Segurança
Publicado hoje às 11:04
Homem é condenado a 27 anos de prisão por feminicídio em Três Passos
Crime ocorreu em 2023, logo após a vítima participar de audiência sobre medidas protetivas
O Tribunal do Júri condenou, nesta quarta-feira, 22 de julho, um homem a 27 anos e quatro meses de prisão pelo feminicídio de Márcia Adriane Erthal, de 36 anos, assassinada em 14 de julho de 2023, no município de Três Passos. A condenação atendeu à denúncia apresentada pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS).
Os jurados reconheceram as qualificadoras de motivo fútil, emboscada, feminicídio e o fato de o crime ter sido cometido durante a vigência de medidas protetivas de urgência. O réu também foi condenado pelo crime de descumprimento das medidas protetivas.
Segundo o Ministério Público, Márcia foi assassinada logo após participar de uma audiência relacionada às medidas protetivas concedidas em seu favor. O acusado, seu ex-companheiro, compareceu ao Fórum de Três Passos, mas foi dispensado porque sua presença não era necessária. Mesmo assim, aproximou-se da vítima, descumprindo a determinação judicial que o impedia de manter contato com ela.
Conforme sustentou a acusação, o homem deixou o Fórum cerca de 30 minutos antes de Márcia e seguiu até o Parque do Lago Frei Ivo, local que sabia fazer parte do trajeto da vítima até sua residência. No local, aguardou sua passagem e a atacou com golpes de faca em via pública.
Mesmo ferida, Márcia ainda conseguiu enviar um áudio ao namorado pedindo socorro e afirmando que seria morta. Ela percorreu cerca de 55 metros antes de cair. De acordo com a investigação, uma das quatro facadas provocou intensa hemorragia interna, causando sua morte em poucos minutos.
O Ministério Público destacou que o crime ocorreu em contexto de violência doméstica e familiar e foi motivado pela inconformidade do acusado com o registro da ocorrência policial e o pedido de medidas protetivas feitos pela vítima, que era mãe de três filhos menores de idade.
A promotora de Justiça Fernanda Carolina de França Barbosa Camara Zaconi, que atuou no julgamento, ressaltou que o condenado tinha pleno conhecimento das medidas protetivas em vigor e, ainda assim, violou deliberadamente as determinações judiciais antes de cometer o feminicídio. Preso logo após o crime, ele permanecerá cumprindo a pena imposta pelo Tribunal do Júri.
*Com informações MPRS