e buscar recursos por meio de emendas parlamentares para cumprir esse compromisso inicial que precisamos até o fim deste ano – salientou.

    O prefeito ressaltou que, mesmo que a obra não seja concluída dentro do prazo previsto, o serviço de hemodiálise continuará funcionando no espaço atual. No entanto, o município poderá sofrer sanções pelo descumprimento do cronograma do convênio estadual, razão pela qual a administração busca acelerar as definições para concluir a obra até dezembro.

    Cadore, no entanto, ponderou que poderá ser tentado uma nova negociação e prazos com o Governo desde que haja avanços na obra até dezembro.

    Convênio tem prazo até dezembro

    Em abril deste ano, durante reunião com a Secretaria Estadual da Saúde, a Prefeitura de Frederico Westphalen foi informada de que o convênio para execução da obra da hemodiálise se encerra em dezembro e não poderá ser prorrogado.

    Na ocasião, foi reforçada a necessidade de acelerar os trabalhos para evitar a perda dos recursos estaduais já repassados e a devolução dos valores.

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    Do investimento total previsto, de aproximadamente R$ 8,7 milhões, o Governo do Estado já repassou cerca de R$ 3,9 milhões, restando ao hospital viabilizar a contrapartida necessária para a conclusão da obra. Com a revisão técnica em andamento, a expectativa da administração municipal é de, pelo menos, retomar a obra e tentar entrega-la dentro do prazo.

    Heloise Santi - Jornalista Grupo Chiru
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